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As
imagens e os textos vorazes de Manguel
César
Fraga
| René
Cabrales |
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O
escritor argentino é ensaísta e
autor de obras de ficção
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erta
vez, um grão-vizir da Pércia carregava sua biblioteca
enquanto viajava, acomodando-a em quatrocentos camelos treinados
para andar em ordem alfabética. Em outra ocasião,
houve uma lista de preços das prostitutas de Veneza, que
anunciava uma profissional autodenominada amante da poesia, pois
carregava para os programas, obras de Virgílio, Homero
e Petrarca.Estes são apenas alguns recortes de A História
da Leitura (Cia das Letras 404 páginas), que argentino
Alberto Manguel publicou em 1996, e que continua sendo fundamental.
O autor faz um relato apaixonado e não acadêmico
da trajetória desse hábito, a leitura, que é
tão caro para alguns e raro para outros. O autor utiliza-se
do filtro de quem também é leitor, e, conforme se
sabe, voraz. Tudo pesquisado e com referências bibliográficas.
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Durante a
sua estada em Passo Fundo, por ocasião da 9ª Jornada
de Literatura, o escritor disse ao Extra Classe que não
era muito afeito à leitura na tela do computador. Por
que usar a tela para ler, se é um trabalho que implica
em lentidão e profundidade?. Para ele, a tecnologia
deve ser usada para se expressar. Dá o exemplo da Internet,
que apresenta problemas de relações sociais graves
entre crianças, por ser uma tecnologia muito solitária.
É justamente sob essa visão, de lentidão
e profundidade que Manguel discorre sobre o universo da leitura
com leveza e precisão, não raras as vezes, de forma
divertida, sem nunca perder a seriedade. Mas como uma coisa leva
a outra, um livro também leva a outro. Mais recente, de
2000, Lendo Imagens (Cia das Letras, 354 páginas) do mesmo
autor, também recorta a história, mas desta vez,
não para ler palavras, mas para transformar imagens em
textos e comentários.
Manguel escreve: Se todo retrato é um espelho, um espelho
aberto, então nós, os espectadores, somos por nossa
vez um espelho para o retrato, emprestando-lhe sensibilidade e
sentido. Ele compara a nós, com o soldado que vê
sua face moribunda refletida no escudo. Mas sua própria
face, na sua humanidade, reflete o nascimento, o crescimento e
a morte do mundo em uma metáfora perfeita da realidade.
Vivemos em um mundo de imagens e é preciso decifrá-las,
caso contrário, a esfinge nos devora.
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