A briga
começa no próximo mandato
Paulo
César Teixeira
Uma coisa é certa: a ALCA não existe ainda como
organismo ou entidade. É um processo de negociação,
diz o coordenador geral dos contatos da ALCA pelo Itamaraty,
Antônio José Simões. O Brasil negocia em
bloco com os parceiros do Mercosul Argentina, Uruguai
e Paraguai. É bom ressaltar que a ALCA é apenas
uma área de livre comércio, ao contrário
do Mercosul, que pretende ser uma união alfandegária.
Neste caso, os países negociam (ou deveriam negociar)
em conjunto as tarifas que praticam com o resto do mercado.
Por enquanto, o Mercosul é uma área de livre
comércio incompleta e uma união alfandegária
imperfeita que segue rumo ao mercado comum. Pulou para etapas
seguintes, sem completar a anterior, por decisão política,
explica Simões. Para se ter uma idéia, a Comunidade
Européia demorou 50 anos para amarrar os laços
e alcançar a união monetária.
Se vamos ganhar com a ALCA, não sabemos. O certo
é que não negociar é perder. A região
representa 50% do mercado externo do Brasil e de 70% a 80% das
vendas externas de manufaturas. Não se pode entregar
de mão beijada o mercado para os concorrentes,
salienta o diplomata. O Brasil, por ter o maior parque industrial
e ser o único país do continente com pretensão
de assumir uma liderança regional, tenta impor um ritmo
mais cadenciado e lento às negociações,
em contraponto à pressa dos norte-americanos. Os EUA
queriam começar a discutir as listas de exceções
já em 30 de setembro deste ano.
Para complicar o quadro, a briga de foice de fevereiro próximo
coincidirá com o início do mandato do novo Presidente
da República. Ele terá menos de um mês para
se preparar para a batalha. O candidato do PSDB, José
Serra, elogia a atuação do Itamaraty: A
questão é saber se teremos vantagens comerciais
ou não. Temos que negociar com preparo, sem amadorismo.
Para o secretário-geral nacional do PT, Luiz Dulci, a
postura do governo FHC é defensiva. O Brasil tem
poder de barganha para estabelecer novos prazos. Uma integração
precipitada agravará as desigualdades, diz Dulci,
que assessora o candidato do PT, Luís Inácio Lula
da Silva.
Problema à vista: os principais candidatos à Presidência
se manifestam em favor de um projeto de revitalização
da indústria nacional. Tanto Lula, quanto Serra,
Ciro Gomes e Garotinho acenam com uma política de substituição
de importações, para que o país volte a
crescer. Na era FHC, a economia cresceu míseros 2% ao
ano, observa o professor de Ciências Políticas
da UERJ, Antônio Carlos Peixoto. Só o complexo
eletroeletrônico gasta US$ 9 bilhões por ano na
importação de equipamentos e máquinas industriais.
Estancar a sangria requer medidas de proteção,
que contrariam o espírito do livre comércio.
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tem pressa
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