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Livros
enfatizam lado pitoresco das comemorações
Ao analisar
o vácuo intelectual percebido no marco dos 500 anos, o historiador
Luis Roberto Lopes identifica culpas, mas também livra a cara
do Brasil. Para ele, a comemoração é coerente com o momento his-tórico.
"São os 500 anos da globalização neoliberal, da alienação", define.
é nesse aspecto que ele justifica o carnaval brasileiro em torno
do tema. "O fenômeno não é local. Paulo Coelho é festejado na
França e na Itália", compara, lamentando "a perda geral da capacidade
de luta, substituída pelo hedonismo, pela fuga e pelo desinteresse".
Dentro desse
contexto, Lopes não se surpreende com a opção das editoras por
fazer da história um instrumento de marketing, privilegiando livros
que enfatizam o lado pitoresco do
Descobrimento
e que viajam pelos cinco séculos como se fossem um período de
recreio, e não uma fonte de análise. Sem negar valor lúdico às
obras, o historiador alerta, no entanto, para um risco: que elas
venham a se tornar bibliografia nas escolas.
Na opinião
de Lopes, a narrativa ideal dos 500 anos teria que evitar os extremos,
seja do triunfalismo - por ser uma história de muitos derrotados
- ou do descaso por um Brasil "cinco vezes centenário". A contribuição
do professor da Ufrgs foi dada no ano passado, quando lançou o
livro "Aventura do Descobrimento". Se mais não foi feito, acredita
ele, não são pelas razões apontadas por Walter Galvani.
Segundo Lopes,
há documentos e há história no Brasil, produzida e recontada ao
longo de três décadas profícuas, a partir dos anos 50. E há também
dinheiro para pesquisa, garante. Nesse último ponto, o professor
culpa a própria academia, "administrada como um clube fechado,
aos moldes maçônicos". Ao produzir para ela mesma e não para o
grande público, continua Lopes, a academia deixou de cumprir seu
papel fundamental: provocar uma avalanche de divulgação de história
e de consciência.
Quanto à revisão
histórica feita nas décadas passadas, ele identifica um processo
de des-montagem do conhecimento, deflagrado nos anos 90. E cita
três tentativas de implosão significativas: a transformação da
luta política de Luis Carlos Prestes em banditismo sertanejo,
a trivialização dos 300 anos de Zumbi, ao deslocar o debates para
a homossexualidade, e o reenquadramento de Antônio Conselheiro
na categoria dos fanáticos. "Todas são tentativas de enfraquecimento
da resistência e dos resistentes", sintetiza.
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