A reforma
do trabalho
A reforma trabalhista é uma área cinzenta
no plano de ação do próximo governo. Na
plataforma de campanha do presidente eleito Luís Inácio
Lula da Silva, a única proposta concreta a respeito do
tema é a formação de um fórum nacional
de discussão, com a participação de trabalhadores
e empresários. Tudo indica, porém, que a vontade
de Lula é mexer no vespeiro e propor alterações
no arcabouço de leis, criado na década de 30,
por Getúlio Vargas. A questão é saber em
que direção soprará o vento durante as
rodadas de negociação a favor da ampliação
ou da restrição dos direitos sociais?
Paulo
César Teixeira
Dos últimos anos, a simples menção de mudança
da legislação trabalhista causou calafrios nas
lideranças dos trabalhadores. Explica-se: nos dois mandatos
do presidente Fernando Henrique Cardoso, as tentativas de reforma
obedeceram à lógica de flexibilizar, reduzir ou
até mesmo suprimir direitos básicos, conquistados
a duras penas. Como se fosse possível falar em
relações trabalhistas sem qualquer regramento,
jogando grande parte da população à sua
própria sorte, afirma o juiz Roberto Siegmann,
presidente da Amatra (Associação dos Magistrados
do Trabalho/RS). Sepultada a era FHC, resta saber como irão
se comportar os protagonistas do fórum do trabalho sugerido
por Lula.
| Dino
P. dos Santos/Cut Nacional |
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| Lula
em encontro com sindicalistas reforça seu empenho
na reforma das leis do trabalho como prioridade para o projeto
de desenvolvimento do futuro governo |
Para início
de conversa, o novo presidente contará com a boa vontade
de patrões e empregados, fenômeno típico
de um governo recém-eleito. Lula não trairá
sua própria história. A diferença é
que, agora, ele é governo e defende os interesses do
conjunto da sociedade e não de setores específicos,
diz o presidente nacional da CUT, João Felício.
A idéia do entendimento é positiva,
reitera o secretário de relações sindicais
da CGT, Hugo Perez. O movimento sindical apresentará
propostas unitárias, apregoa o secretário-geral
da Força Sindical, João Carlos Gonçalves.
Os empresários são francamente favoráveis
ao fórum, desde que não seja uma proposta feita
para ganhar tempo e não chegar a denominador comum,
observa o coordenador do Conselho de Relações
do Trabalho da Fiergs (Federação das Indústrias
do Rio Grande do Sul), Ayrton Giovannini.
Continua:
- Ainda não
há consenso
- O mingau pelas
beiradas