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O MH
Luis
Fernando Verissimo
Sempre
é bom ouvir o Marciano Hipotético. O homenzinho
que desce de uma nave espacial, bate na sua porta, pede para usar
o banheiro ou ser levado ao seu líder, e vocês acabam
ficando amigos e conversando. O MH conhece a Terra, literalmente,
por alto. É bem informado a nosso respeito, só não
sabe os detalhes. Preparou-se para sua visita captando as nossas
ondas de TV, para aprender os idiomas, e coincidiu que aprendeu
português ouvindo uma novela da Globo. Portanto, fala com
sotaque baiano.
O melhor de
conversar com o Marciano Hipotético é que, desconhecendo
os nossos detalhes, ele tem uma visão geral das coisas
da Terra e muitas vezes as interpreta ou questiona com o bom senso
que nós perdemos. Depois de sobrevoar a Argentina, por
exemplo, o MH não consegue entender como um país
com aquela geografia, e tão pouca gente, consegue estar
em crise econômica e social. Quando ouve que a Argentina
não apenas está em crise, como vive em crise há
anos, o MH arregala os quatro olhos e sacode a cabeça,
incrédulo. A Argentina não faz sentido algum para
o MH.
O MH sabe
que brasileiro é dado a piadas e comenta que só
pode ser piada o que ouviu: que um dos problemas do Brasil é
a falta de terra. Tanto que rá, rá
existiriam milhares de agricultores atrás de terra para
cultivar, no Brasil, vivendo na miséria porque não
há terra para eles. O MH fica com as antenas em pé,
antecipando o fim, que certamente lhe contaremos, da piada, tão
tipicamente brasileira. Quando descobre que não é
piada, é a nossa incrível realidade, o MH cai em
prostração. Que só aumenta quando ele ouve
que, ao contrário do que pensava, o futebol profissional
não é o negócio mais rentável do país.
É mesmo um negócio primitivo, dominado por amadores,
que só dá dinheiro para bandidos.
Ó,
gente, que planeta, observa o MH.
Finalmente
o MH pede para ser levado ao seu líder, o que lhe cria
novo embaraço. Quem pode falar com o MH em nome do mundo?
O Papa? Obviamente não o Bush! E no Brasil? Quem é
que manda no Brasil, afinal? É o que o Éfe Agá
também se pergunta. Você acaba sugerindo que o MH
esqueça esse negócio de líder e se oferecendo
para levá-lo à Patrícia Pillar, para desfazer
a má impressão.
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