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Uma paisagem
muito diferente
A educação
superior no estado cresceu tanto nos últimos anos que mudou
a paisagem das universidades do Rio Grande do Sul. Antes restrita
às quatro unidades de ensino federal, a oferta de vagas
se alastrou e mudou de cara: prédios suntuosos passaram
a abrigar reitorias, prédios inteiros foram dedicados ao
consumo e à convivência dos milhares de estudantes
que passaram a freqüentar as salas de uma universidade. O
mais importante: o resultado financeiro passou a ser milionário.
Nada contra
o lucro. Mas a atividade de algumas instituições
de educação superior do estado estão longe
dos nobres objetivos de pesquisa, extensão e formação
que deveriam nortear o trabalho de uma unidade de ensino. Os investimentos
na construção de prédios, geralmente luxuosos
e soberbos, ultrapassam em muito os recursos aplicados na formação
de professores e no reequipamento de laboratórios.
Não
é regra, claro, mas as exceções estão
se multiplicando. O repórter Gilson Camargo foi a campo
atrás dessas histórias de sucesso fulminante e descobriu
que por trás das boas intenções se esconde,
muitas vezes, um interesse meramente comercial. Como pode uma
universidade manter a qualidade de sua educação
se o número de matrículas triplica em menos de dez
anos? Para aonde vão tantos profissionais formados? Qual
a situação das universidades públicas em
termos de investimento e capacitação docente?
Essas e outras
perguntas são respondidas nas páginas centrais desta
edição do Extra Classe, que traz também uma
entrevista inédita com a musa do rock nacional, Rita Lee,
e uma matéria que discute a profundidade dos debates sobre
os 500 anos do Brasil. Afinal, perdemos a chance de descobrir
um pouco mais sobre nosso passado em troca de uma festa ufanista
e - também - com interesses econômicos.
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Esta é
a última edição do Extra Classe no formato
que os leitores se acostumaram a ler desde 1996, quando lançamos
o jornal. A partir do mês que vem, estaremos de cara nova.
A mudança vem sendo pensada desde o final do ano passado
e serve para agilizar nossas edições, dar a elas
um caráter mais atual. Um jornal tem de estar em constante
mudança, assim como o mundo que ele procura retratar.
Não
são, porém, mudanças que afetam o conteúdo
editorial - e principalmente a filosofia de trabalho - desta publicação.
Continuaremos perseguindo o outro (ou outros) lado da notícia,
procurando dar a nossos leitores uma alternativa diferente de
interpretação. Se pudermos fazer isso de forma mais
bonita, tanto melhor.
Além
da necessidade de melhorar a imagem gráfica do jornal,
as mudanças seguem uma tendência de profissionalização.
Ou seja, estaremos - com um novo projeto gráfico - aptos
a disputar o espaço comercial que garantirá nossa
presença no cenário jornalístico do Rio Grande
do Sul. Por isso as alterações foram, durante tanto
tempo, amadurecidas e pensadas pela equipe que faz este jornal.
O
Editor
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