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Universidade sem vestibular

Mário Maestri: A guerra é um faroeste na TV

De mãos dadas com a pedagogia

O uso da tecnologia está mudando o perfil do estudante. A familiariedade dos jovens com os computadores e os efeitos especiais da televisão produzem um ambiente que desafia professores

Luiz Carlos Barbosa

O avanço tecnológico é uma cunha na sala de aula tradicional. Não pela simples e cada vez mais freqüente presença do computador ou de outros equipamentos como o vídeo e a televisão na vida dos jovens. A fenda é mais profunda, porque abala a chamada sala de aula tradicional não como um espaço físico, mas como um conjunto de relações.

Os papéis convencionalmente definidos para estudantes e professores já não podem ser os mesmos em uma época que, potencialmente, os jovens têm um transmissor eletrônico de conhecimento à disposição, a Internet.” Neste novo ambiente há uma reversão, o professor adquire mais a função de um guia, um amigo”, sustenta o professor Paulo Roberto Girardello Franco, diretor científico do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas da PUC (Pontifícia Universidade Católica) - que é encarregado de fazer a interface entre a instituição e a sociedade na área de pesquisa e prestação de serviços.

Engenheiro em telecomunicações e doutor em processo digital, Franco reconhece que essa discussão ainda é incipiente. “O aspecto social das mudanças acarretadas pela tecnologia ainda não está bem resolvido, mas num curto espaço de tempo a interação individualizada e a educação distância constituirão uma realidade indiscriminada”, preconiza. Segundo ele, o ensino não presencial (à distância) tem hoje um milhão de estudantes na Índia e 250 mil na Inglaterra. Nem é preciso ir tão longe. Dos 4 mil alunos de mestrado em Informática e das cadeiras de Introdução à Computação e Computação Básica da PUC - disciplinas exigidas em vários cursos -seis turmas já não freqüentam o campus. Esses 800 alunos têm um encontro inicial, conhecem o ambiente da faculdade, recebem o software e depois retornam no fim do semestre para prestar a prova final. A avaliação segue os mesmos critérios das turmas presenciais, mas no cotidiano os estudantes apenas se conectam com a professora, que fica numa salinha de 2 metros quadrados na Faculdade de Informática munida de um computador com microcâmera digital.

A comunicação das turmas virtuais é feita em tempo real. Conforme a diretora da Faculdade de Informática da PUC, Iára Cláudio - professora de Matemática que trabalha com Informática na Educação há 30 anos - a performance desses estudantes é superior aos que têm aula presencial. “Se entra alguém na sala ou se um colega não participa da aula, eles perguntam imediatamente.”

Opinião parecida tem o diretor da Faculdade de Engenharia da PUC, Eduardo Giugliani. “Mesmo com os recursos tecnológicos poderíamos não ter nenhuma influência e continuar cuspindo giz. Mas o impacto tecnológico é proporcional ao avanço da cultura pedagógica, que evoluiu para uma prática mais arrojada, mais construtivista do que conteudística”, assinala. Para ele, o grande avanço é formar professores para usar infinitas ferramentas e corresponder às expectativas dos alunos, que chegam à universidade familiarizados com a tecnologia. “Assim poderemos evitar a evasão e ajudar o jovem a se definir profissionalmente e se qualificar para o mercado de trabalho”, acrescenta.

Parceria e conexão com as necessidades da sociedade e as demandas do mercado orientam as atividades do Laboratório de Metalurgia Física da Ufrgs (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), que agrupa 54 laboratórios especializados na pesquisa de equipamentos e materiais.

Segundo o professor Telmo Roberto Strohaecker, coordenador do Laboratório, junto com a pesquisa acadêmica são desenvolvidas atividades voltadas ao mercado, que contribuem para a manutenção da instituição. “Desenvolvemos projetos para indústrias instaladas e para apoiar a montagem de microempresas”, relata Strohaecker.

Atenta às demandas também dos estudantes de ensino fundamental e médio, a empresa Educandos desenvolveu metodologias de ensino de Matemática, Física e Química por meio da Informática. O analista de sistemas André Luiz Córva dos Santos, gerente regional da empresa, confirma que a demanda está crescendo. Conforme ele, os programas estão sendo utilizados em várias escolas como o Colégio Militar de Porto Alegre, o Rainha do Brasil e o Santo Antônio.

 

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