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Diploma não garante emprego

Universidades não param de crescer

Matrículas sobem mais que salários

MEC rejeita 90% dos pedidos para novos cursos superiores

Uma história de mil anos

A rede de universidades públicas e privadas do Estado vem produzindo uma massa de profissionais que cresce cerca de 10% ao ano, segundo estimativas do MEC. A valorização da educação, impulsionada no começo da década por um crescimento de 85% nas vagas da educação básica, reflete-se no aumento do número de matrículas nas universidades. Mas o acesso ao mercado de trabalho é um risco nem sempre calculado nessa corrida pelo acesso à educação. Entre o total de 21.351 desempregados inscritos no programa de seguro-desemprego do Ministério do Trabalho, em dezembro do ano passado, pelo menos 17% são trabalhadores com curso superior completo e mais de 30% estão na universidade. Ainda de acordo com o Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), as contratações e demissões de trabalhadores com formação universitária, no último ano, tiveram um saldo negati-vo de 11.128 desempregados.

Uma pesquisa elaborada pelo Programa de Emprego e Desemprego (PED) em parceria entre o Dieese e órgãos públicos, na Região Metropolitana de Porto Alegre, aponta que 3% dos 331 mil desempregados gaúchos possuem formação universitária. O percentual é considerado alto, ainda que no universo de trabalhadores com formação superior a ocupação tenha se mantido na média de 80% nos últimos três anos. De acordo com o estudo, a maior parte dos formados ocupa postos de trabalho no setor terciário - que inclui desde a colocação em pequenas empresas de prestação de serviços até em postos que exigem qualificação em grandes indústrias.

"O mercado de trabalho tem muitos mecanismo seletivos que, embora pulverizados, se apresentam na forma de discriminação racial, sexual ou relativos à escolaridade", explica a economista Lúcia Garcia, técnica do Dieese e coordenadora do Programa de Emprego e Desemprego (PED). A educação se sobressai como um mecanismo importante na obtenção de emprego ou de melhor colocação no mercado de trabalho. "Mas isso tem que ser relativizado porque o percentual de desempregados formados ainda é muito grande. Formação superior não representa garantia de colocação, mas a educação é um mecanismo decisivo no processo de inserção no mercado de trabalho", pondera.

No banco de mil currículos de onde saem os profissionais contratados pelas grandes empresas no Rio Grande do Sul, o potencial dos candidatos é mais valorizado que a especialização. "A opção é por profissionais recémformados, egressos da universidades nos últimos cinco anos. As empresas estão valorizando muito mais a capacidade de desenvolvimento do que a experiência já adquirida pelos candidatos", explica Denise Machado, da Apta Seleção de Pessoal, que recruta profissionais para a General Motors e o Citibank.

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