|

Fórum
Mundial de Educação será propositivo
Educação
e Transformação. Esse será o tema do Fórum
Mundial de Educação (FME) 2003, que acontece de 19
a 22 de janeiro, em Porto Alegre. Depois de se debruçar sobre
o tema da Educação e Globalização, proposto
em 2001, o FME dirige-se neste ano para uma tendência mais
propositiva. O tema do primeiro Fórum que trouxe muitos
diagnósticos, agora, sob o argumento da Educação
e Transformação, tende a ser mais propositivo, no
sentido de indicar caminhos em defesa da educação
pública e de qualidade, declara o Coordenador Geral
do evento e Secretário Municipal da Educação
de Porto Alegre, Eliezer Pacheco. O tema da segunda edição
do Fórum se desdobrará em três conferências,
nove debates temáticos, sete especiais e 38 da programação
simultânea (confira quadro).
Ana
Esteves
ara
Moacir Gadotti, diretor do Instituto Paulo Freire (IPF), uma das
entidades que integram o Comitê de Organização
do Fórum, ele tem importância muito grande em nível
organizativo. Através dele, a luta dos educadores
perpassa as trincheiras da escola pública, da educação
popular, do sindicato, das igrejas, dos partidos, dos movimentos
sociais populares, para que os educadores fortaleçam a
unidade e o empoderamento das lutas. Gadotti, que também
é o professor titular da Universidade de São Paulo
(USP), considera que o Fórum tem caráter reflexivo,
com o aprofundamento da teoria. Ele trabalha com a noção
de que a educação é maior do que os educadores,
pois congrega pessoas: não só docentes, mas pais,
crianças, jovens, a comunidade escolar como um todo.
Citando o tema deste ano, Gadotti afirma que a transformação
não se dá só pela ação, mas
pela ação atrelada à teoria transformadora:
Não há prática sem teoria transformadora,
com a perspectiva da utopia, da esperança, que é
o que joga a gente para o que não foi feito ainda,
concluiu.
Ao estabelecer uma comparação entre o Fórum
2001 e o 2003, Eliezer Pacheco aponta um significativo crescimento:
Em 2001 participaram 15 mil pessoas, educadores oriundos
de 60 países. Neste ano, já temos cinco mil inscritos
e esperamos receber cerca de 20 mil pessoas. Já temos a
confirmação de 156 participantes de 32 países,
declara. Em relação às especulações
sobre o apoio, ou não, do governador eleito Germano Rigotto
às edições futuras do FME, Pacheco foi categórico:
Não temos perspectiva de como será com a próxima
gestão, mas, se o apoio vier será bem vindo, afinal
trata-se de um encontro plural e não de esquerda.
Em contrapartida, ele acredita que o Fórum 2003 tem grande
identidade com a linha de governo do presidente eleito Luís
Inácio Lula da Silva, podendo inclusive trazer boas
contribuições ao governo Lula, expõe.
A diretora do Sinpro/RS, Cecília Bujes, destaca a relevância
do Fórum com a sua grande amplitude de tendências
dentro da educação. Ela lembra que o Sinpro/RS,
uma das instituições que formam o Comitê de
Organização do FME, trabalhou bastante para que
o Fórum Mundial de Educação acontecesse imediatamente
antes do Fórum Social Mundial, que se realizará
de 23 a 28 de janeiro em Porto Alegre. Para facilitar a
participação das pessoas em ambos os eventos.
Ela diz ainda que o Sindicato disponibiliza no seu portal (www.sinpro-rs.org.br)
informações e a programação completa
do Fórum de Educação. Além disso
estamos orientando os professores sócios sobre como fazer
as inscrições, completa Cecília.
O Fórum acontecerá em dos pólos centrais:
no Ginásio Gigantinho, no bairro Menino Deus (Av. Padre
Cacique, 1800) e nos armazéns do Cais do Porto, na Av.
Mauá, no Centro de Porto Alegre.
Esquecer-se
da educação pública como um direito,
um pacto coletivo, um princípio do bem-estar
e uma base para o crescimento das sociedades, não
fará outra coisa que transformar a educação
em uma mercadoria.
Marina Subirats, doutora em Filosofia pela universidade
de Barcelona e presidente da Comissão de Educação
e Cultura na Prefeitura de Barcelona
A Educação como Direito Humano
Básico tem sido suplantada pela violência
econômica e cultural e hoje percebemos, com preocupação,
que os modelos da sociedade encontram-se em um processo
de desintegração e reconstrução
contínua frente à norma redutora da ocidentalização
compulsiva que, forçosamente, se quer impor aos
povos.
Ronald Lárez, doutor em Ciências Econômicas
e Empresariais pela Universidade Autônoma de Barcelona
e presidente internacional da Associação
de Educadores da América Latina e Caribe (AELAC)
A única forma de universalizar a educação
pública é através de políticas
de Estado.
Roberto Leher, professor da Universidade Federal
do Rio de Janeiro, ex- presidente do Sindicato Nacional
dos Docentes e Instituição de Ensino Superior
(ANDES- Sindicato)
Em muitos países, e sob a pressão
dos planos de ajuste estrutural do FMI e do Banco Mundial,
o Estado se desobriga das tarefas educativas.
Régine Tassi, membro do Instituto de Pesquisas
Históricas, Econômicas, Sociais e Culturais
(IRHESC), da Federação Sindical Unitária
(FSU), em Paris
Uma das principais finalidades e razões
de ser da educação é seu rol preventivo.
A prevenção assumida em todas as suas
significações, como a prevenção
da violência, da discriminação,
da destruição e dos desastres ambientais
, da pobreza, das drogas, da desigualdade social, da
corrupção.
Ramón Moncada Cardona, diretor do programa
Corporación Región Medellín, Colombia
A educação deve ser tratada como
um direito, um bem público.
Rick Clugston, diretor executivo do Centro para
o Respeito pela Vida e pelo Ambiente, colunista e editor
da Ética da Terra e editor do Jornal Internacional
de Sustentabilidade na Educação Superior
(MCB University Publications)
A educação é a chave do
motor do desenvolvimento humano, na sua dimensão
individual, coletiva e ecológica.
Agostinho dos Reis Monteiro, doutor pela Universidade
de Paris e pela Universidade de Lisboa.
A escola é ao mesmo tempo lugar de descoberta
da autonomia e lugar de socialização.
Jean-Marc Nollet, Ministro da Infância da
comunidade Francesa na Bélgica., Licenciado em
Ciências Políticas, pela Universidade Católica
de Louvain, Bélgica.
A única saída para que se tenha
a Educação como direito é a superação
desta sociedade.
Aluizio Lins Leal, especialista em Consultoria Industrial
e em Avaliação de Impactos Ambientais
O papel da educação é
ambíguo no sentido de que pode contribuir na
multiplicação desta síndrome de
intolerância e fundamentalismo ou pode, pelo contrário,
ter um papel importante na gestação de
personalidades flexíveis.
Ricardo Cetrulo, do Uruguai, diretor do Centro de
Reflexão Alternativa, do departamento da Fundação
Instituto do Homem e supervisor da Universidade Popular,
filial do Instituto do Homem, na cidade de Maldonado |
|
Hospedagem
As informações sobre hospedagem em Porto
Alegre podem ser obtidas através do site do FME
www.forummundialdeeducacao.com.br
ou no www.portoalegre.rs.gov.br/turismo/
Inscrições
Podem ser feitas pela Internet no site www.forummundialdeeducacao.com.br,
ou no local até o final do credenciamento, no
dia 20 de janeiro. Os custos são: para o mês
de dezembro R$ 60,00 e janeiro R$ 80,00. Educadores
populares e estudantes têm subsídio de
50% no valor da inscrição.
Links
www.forummundialdeeducacao.com.br
www.portoalegre.rs.gov.br/turismo/
www.sinpro-rs.org.br
Conferências
20 de janeiro (8h)
Conferência 1 - A Cidade e a Educação
- Marina Subirats (Espanha); Ramón Moncada (Colômbia);
Steve Stoer (Portugal) Pablo Gentili (Brasil).
21 de janeiro (8h)
Conferência 2 - A Construção
Social do Conhecimento: Kailash Satyarthi (Índia);
Fernando Rodal (Uruguai); Roberto Leher Brasil
22 de janeiro (8h)
Conferência 3 - Projeto Político
e Projeto Pedagógico: Maria Fernanda Pontífice
(São Tomé e Príncipe); Bernard
Charlot (França); Aristóbulo Istúriz
Almeida (Venezuela); Lúcia Camini (Brasil). Veja
Programação Oficial.
Debates Temáticos
21 de janeiro - Terça-feira
(14h)
Escola Cidadã, Cidade Educadora
Educação Popular, Educação
Formal
Gestão Democrática
A Educação e o Mundo do Trabalho
Os Movimentos Sociais, as ONGs e a Educação
21 de janeiro - Terça-feira
(19h)
O Papel da Universidade na Construção
do Conhecimento
O Papel do Estado enquanto Financiador da Educação
Educação para uma Nova Sociedade
A Educação Pública como Direito
Social
Debates especiais
22 de janeiro - Quarta-feira
(14h)
Alternativas Sociais à Comercialização
da Educação
Ética e Educação
Colóquio Internacional: A Internacionalização
das Reformas Educacionais
Educação para a Paz
Novas Perspectivas na Gestão da Educação
Diversidade Cultural: Educação e Identidade
Fórum Vivemos Juntos: Conhecer e Viver a Carta
da Terra
Programação Simultânea
Confira alguns destaques. As datas e horários
serão divulgados posteriormente no site do FME.
Acampamento Intercontinental da Juventude
Encontro Internacional de Educação Infantil
II Encontro da Escola Cidadã
Encontro Preparatório do MOVA BRASIL
Parcerias e Educação: Projeto Escola do
Rádio,
Projeto JOVemPAZ e Projeto Escola Cidadã
I Encontro Internacional de Docentes em Instituições
de Ensino Superior.
Construção de Cidades Educadoras: um diálogo
com a realidade Latino-americana.
Oficina de Voz para Professores
X COBRECOS - Congresso Nacional dos Estudantes de Comunicação
Social.
Painel das atividades Acadêmicas Regionais da
CLACSO
Encontro de Educação Ambiental - ações,
propostas e experiências.
Oficina Educação para todos - Educação
Indígena e Educação Especial
Seminário Nacional de Avaliação
Institucional
Exposição Fotográfica: Fome em
São Paulo: Da abundância nasce a miséria.
Sindicalismo e Educação: perspectiva das
experiências em construção na sociedade.
Violência nas Escolas
Qualidade e Discursos Alternativos sobre Educação:
aproximações desde a sociedade civil |
|
|