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Em
Santa Maria, a Sociedade Caritativa e Literária São Francisco
de Assis Zona Norte, mantenedora de oito instituições de educação
média na região, obteve a aprovação do Conselho Universitário
do MEC para fazer a fusão das faculdades Imaculada Conceição e
Nossa Senhora Medianeira e criar o Centro Universitário Franciscano.
O processo foi aprovado em outubro de 1998. No ano seguinte o
Centro já contabilizava 3.600 alunos matriculados em seis cursos.
No primeiro semestre deste ano, enquanto aguarda a autorização
para ascender à condição de universidade e adotar o nome de Unifran,
o Centro Universitário totaliza 20 cursos e 31 habilitações e
conta com um quadro de 168 professores altamente qualificados:
32,4% têm doutorado e 57,5% já ingressaram na instituição com
títulação de mestres e doutores. Isso porque parte do corpo docente
é formado por profissionais aposentados pela Universidade Federal
de Santa Maria (UFSM). Para se adequar à transformação, a instituição
está acelerando as obras de dois prédios de seis e três andares,
num total de 6 mil metros quadrados de área construída.
Para a reitora
da instituição, irmã Irani Rúpolo, os investimentos na qualificação
do ensino não perdem em nada para o incremento na infra-estrutura
da escola. "Investimos na informatização e em laboratórios, equipamos
todos os cursos com bibliotecas, além de manter nove mestrados
interinstitucionais com a Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (Ufrgs) para a qualificação permanente dos professores",
exemplifica. A reitora não revela os números, mas garante que
a instituição nunca esteve tão enxuta em função dos investimentos.
"Se operar com déficit, não se faz nada. Mas ter uma visão gerencial,
em que o lucro está em primeiro lugar, não é a melhor idéia para
o ensino", reage.
A
Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) oferece 26 cursos de
graduação, 23 de especialização, quatro mestrados e um curso de
doutorado, com 8.749 alunos matriculados nos campus de Santa Cruz
e Sobradinho, totalizando 33.307 e 1.055 metros quadrados de área
construída, respectivamente. Além da Cidade Universitária e do
Campus 8 em Caxias do Sul, a Universidade de Caxias do Sul (UCS)
praticamente domina a região da Serra com a implantação, em 1993,
dos campus em Bento Gonçalves e Vacaria e núcleos em Canela, Farroupilha,
Guaporé, Veranópolis e Nova Prata, atendendo 21.894 alunos.
Em São Leopoldo,
a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) está entre
as maiores privadas do Estado, com uma população de 28.645 alunos
matriculados no primeiro semestre deste ano. à sede antiga, localizada
no centro da cidade, com 16,6 mil metros quadrados de prédios,
a universidade somou em 1990 o campus, com 104 mil metros de área
construída. Em nove anos, a área física da instituição cresceu
para cerca de 150 mil metros quadrados. A Unisinos projeta para
o segundo semestre deste ano a inauguração da sua nova biblioteca,
uma das maiores da América Latina, com 37 mil metros quadrados.
O prédio terá sete pavimentos, cinco dos quais reservados aos
livros, com um acervo de 700 mil volumes, espaço de convivência
equipado com livraria, lancheria e bancos, em funcionamento permanente
no térreo, e sub-solo com estacionamento. Com um total de 55.676
alunos matriculados nos seus 43 cursos de graduação e dez programas
de pós-graduação, a universidade arrecadou no ano passado o total
de R$ 126 milhões e investiu R$ 24,8
milhões em obras. "Infra-estrutura e obras não devem ser dissociadas
do conceito de qualificação do ensino", pondera o responsável
pelo planejamento econômico-financeiro da Unisinos, Romeu Forneck.
Segundo ele,
os investimentos em construção civil na universidade correspondem
a 2,82% do orçamento. Forneck diz que, se forem considerados arbitrariamente
os investimentos em pós-graduação de professores e em pesquisa
como sendo os únicos que geram qualificação, eles corresponderão
a 17,31% do orçamento da universidade. "Para cada unidade monetária
investida em construção civil, a universidade investe 6,13 unidades
monetárias em qualificação do ensino", argumenta.
Apesar da
pujança - traduzida em obras e nos números fornecidos pelas próprias
instituições - , as melhorias na qualidade do ensino e os investimentos
na remuneração e qualificação dos trabalhadores está para a maioria
das universidades assim como os pés estão para o pavão. As mensalidades
são reajustadas em índices acima da inflação, mas o bolo não é
dividido com os professores. Os investimentos priorizam as obras
para ampliar o campo de atuação e captar mais alunos, mas o fomento
à pesquisa e as verbas para a qualificação docente não estão na
lista de prioridades. E quando estão, as parcelas são inexpressivas
se comparadas com o volume de verbas aplicado na ampliação da
estrutura física.
A URI, que
se orgulha de ter investido 2% do orçamento em capacitação docente,
dedicou no ano passado 13,24% da receita, ou R$ 5,3 milhões, para
as obras no campus. Um investimento generoso se comparado com
o valor de R$ 1,5 milhão disponíveis para a UFSM, que abrange
65% do estado e coordena um sistema de formação continuada junto
à rede pública de ensino fundamental e médio. Com mais de 50%
de alunos egressos da rede pública, a federal comemora a conclusão
de um prédio com 1.200 moradias estudantis e a classificação em
quarto lugar entre as universidades que conquistaram o maior número
de conceitos A e B na última avaliação do MEC. "Para fazer jus
ao nome, uma universidade deve se dedicar ao desenvolvimento e
à expansão do conhecimento e não à sua mera reprodução", opina
o reitor Paulo Jorge Sarkis, para quem as instituições públicas
permanecem como a melhor referência na produção do conhecimento.
"é das instituições públicas que saem os melhores cérebros", conclui.
O coordenador nacional da Federação dos Estudantes de Agronomia
do Brasil (Feab), Adriano Scariot, estudante do nono semestre
de agronomia na UFSM, acredita que o ensino público vem sofrendo
um ataque sem precedentes. "A privatização já está batendo na
porta das instituições públicas", sintetiza, referindo-se à cobrança
de taxas de matrículas e de inscrição no vestibular e à privatização
de alguns serviços como o xerox nas universidades públicas.
Na contramão
da tendência de investimentos crescentes entre as instituições
privadas, a Fapa (Faculdades Porto-alegrenses de Educação, Ciências
e Letras), por exemplo, demorou 16 anos para construir um novo
prédio para o curso de Letras. "A expansão é importante para qualquer
instituição de ensino. O que não se pode aceitar é que os investimentos
se esgotem na estrutura física", pondera o diretor da Fapa, Darci
Zanfeliz.
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