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Educação
infantil em discussão no CNE
A rápida mobilização do Movimento Interfóruns
de Educação Infantil do Brasil (MIEIB) fez o Conselho
Nacional de Educação sustar, no início do
mês de junho, a votação do parecer referente
à solicitação da Secretaria de Educação
de Guarulhos/SP que defende a idéia de aplicação
de recursos da educação em programas alternativos
para a criança, em parceria com a sociedade. Em quatro
dias o MIEIB conseguiu mobilizar o Brasil inteiro e encheu o Conselho
Nacional de telegramas e e-mails. Foi um susto. Eles não
esperavam semelhante mobilização. Sensibilizado,
o Conselho decidiu abrir uma discussão com especalistas.
Jacira
Cabral da Silveira
ara
Carmem Craidy, Doutora em Educação, membro do Departamento
de Estudos Especializados da UFRGS e professora do curso de especialização
de Educação Infantil (EI) da FACED, a proposta de
Guarulhos é um retrocesso histórico de 20 a 30 anos
no que se refere à EI no Brasil. Se, por um lado, é
a ressurreição da mãe crecheira dos anos
70 que foi largamente criticada, por outro, desconsidera-se
os avanços legais dos últimos anos nos quais, tanto
a criança é reconhecida como um sujeito de direito,
como as creches e pré-escolas são reconhecidas como
instituições de ensino.
| René
Cabrales |
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A
iniciativa de Guarulhos, se aprovada, abriria um precedente
legal para o reconhecimento de
instituições irregulares
|
E
é justamente esta cultura de atendimento pobre para os
pobres, como Craidy define os programas de assistência,
que vem sendo exportada dos países desenvolvidos, particularmente
através da influência do FMI e do Banco Mundial,
para países como o Brasil. Enquanto isso, nos países
desenvolvidos, nunca se falou, se produziu e desenvolveu tanto
a EI, diz a professora. Isso ocorre em função do
reconhecimento do desenvolvimento científico contemporâneo
que mostra a importância dos primeiros anos de vida, como
também em razão das necessidades da vida atual em
que homem e mulher trabalham. Ou seja, enquanto em países
desenvolvidos como França, Itália, para citar alguns,
e, mais recentemente, Inglaterra e Estados Unidos, a escola passa
a ocupar um espaço fundamental, tanto para o desenvolvimento
da criança, como para a dinâmica da família
e da sociedade, em países subdesenvolvidos a EI luta contra
a idéia de atendimento à criança como uma
questão exclusiva de cuidado e guarda.
Há doze anos Maria cuida de crianças em sua casa
em um bairro afastado de Porto Alegre. Num pátio com saída
direta para uma rua sem calçada, e com freqüente trânsito
de caminhões, o portão tem como tranca um arame
removível com pontas salientes. Pobremente, vêem-se
alguns brinquedos tanto no chão do pátio como na
sala de visitas com cadeiras altas e pesadas de metal, uma pilha
de roupas para passar e um moisés onde uma das crianças
chora.
Embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
9394/96 (LDBen) tenha estabelecido que a EI passa a integrar o
sistema de ensino, sendo a primeira etapa da Educação
Básica, e que as creches e pré-escolas existentes
ou a serem criadas deveriam adaptar-se à nova lei até
1999, isso não ocorreu. Ainda hoje é muito difícil
ter um número preciso dos espaços, autorizados ou
não, adaptados ou não à LDB, tanto no Estado
como no País. Segundo dados do INEP, existem hoje, no País,
92.526 estabelecimentos de EI, dos quais 67% pertencem às
redes de Educação municipais. Porém, não
existe qualquer levantamento referente aos espaços informais
como a casa de dona Maria.
Se, por um lado, a lei procura avançar nas questões
de EI, por outro, a lentidão no cumprimento da lei e a
necessidade social de famílias, como as que procuram dona
Maria, acabam por retardar a educação brasileira.
Soraya Franke, pedagoga e responsável pelo setor de Educação
Infantil do Sinpro/RS, destaca ainda como fator negativo ao desenvolvimento
efetivo da EI a fragilidade de exigência das
normatizações da Lei.
Mas, afinal de contas, a caminhada para uma lei vir a ser cumprida,
além de longa, é cheia de percalços. No caso
da LDBen, cabe aos Conselhos Estaduais de Educação
a regulamentação e aos municípios optar ou
não por ter um sistema próprio. Caso a opção
seja positiva, tal município terá também
que estabelecer suas normas que deverão ser cumpridas pelas
escolas ligadas ao sistema municipal, nascendo nesta instância
novos e variados prazos para o cumprimento das normatizações
municipais.
Segundo Carmem Dotto, membro das comissões de Ensino Médio,
Fundamental e Infantil do Conselho Estadual de Educação
do Rio Grande do Sul, o fato de o órgão só
ter normatizado a LDBen em 1999, quando os estabelecimentos de
ensino já deveriam estar todos adaptados à lei,
não significou atraso. Segundo ela, o tempo foi usado para
o estudo da lei, no final do qual o Conselho emitiu a norma 246
que regulamenta a EI e diz como todos os estabelecimentos devem
se integrar aos sistemas através de pedido de autorização.
Os prazos esgotaram em 31 de dezembro de 2001. Porém, o
CEE ainda não dispõe de dados referentes ao número
de estabelecimentos que já se adaptaram.
Quanto à formação de recursos humanos previstos
na lei, é outra novela. Na avaliação de Craidy,
aqui reside um grande perigo. Segundo ela, há uma tendência
dos municípios de criar figuras paralelas ao professor.
São pessoas sem formação que ficam com as
crianças, cabendo ao professor momentos específicos
aos moldes de outros níveis de ensino. Para Craidy, embora
os municípios não assumam, o que os impede de adaptar-se
à nova lei é a questão financeira. É
muito caro para a escola manter um professor por oito horas junto
com a criança. Soraya concorda com Craidy quando avalia
a ação dos municípios na hora de destinar
verbas à EI. Segundo ela, uma das lutas da comunidade educativa
é pela criação de um fundo fundo de financiamento
da educação básica em substituição
ao FUNDEF que, além de centralizar recursos na esfera federal
para depois distribuir minimamente a cada município, não
inclui formas de financiamento para a EI. Assim, os municípios
acabam por criar soluções caseiras como forma de
enfrentar a situação, ao invés da exigência
efetiva dessas verbas junto ao Governo Federal, critica
Soraya.
Ao comentar o caso de Guarulhos, Soraya diz que ele evidencia
um fato, mas não busca uma solução progressista,
eles procuram institucionalizar o que já existe,
ou seja, as plaquinhas de rua Cuida-se de crianças.
Para a sindicalista, só através de debates com universidades,
instituições filantrópicas e associações
e sindicatos será possível criar condições
para efetivar o que a lei prevê. Não é
retrocedendo na história que se resolve o problema. Não
podemos esquecer que estamos falando de um direito constitucional
da Infância, conclui Soraya, referindo-se o artigo
208, inciso IV da Constituição.
| Notas |
URI tem nova reitoria
A Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e
das Missões (URI) teve seus novos dirigentes
escolhidos no final de junho. Com 90,38% dos votos,
foram eleitos a reitora, Mara Regina Rösler; a
pró-reitora de Ensino, Cleo Joaquim Ortigara;
a pró-reitora de Pesquisa, Extensão e
Pós-Graduação, Lionira Giacomuzzi
Komosinski; e o pró-reitor de Administração,
Bruno Ademar Mentges.
Além da reitoria, foram escolhidos também
os diretores gerais de campi, demais administradores
e coordenadores. Participaram da eleição,
5.639 votantes, entre professores, funcionários,
alunos e membros da comunidade externa. O período
de mandato é de quatro anos e a posse da nova
reitoria acontece no dia 31 de agosto.
Cpers elege nova diretoria
Nos dias 26 e 27 de junho, o Sindicato dos Trabalhadores
em Educação do RS (Cpers/Sindicato)
elegeu sua nova diretoria comvitória da Chapa
1 ( Linha de Frente), encabeçada por Juçara
Dutra Vieira, atual presidente da entidade, quevenceu
a chapa 2, do Movimento Pó de Giz. As eleições
foram movimentadas por decisões judiciais.
Depois de alguns trâmites na justiça,
o juiz convocado da 2ª Câmara Especial
Cível do Tribunal de Justiça do Estado,
Luiz Roberto Imperatore Assis Brasil, manteve a decisão
de vice-diretores de escolas estaduais poderem integrar
chapas da diretoria de núcleos regionais nessas
eleições.
Falta de estímulo afeta 30% dos professores
Uma pesquisa apresentada no 6º Educaids, Encontro
Nacional de Educadores na Prevenção
da Aids, revela que cerca de 30% dos professores de
escolas particulares sofrem da síndrome de
burn out, termo em inglês que designa
falta de estímulo no trabalho. Segundo especialistas,
burn out é um sofrimento psicológico
resultante do trabalho que implica relações
afetivas e exaustão emocional. Valorização
e estrutura de apoio ao professor são alternativas
para reverter este quadro. A pesquisa foi realizada
com cerca de 14 mil educadores de todo o Brasil.
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