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A ideologia
do neoliberalismo
Luiz
Carlos Barbosa
O historiador
inglês Perry Anderson é um daqueles intelectuais comprometidos
com a superação da ignorância para desnudar a má fé dos discursos
ideologizados. A obra mais recente do ex-editor da Revista Nova
Esquerda, lançada no Brasil pela Jorge Zahar, mais uma vez confirma
essa militância, abordando um tema contemporâneo essencial para
decompor a fanfarronice triunfalista dos neoliberais. “As origens
da pós-modernidade” é um verdadeiro inventário dos conceitos
atribuídos a este que foi um dos termos prediletos da mídia brasileira
dos anos 80. É uma leitura obrigatória para quem deseja entender
por que hoje a direita no país tenta privatizar também a palavra
modernidade, reduzindo-a a banalidades que, via de regra, enaltecem
o livre mercado e condenam direitos sociais elementares. Guiado
pela avaliação crítica da obra do pesquisador pioneiro no estudo
da pós-modernidade, Fredric Jameson, Anderson analisa as nuanças
conceituais e examina a parafernália ideológica que notabilizou
propagandistas do fim da história, como o americano Francis Fukuyama.
BRUMAS
DE NOSTALGIA
José
Pedro Mattos Conceição prende o leitor com suas “Brumas de Xangri-lá”,
uma reunião de crônicas bem-humoradas. Ele resgata episódios e
modos de vida dos anos 60 e 70, com um sentido crítico de quem
faz uma avaliação envolvido por uma bruma de nostalgia. Mas sem
remorsos da juventude que viveu. O advogado e professor de Direito
na PUCRS, que estréia com esta edição da Tchê!, reaviva uma ponta
de orgulho na geração que combateu a ditadura mas não deixou de
namorar, dançar e beber muito “samba”, quando a grana estava
curta para a cuba-libre.
MALUQUINHO
E O MILÊNIO
O cativante “Menino Maluquinho” especula sobre a chegada do novo
milênio com a consciência de que “Outro como eu só daqui a mil
anos”. Esta é a mais nova obra do enternecedor Ziraldo lançada
pela Melhoramentos e que dispensa comentários, embora dê para
antecipar o óbvio: o protagonista que virou personagem de cinema
e teatro anda meio contrariado com a contagem do tempo e lança
conjeturas desconcertantes, mas todas elas encharcadas das duas
qualidades que o narrador profetiza para as crianças do próximo
milênio, curiosidade e ternura. Depois de ganhar um CD-Rom interativo,
ao completar 30 anos, o clássico “Flicts”, também da Melhoramentos,
chega à 38ª edição - com 180 mil exemplares vendidos - e simultaneamente
a uma versão em esperanto, com tradução de Cristóvão Resende.
Como diria Ziraldo, para que todos saibam, como confirmou o astronauta,
igualmente há 30 anos, que a cor da lua é Flicts.
GUERRA
ERRADA
Na edição passada encontrou-se um erro na resenha sobre “O homem
que inventou a ditadura no Brasil”, de Décio Freitas. Por uma
associação desatenta, foi mencionada a guerra civil espanhola.
O certo é que a obra “Gringo viejo, de Carlos Fuentes, foi inspirada
na guerra civil mexicana, de 1910.
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