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Muçulmanos
adotam o sul
Um dos
povos mais antigos do mundo, descendentes dos fenícios
se dedicaram ao comércio e rumaram em peso para o estado
ao imigrarem para o Brasil
Dóris
Fialcoff
Saleh
Baja tinha 21 anos quando deixou sua terra natal, a Palestina.
Da pequena cidade de Saffa, que fica a 27 quilômetros de Jerusalém,
ele saiu rumo ao Brasil, país do qual sabia um pouco da história
e da geografia e que escolhera para tentar a vida. Segundo ele,
isso foi em novembro de 1953, quando começou a migração dos palestinos,
depois da criação do Estado de Israel. Ao chegar, instalou- se
no município de Lins, em São Paulo, tentou trabalhar como agricultor,
mas, “não consegui por falta de apoio do governo”, confessa Baja.
Dois anos depois, resolveu vir para o Rio Grande do Sul, estado
que ele acredita “ter muito do sistema dos árabes, o clima, a
cultura”. Aliás, os números confirmam isso, uma vez que 60% dos
muçulmanos que vieram para o Brasil estão no estado. Quanto às
dificuldades com o português, ele conta que foi um pouco complicado
no início, pois ele falava sua língua mãe, o árabe, e inglês.
“Mas não foi muito difícil porque eu era jovem e decidido. Depois
de um ano eu já falava e escrevia”, orgulha-se, sorrindo ao comentar
que o sotaque, sim, esse não teve jeito, ainda o acompanha.
No estado
ele passou primeiro por Dom Pedrito, Santa Cruz do Sul até finalmente
chegar a Canoas, onde já vive há 35 anos. Sua principal atividade
é o comércio, uma característica marcante do seu povo que, como
ele mesmo diz, é descendente dos fenícios, os primeiros comerciantes
do Oriente Médio. Entretanto, Baja faz questão de destacar que
“não há um palestino analfabeto, a maioria fala pelo menos dois
idiomas é o segundo povo na vanguarda do ensino superior”. Agora,
aos 68 anos, casado e com 11 filhos, se orgulha de ser um religioso
destacado do Rio Grande do Sul, sendo muitas vezes convidado para
ministrar palestras sobre o islamismo para estudantes universitários
e também a sociedade em geral.
Para explicar
um pouco sobre sua religião, Baja ensina que o profeta Abraão
foi o primeiro muçulmano da humanidade – primeiro a falar em islamismo
e é no Deus dele que acreditam, Alá. Seu livro Sagrado, o Alcorão,
reúne as revelações de Deus recebidas por Mohammad, por intermédio
do anjo Gabriel. Segundo informações do Centro Cultural Beneficente
Árabe Islâmico de Foz do Iguaçu (www. islam.com.br), tão logo
Abraão começou a pregar a verdade Divina, ele e seu pequeno grupo
de seguidores sofreram perseguições, que se tornaram tão violentas
que no ano de 622 Deus teria lhes ordenado que emigrassem. Esse
evento, a Hégira, no qual eles se mudaram de Meca para a cidade
de Medina, marca o início do calendário muçulmano, que é lunar.
O islamismo
é regido por cinco pilares: a fé (não há outra divindade além
de Deus e Mohammad é seu mensageiro), a oração (as orações obrigatórias
são praticadas cinco vezes ao dia), o interesse pelo necessitado
(zakat), a autopurificação (jejum) e a peregrinação a Meca (Hajj,
uma obrigação somente para aqueles que são física e financeiramente
capazes).
Em relação
ao jejum, todo ano, durante o mês de Ramadan (o nono mês do ano
no calendário muçulmano), todos jejuam desde a alvorada até
o pôr-do-sol, abstendo-se de comida, bebida e relações sexuais.
De acordo com Baja, o jejum significa “saber o que é passar fome
e lembrar os pobres, obediência correta a um Deus único, férias
anual ao aparelho digestivo e aprender a ser forte, descobrir
a própria força”.
No islamismo
não há uma autoridade hierárquica nem padres; portanto as orações
são coordenadas pelo Imam, alguém aceito pela comunidade pelo
seu bom comportamento e que conheça bem a leitura do Alcorão.
“Não acreditamos na intervenção do ser humano, que é como nós”,
argumenta Baja. “Se erramos, pedimos perdão direto a Deus”.
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