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Tributo a Borges

Luiz Carlos Barbosa

Livro festejado por gente autorizada como o poeta, professor e ensaísta Armindo Trevisan merece muitas colunas. Ainda mais que a obra é uma espécie de tributo a Jorge Luis Borges, neste ano que marca o centenário do escritor argentino - 24 de agosto. “...um dos livros mais diferentes, mais deliciosos dentre os que o Rio Grande publicou nas últimas décadas. Sua poesia possui garra e fascínio...”, elogiou Trevisan no prefácio de “Os olhos de Borges”. O lançamento da WS Editor reúne 21 poemas de Jaime Vaz Brasil, também autor de “Caderno dos espelhos” (Tchê, 1993) e “Punhais do minuano”, também pela WS Editor (1998), que está concluindo a edição de “Livro dos amores”, como antecipa Vaz Brasil. Poeta, psiquiatra e psicoterapeuta de 36 anos, Vaz Brasil é um daqueles leitores arrebatados pelos labirintos e espelhos, com os quais Borges empreende sua prospecção metafísica em prosa e verso. Também guiado por uma bússola com a agulha apontada para a literatura com letra maiúscula, borgeanamente ele escreve em “Os quatro espelhos”: “...Quantas cores/ pulsarão mais vivas/ no olhar dos cegos?// No olhar dos cegos/ o espelho vai ao centro/ da alma, vista por dentro.”

Publicado pela primeira vez em 1997, “Os olhos de Borges” foi indicado para o Prêmio Açorianos de Literatura daquele ano. Algumas poesias se assemelham a uma ode como, por exemplo, “De Homero a Borges”. Só isto justificaria que o livro ganhasse um duplo.

O duplo saiu agora com a segunda edição. É um CD patrocinado pelo Funproarte, da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre. Apresenta os poemas musicados por Felipe Elizalde, Vitor Ramil, Hique Gomes, Jerônimo Jardim, Kleiton Ramil, Sérgio Rojas, Toneco, Flávio Vaz Brasil, Hermes Aquino, Vinícius Brum e Pery Souza, parceiro de Jaime Vaz Brasil no CD “Milonga do pendular encontro” - que teve a participação especial de Kleiton e Kledir e Vitor Ramil. Aliás, Jaime Vaz Brasil é autor de mais de 130 letras da época em que os festivas de música no estado elegiam a audácia.

Os quatro poemas mais longos de “Os olhos de Borges” são recitados por José Edil de Lima Alves, Leopoldo Rassier, Luiz Coronel, entre outros. Livro e CD para serem tragados com a paciência de um sol outonal, como se vê nestes versos do poema título: “...(Oitocentos mil livros/ e ao mesmo tempo/ a cegueira:// como pensar/ destino/ de outra pior maneira?)”

Rimas Cognitivas

Sem subjugar o valor literário ao objetivo didático, a coleção Rimas e Tiras, da Projeto, oferece títulos que contribuem para o desenvolvimento congnitivo dos recém-alfabetizados. As ilustrações de Guazzelli são desenhos para ampliar a imaginação da gurizada que repartir o tempo na frente da tv e do computador com as rimas de Elias José (“Boneco maluco e outras brincadeiras”). Na mesma coleção, “Bamboletras” de Dilan Camargo, “Astrolábio” de Gláucia de Souza e “Pequenas observações sobre a vida em outros planetas” de Ricardo Silvestrin. Literatura de qualidade para o público infantil, mas antes de tudo literatura. “

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