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Jimi Joe
Visitando
o Sr. Autran
Paulo
Autran passou pelo Rio Grande do Sul em março numa memorável
temporada da peça Visitando o Sr. Green, texto do norte-americano
Jeff Baron com direção de Elias Andreatto. Dividindo
o palco com Cassio Scapin, Autran trouxe Sr. Green para uma temporada
de um final de semana em Porto Alegre, no Theatro São Pedro.
A peça acabou ficando três finais de semana em cartaz
com lotação esgotada e cumpriu diversas datas no
interior em cidades como Pelotas e Santa Maria. Em Porto Alegre,
Autran, o autêntico Sr. Teatro, concedeu alguns minutos
de atenção ao Extra Classe um pouco antes de entrar
em cena para interpretar mais uma vez o texto do autor nova-iorquino.
Conseguimos captar algumas impressões do ator:
A escolha dos autores: Tenho montado várias coisas
de autores brasileiros. Quando escolho um peça não
me preocupo com a nacionalidade do seu autor. Se a peça
é boa, eu levo independentemente do autor ser brasileiro,
francês ou americano. Antes de Sr. Green fiz peças
de Mauro Rasi e Maria Adelaide Amaral, dois autores contemporâneos
brasileiros.
A relação TV/teatro: Acho que continua a mesma
coisa (em relação aos anos 60). Os melhores atores
de televisão, todos eles são de teatro, todos. Com
exceção daquela menina, Glória... Glória
Pires, essa nunca fez teatro e é uma boa atriz de televisão.
Os outros todos fazem teatro, fizeram escola de teatro. Então
a maioria é de teatro, os bons são de teatro.
O teatro hoje: Cada vez que você faz um bom espetáculo,
em geral o público acorre. Outra coisa: quando eu comecei
a fazer teatro, uma peça de sucesso ficava no máximo
dois meses em cartaz. Atualmente fica 14, 15 anos como é
o caso de Trair e Coçar É Só Começar
ou Mistério de Irma Vap. O meu Quadrante estou fazendo
há 12 anos e continuo fazendo entre uma peça e outra.
O público continua aumentando cada vez mais.
Teatro e repressão: A censura é uma coisa
terrível. Quando eu fazia Brasil & Companhia, me telefonou
a bilheteira do teatro dizendo que a Polícia Federal havia
fechado a bilheteria. Eu fui à Censura e a chefe da Censura
estava com o texto na mão procurando algo desesperadamente
e riscou um poema de Ferreira Gullar que tinha um verso assim:
Êta Brasil velho de guerra!. Eu disse: você
riscou isso por quê? Ela respondeu: Não
sei, não sei... Velho de guerra... Talvez eles achem que
isso é ofensivo para o Brasil. Era um verdadeiro
absurdo. Acho que censura, enquanto tivermos um governo democrático,
não vai voltar.
As salas de espetáculo: Nós temos alguns teatros
bons. Este aqui, o São Pedro, é maravilhoso. Estive
em Santa Maria e o Teatro 13 de Maio também é muito
bem cuidado. O teatro da Bahia, o Teatro Castro Alves, está
muito bem tratado. Agora, em geral, os teatros oficiais, o governo
restaura, gasta uma fortuna e depois não dá um tostão
pra trocar uma lâmpada. Então a partir da inauguração,
o teatro começa a decair e ninguém faz nada.
A relação com Gerald Thomas: O Gerald me convida
sempre para trabalhar com ele. Quando fiz Tartufo, em 1985, ele
me viu e disse que queria trabalhar comigo. Desde então,
cada vez que ele me vê, diz: Vamos fazer uma peça
juntos. Agora ele tornou a me convidar em São Paulo.
Só que me convidou para fazer Édipo Rei. Daí
eu perguntei: Mas Gerald, quem vai fazer minha mãe?
A Henriqueta Brieba já morreu há muito tempo.
Daí ele diz: Não, não precisa. Teatro
é convenção, aquelas idéias
dele. É um grande diretor.
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