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Casa,
comida e emprego
Milhares
de manifestantes da Marcha dos Sem pedem o empeachment do presidente
Fernando Henrique e criticam papel da imprensa
Da
Redação
A
Marcha dos Sem, ocorrida no dia 23 de julho, vai ficar na história.
Não tanto pelo número de pessoas (10 mil, segundo os organizadores;
3 mil, segundo a Brigada Militar) ou pelas palavras de ordem pedindo
a cabeça do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas pela polêmica
que causou. A manifestação organizada por entidades de classe
e coordenada pela CUT/RS levou operários, professores, estudantes,
agricultores, funcionários públicos e desempregados de diversos
pontos do estado a se reunirem em Porto Alegre para protestar
contra a política econômica do Governo FHC e FMI, apoio ao orçamento
participativo, por mais empregos e melhores salários. Também foi
cobrado pelos manifestantes, mais empenho do governo federal na
criação de novas políticas educacional, agrícola e fiscal. A Marcha
dos Sem, segundo o presidente da CUT/RS Francisco Vicente, funcionou
como uma espécie de preparação para a Marcha dos Cem Mil, que
levará a Brasília no próximo dia 26 de agosto uma carta com mais
de um milhão de assinaturas pedindo a apuração dos crimes de responsabilidade
de Fernando Henrique Cardoso durante a privatização da Telebrás.
“Foi
a maior ação de massas do Rio Grande do Sul. Durante a marcha
se percebia que as pessoas estavam com disposição de luta pelos
seus direitos”, diz o presidente estadual da CUT. Segundo Vicente,
a primeira vitória foi os manifestantes terem sido recebidos
pelo governador, fato inédito na história da marcha que ocorre
há quatro anos. “O primeiro resultado concreto foi o compromisso
do Executivo em avaliar uma proposta salarial para o funcionalismo
público estadual”, relata.
Em
um dos momentos da marcha, quando passava em frente ao Jornal
Zero Hora, na Avenida Ipiranga, manifestantes colaram centenas
de adesivos nas fachadas do prédio acusando a empresa de ser mentirosa
em sua cobertura jornalística. Alguns integrantes da caminhada
chegaram a ensaiar uma
invasão ao prédio. A maioria, no entanto, se contentou com palavras
de ordem. A reação do jornal foi dura: em nota, acusou esses
manifestantes de fascistas e garantiu que, apesar da pressão,
“preservará sua independência e o equilíbrio na cobertura dos
fatos”.
O
episódio acabou, de certa forma, ofuscando os objetivos iniciais
da Marcha dos Sem. Mesmo assim, o presidente da CUT considerou
“legítima” a atitude dos participantes e as caracterizou como
exercício da liberdade de expressão. Segundo ele, os manifestantes
enxergaram na RBS uma representação da mentira. “Fascista é
a atitude de repetir uma mentira tantas vezes que isso passe
a parecer verdade. É isso que Zero Hora faz, e esta prática
foi apregoada por Goebels (chefe do serviço de comunicação do
nazismo) a serviço de Hitler. Será que somos nós os fascistas?”
pergunta o líder sindical.
Apesar
disso, o ato protagonizado por esses manifestantes recebeu uma
condenação praticamente unânime em vários setores. “Somos defensores
intransigentes da liberdade de imprensa”, disse em nota o presidente
do Sindicato dos Jornalistas, Celso Schröder. “Uma imprensa
livre é condição fundamental para que as sociedades resolvam
seus conflitos”, acrescentou o presidente da Associação Riograndense
de Imprensa, Alberto André.
Argumentando,
Vicente ainda lembrou da manifestação ocorrida em frente ao Palácio
Piratini, no início do governo, quando o governador Olívio Dutra
foi atingido por ovos partidos da multidão. Segundo ele, o jornal
não mostrou a mesma indignação diante desse episódio. “A matéria
foi quase elogiosa aos manifestantes. Se nós somos fascistas,
eles também foram. Se a prerrogativa de liberdade de expressão
vale para um, também deve valer para outro”, argumenta Francisco.
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Cultura
Circo
da Cultura está Pronto
Começa
no próximo dia 17 de agosto o que vários escritores brasileiros
consideram ser o maior evento literário da América Latina,
a 8ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo. Compartilham
desta posição, entre outros, Carlos Heitor Cony, Moacyr
Scliar e Ziraldo. Todos eles declararam-se impressionados,
durante a edição de 1997, com o porte do evento com o nível
dos debates.
Do
dia 17 até o dia 20 de agosto serão discutidos vários assuntos
ligados ao tema “Censura e exclusão na literatura e em outras
linguagens”. Para isso a UPF e a prefeitura de Passo Fundo
(promotores do evento) montarão o tradicional Circo da Cultura,
no estádio Inde-pendente. Na edição de 1997, cerca de 3
mil pessoas por dia participaram dos debates. A mesa contará
com vários convidados, entre eles os escritores Manoel de
Barros, Elisa Lucinda, Gilberto Dimenstein, Domingos Meireles,
Roberto Drumond, Sérgio Caparelli, Zuenir Ventura e Luis
Fernando Verissimo. Entre os eventos paralelos estão previstas
oficinas, cursos, sessões de autógrafos e lançamentos de
livros.
O
Sinpro/RS é, pela segunda vez, um dos apoiadores da jornada.
Estará presente com duas mostras fotográficas e editando
um Extra Classe Especial, durante os quatro dias do evento.
As incrições para a Jornada de Literatura já estão encerradas.
Cerca de 4 mil pes-soas vão participar da Jornada.
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