
A Aids responde
presente
Mais devastador do que a própria Aids tem sido um poderoso coquetel que combina a um
só tempo ignorância, preconceito e indiferença. Embora há muito a moléstia tenha
deixado de ser uma condenação reservada aos drogados e homossexuais, como muitos
chegaram ao ponto de insinuar, existe ainda quem pense estar completamente imune ou
distante desta miséria. Isso acaba criando condições que favorecem ainda mais a
proliferação do vírus, apesar das revelações científicas já nem tão recentes, que
dão conta das formas exatas de contágio - entre as quais, as principais são as
relações sexuais e o contato com o sangue contaminado. No entanto, é preciso que todos
saibam que a Aids não é um problema dos aidéticos ou portadores. É um problema social
que diz respeito a todos e a cada um individualmente. Senão por solidariedade, pelo menos
porque todos estão expostos aos riscos e apresentam algum grau de vulnerabilidade. Por
isso mesmo é impressionante que espaços de convivência social como a escola não levem
em conta a necessidade de prevenção e esclarecimento sobre a doença que, inclusive,
evitaria, outras moléstias contagiosas. As medidas adotadas pelas escolas sucederam a
casos concretos e, assim como as campanhas oficiais, ainda não alcançaram uma
adequação capaz de fazer frente à epidemia. Mas a Aids está na lista de chamada. Para
preservar da segregação, alguns dos pais, responsáveis, professores, crianças e
adolescentes citados nesta reportagem são designados por nomes fictícios ou pelas
iniciais do nome.
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