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Festa na
Bahia vai até 2001
O ponto alto
das comemorações dos 500 anos tem data e local: dia 22 de abril
- evidentemente -, na Costa do Descobrimento, como foi batizado
o litoral sul da Bahia, de Porto Seguro a Cabrália, onde foi rezada
a primeira missa, cuja reedição, com 500 celebrantes de língua
portuguesa, está marcada para o dia 26. Os festejos do dia 22
começam com parada naval e a chegada da regata histórica, vinda
de Lisboa a Porto Seguro, cidade em que será inaugurado um centro
de convenções. Em Cabrália estará sendo inaugurado o Museu Aberto
do Descobrimento, que reúne um terminal turístico, um museu indígena,
um centro de artesanato pataxó e o Monumento da Cruz.
Uma festa
de luzes e regatas completa o dia. O calendário de eventos, no
entanto, é mais longo. O Comitê Executivo das Comemorações dos
500 Anos do Descobrimento do Brasil, presidido pelo ministro
de Esporte e Turismo, Rafael Greca, preparou atividades para dois
anos - de 22 de abril de 1999 a 22 de abril de 2001. Atividades
esportivas, teatro, música, dança, exposições e participações
em feiras e eventos no exterior fazem parte da programação, assim
como a restauração e construção de marcos históricos dos 500 anos,
como a torre da Igreja de São Miguel das Missões.
No Rio Grande
do Sul, são outros 500, garante a Secretaria de Estado
da Cultura. Como parte da Federação, o estado não
deixou de se integrar aos festejos, embora sob uma ótica
dissidente. A tônica do que seria a comemoração
foi revelada já na data de lançamento do projeto
"Aqui são outros 500": 20 de novembro do ano
passado, Dia da Consciência Negra. Pautado em cima das atividades
elaboradas pelo movimento popular, o projeto centrará foco
nos índios, negros e mulheres. Aliás, as comemorações
no estado não se referem aos 500 anos de Brasil e sim aos
cinco séculos da presença portuguesa. Adiferença
parte do princípio de que a terra já era habitada.
Logo, tem mais de 500 anos.
A palavra
de ordem nas comemorações gaúchas é "reflexão". O ponto alto será
o seminário "Dialogando sobre os outros 500", que terá o ex-candidato
à presidência do Uruguai pela Frente Ampla, Tabaré Vasques. O
evento acontece entre os dias 18 e 20 de abril, debatendo temas
como o poder no mundo globalizado, o impacto da globalização na
América Latina e o neoliberalismo. Segundo Silvana Santos de Moura,
integrante da direção-geral da secretaria, o objetivo é discutir
a história e apontar o futuro. "Não adianta apenas chorar sobre
o leite derramado. Precisamos criar em cima desse passado", argumenta.
O projeto
inclui todos os eventos relativos à comemoração dos 125 anos de
imigração italiana e já garantiu pelo menos um resgate: o "sopapo",
instrumento típico da cultura afro no Rio Grande do Sul, em processo
de extinção. Foram confeccionados 40 instrumentos e formada a
Orquestra de Sopapos, em Pelotas.
No encerramento,
em 20 de novembro próximo, será erguido o monumento a Sepé Tiaraju,
confeccionado pelo artista plástico Xico Stockinger. Padroeiro
do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, Sepé simboliza a luta
passada e a luta atual.
O único ponto
em comum entre os projetos estadual e federal é a representação
da ópera O Guarani, de Carlos Gomes. Mas até nela haverá diferença:
a montagem gaúcha é uma livre adaptação de artistas amadores do
interior do estado. Peri, por exemplo, será representado por um
agricultor de Não-Me-Toque.
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