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MEC rejeita
90% dos pedidos para novos cursos superiores
Apenas 10%
das solicitações de abertura de novos cursos universitários são
aprovadas pelo Ministério da Educação. Entre as irregularidades
que provocam a rejeição da maioria das propostas, figura a falta
de estrutura mínima exigida pelo MEC, quadros de professores sem
a qualificação exigida e propostas pedagógicas que não atendem
ao currículo mínimo especificado na Lei de Diretri-zes Básicas
da Educação.
Nos últimos
três anos, o MEC rejeitou 4.610 de um total de 5.257 pedidos de
instalação de instituições de ensino em todo o país. Os 647 cursos
aprovados ofereceram cerca de 60 mil novas vagas em nível superior.
Só no ano passado, foram autorizados a funcionar 334 novos cursos
de um total de 760 solicitações encaminhadas à Secretaria de Educação
Superior (SESu) do ministério. Os novos cursos criaram juntos
32.674 novas vagas em 1998.
Há 973 instituições
de educação superior funcionando no país: 209 públicas e 764 privadas.
Eram, de acordo com a classificação usada pelo Inep, 153 universidades,
18 centros universitários, 75 faculdades integradas e 727 estabelecimentos
isolados. Todas essas instituições ofereciam 6.950 cursos de graduação.
O maior número de cursos (3.980) é oferecido nas instituições
particulares. As públicas federais oferecem 1.338 cursos, seguidas
das estaduais, com 1.125 e das municipais, com 507.
De acordo
com o diretor da Faculdades Porto-alegrenses de Educação e Ciências
(Fapa), Darci Zanfeliz, o processo de criação de novos cursos
por universidades e centros universitários segue os princípios
da autonomia universitária, ou seja, não precisa de autorização
do MEC. As faculdades isoladas devem detalhar informações sobre
o projeto pedagógico, a estrutura física e fornecer um dossiê
com a lista de professores para apreciação. "Em relação aos centros
universitários e às universidades, as faculdades têm um grau de
autonomia bem mais limitado no aspecto administrativo.
Em compensação,
a autonomia das faculdades no que se refere ao aspecto pedagógico
é bem mais ampla, sem a interferência do poder público", explica
Zanfeliz, que é professor de Filosofia da Educação e pósgraduado
em Administração Escolar e Pedagogia. A liberdade pedagógica,
filosófica e política é igual para todas as instituições desde
que observadas as exigências de currículo mínimo estabelecidas
pela legislação, pondera. Para o professor, os mecanismos de controle
do MEC estão "diluídos", especialmente após a extinção de várias
delegacias regionais do Ministério.
Os resultados
do quarto Exame Nacional de Cursos revelam que os cursos novos,
pelos critérios de avaliação do MEC, são mais qualificados. Aplicado
em 13 de junho, o provão avaliou 2.151 cursos de Administração,
Direito, Economia, engenharias Civil, Elétrica, Mecânica e Química,
Jornalismo, Letras, Matemática, Medicina Veterinária e Odontologia.
Participaram da avaliação 160.018 graduandos e graduados desses
cursos. A região Sul obteve o melhor desempenho relativo no exame.
Dos 452 cursos, 38,5% obtiveram conceitos Aou B, superiores às
médias al-cançadas nas regiões Sudeste (29,2%), Nordeste (28,6%),
Norte (22,6%) e Centro-Oeste (18,2%).
Na listagem
com os dez melhores desempenhos por curso, figuram os cursos de
Letras (1¼), Jornalismo (3¼), Engenharia Química (2¼), Engenharia
Elétrica (2¼) e Odontologia (9¼) da Ufrgs. Dos 13 cursos avaliados
na federal gaúcha, nove obtiveram conceito A. A Universidade Federal
de Santa Maria obteve o décimo lugar com o curso de Administração,
oitavo em Jornalismo e décimo em Odontologia. A Universidade de
Caxias do Sul (UCS) teve o curso de Administração do núcleo de
Nova Prata avaliado como o quinto melhor qualificado.
Os 48 cursos
com baixa avaliação nas três edições do provão serão supervisionados
neste ano por uma comissão de especialistas nomeados pela Secretaria
de educação superior e terão prazo de seis meses para solucionar
as deficiências apontadas nas avaliações do provão. Se não apresentarem
melhorias serão interditados pelo MEC. Entre os cursos com conceitos
D ou E no último provão estão 23 cursos de Medicina de instituições
do Rio Grande do Sul. Neste ano serão avaliados os cursos de Agronomia,
Biologia, Física, Psicologia e Química.
A Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que ao lado da UFMG e da Ufrgs
forma a elite das federais brasileiras, ajudou a desenvolver uma
tecnologia de extração de petróleo em águas profundas que se tornou
modelo para diversos países. A mesma universidade, porém, que
ajudou o país a economizar U$ 7 bilhões por ano, ficou dez meses
sem pagar a conta de luz, que já soma R$ 11 milhões. As federais
vêm acumulando dívidas a cada fim de ano, empurrando para o próximo
exercício contas que não conseguem pagar com os recursos repassados
pelo MEC. Segundo cálculos do Ministério, o rombo de 1997, R$
40 milhões, ainda não estava pago, mas as federais já calculavam
o déficit contraído no ano seguinte. Em 1998, o orçamento previsto
pelo MEC somaria R$ 359 milhões, mas só foram repassados R$ 329
milhões.
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