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Música
para rebolar
Embalados
pelo sucesso de vendas da Tchê Music, grupos s e multiplicam
e incorporam novos ritimos ao vanerão. Tradicionalistas
querem proibir CTGs de tocar músicas de conjuntos que não
sejam autênticos
Stella
Máris Valenzuela
As
alterações no ritmo da música gaúcha estão provocando descompasso
de opiniões no meio artístico do estado. Grupos como os Tchê Guri,
Tchê Garotos e Tchê Barbaridade vêm cativando a gurizada com um
novo ritmo, já batizado de Tchê Music. “Isso não passa de um vanerão
sambado”, desdenha o Gaúcho da Fronteira. “Esses grupos introduziram
um ritmo dançante mais erotizado”, comenta o pesquisador do IGTF
(Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore), Cláudio Knierim. O
Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG)não quer nem saber da inovação,
que está alegrando as gravadoras. Juntos, três grupos mais conhecidos
do novo estilo já venderam 105 mil discos em 1999.
Inconformado
com a criatividade da moçada, o MTG decidiu no 44º Congresso Tradicionalista
Gaúcho de Passo Fundo recomendar aos CTGs para contratarem somente
os conjuntos e artistas com efetivo comprometimento com os parâmetros
do movimento, ou seja, que toquem ritmos e temas autênticos. A
proposição veio a público em 15 de janeiro deste ano.
“O ponto em
comum entre Tchê Music e Axé Music baiana é o público jovem, uma
faixa etária que vai dos 17 a 25 anos”, defende Magali Bertoli,
do Departamento de Marketing da gravadora gaúcha Usadiscos. “Os
grupos Garotos de Ouro, Tempo Guri, Dele Fole e Balansso aderiram
à nova onda e hoje tocam um ritmo mais moderno para atrair a garotada”,
comenta Magali, para quem o sucesso se confirma com o aumento
na venda de discos. Os CDs deles rodam nas rádios Liberdade, de
Porto Alegre, Alegria, de Novo Hamburgo e Visão, de Canoas.
O movimento
começou a se delinear no início da década de 90, quando o nativismo
estava perdendo fôlego no mercado. Segundo Knierim, foi um período
em que a banalização tomou o lugar das propostas sérias e utópicas
que embalaram o final da década passada. “Estes grupos aumentaram
o ritmo, o compasso e a batida da música, transformando em algo
mais quente como o forró”, explica. Ele salienta que a cultura
é um processo dinâmico. E a matriz da música gaúcha tem influências
de origem negra, italiana e hispânica, por exemplo. “A rancheira
tocada na década de 50 não é a mesma de hoje”, exemplifica.
O IGTF não
aceita a regulamentação da arte. “O processo criativo tem de ser
espontâneo. Não pode ser um produto das gravadoras nem tampouco
ditado por grupos”, defende. Ele critica o MTG por querer regrar
a arte. “Os grupos Tchês têm nova proposta estética para a música,
particularmente quanto ao ritmo. As letras são simples, mas preservam
a gíria gaúcha”, argumenta.
O diretor
artístico da gravadora Acit, Edson Campagna, está satisfeito com
o sucesso dos grupos Tchê Guri, Tchê Barbaridade e Tchê Garotos.
“Tratase de um projeto para modernizar a música gaúcha”, compara.
Essa pitada de modernidade a que se refere Campagna é a responsável
pelo fechamento de contratos com o mercado paulista. “Como 70%
dos nossos selos são de música nativa, já gravamos o filho do
Teixeirinha, Os Serranos e Os Monarcas”, avalia.
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Modernos
X Conservadores
Em 1988,
a música Canto dos Livres, de Dante Ramon Ledesma, sofreu
censura. Com base no artigo 20º do festival, o MTG tentou
proibir o sotaque do músico argentino, reforçando que o
intérprete deveria respeitar a fonética e a gramaticidade
da língua portuguesa.
O
Chamamê, ritmo das Missões argentinas, foi proibido na 10ª
Califórnia da Canção.
O MTG
também rangeu os dentes para instrumentos como o bombo legüero
e a quena (flauta de taquara).
Os
tradicionalistas também não gostaram da reintrodução do
piano na música dos festivais, feita na música Desgarrados,
de Mário Barbará. A alegação é que não se tratava de um
instrumento tradicional.
Na proposição
do 44º Congresso, o MTG adotou como lema “Cante nossos temas
e toque no autêntico compasso gaúcho” e reforçou a idéia
de “zelar pela pureza e fidelidade dos nossos costumes autênticos,
combatendo todas as manifestações individuais ou coletivas
que artificializem ou descaracterizem as nossas coisas tradicionais”.
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