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Uma história de mil anos

Universidades que não param de crescer

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Corporativismo e religião sempre estiveram associados ao ensino universitário. A definição é do professor José Jacinto da Fonseca Lara, mestre em História da Educação e professor da Unisinos. "Após a queda do império romano do ocidente e da ascensão dos bárbaros, os povos europeus ocidentais perderam o contato com os centros de cultura e as fontes de conhecimento da antigüidade. Os documentos que sobreviveram à Idade Média ficaram confinados em mosteiros e durante séculos a educação formal esteve associada à religião", sintetiza.

No início do século 11, com a tradução de documentos do árabe para o latim e o acesso ao conhecimento fora do âmbito das igrejas, surgem as primeiras universidades, ou universitas, termo em latim que designa corporação. A primeira universidade foi fundada em Bolonha, no sul da Itália, em 1088, a partir da organização de estudantes de Direito - que, além de administrar a instituição com eleições diretas para reitor, se encarregavam de contratar professores. A instituição é a única ainda em funcionamento entre as universidades que surgiram no auge das organizações em forma de corporações que caracterizaram o final da Idade Média, acrescenta Lara. "Bolonha foi reconhecida oficialmente como a primeira instituição de educação superior da história, como está registrado na Carta Magna das Universidades Européias", informa. Fundada por professores e alunos, a Uni-versidade de Paris surgiu em 1125 com cursos de Teologia e Filosofia.

As universidades de Salerno (Itália) e Montpellier (França), com cursos de Medicina, também figuram entre as pioneiras. Segundo Lara, as funções das universidades eram a conservação, a reforma e a transmissão do conhecimento, que podem ser comparadas aos atuais campos do ensino, pesquisa e extensão.

Para Paulo Ivo de Bittencourt Júnior, doutor em Fisiologia pela USP (Universidade de São Pau-lo) e professor da Ufrgs (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), as universidades estão se distanciando cada vez mais das suas prerrogativas e, por isso, entraram num processo de defasagem. "Até os anos 60, as universidades se contentavam em formar técnicos e isso era suficiente.

Hoje o mercado está aberto a profissionais com múltiplas habilidades, que encontram qualificação em cursos técnicos fora das universidades. A universidade privada precisa se estruturar, com melhor qualificação, melhores condições de trabalho e salários, para se reenquadrar nessa realidade. Mas a sociedade precisa perceber que isso é importante para que a qualidade do ensino universitário melhore. Defendo a autonomia da universidade privada sem que isso implique destruir a universidade pública com o seu caráter de desenvolver a pesquisa, ainda que tenha de deixar de ser gratuita".

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