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Boa
arrecadação e pouca combatividade
Seja
qual for a razão, a ausência de mobilização
facilita a hegemonia de lideranças sem combatividade. É
o caso do DCE da PUC/RS, desde 1994 nas mãos de líderes
ligados ao PDT. A última paralisação na universidade
foi deflagrada há nove anos, em protesto contra o aumento
das mensalidades, quando a diretoria era do PC do B. De lá
para cá, o poder é exercido por uma corrente que,
desde 1996, manipula um orçamento de meio milhão
de reais por ano, obtido graças à contribuição
de R$ 2, que o aluno paga junto com a mensalidade e é repassada
pela PUC à entidade. Quem não deseja contribuir
é obrigado a explicitar a intenção no DCE
ou no prédio da Reitoria 18 mil alunos pagam a taxa.
Na primeira quinzena de maio, houve eleições no
DCE da PUC. A chapa da situação, Ação
Consciente, venceu com folga uma oposição light
formada às pressas. A oposição mais aguerrida
alega que não participou por não ter tempo de se
inscrever. Os editais são afixados na Reitoria momentos
antes do encerramento do prazo de inscrição de chapas,
com datas retroativas. As eleições são realizadas
na surdina, sem alarde, para que a participação
seja reduzida, acusa Fábio Ourique, tesoureiro da
União Estadual de Estudantes e aluno de Administração
da PUC. Roberto Fleck, estudante de Economia que acaba de sair
da presidência do DCE, atribui as denúncias contra
a sua gestão a uma indústria de boatos
que tenta atordoar o processo eleitoral.
Quem andava pelo campus da PUC no dia da eleição
se deparava com seguranças particulares, contratados pelo
DCE, sob a alegação de que estavam lá para
evitar que as urnas fossem roubadas ou queimadas. O quadro surpreendeu
a Pró-Reitora de Assuntos Comunitários, Helena Oliveira,
que alega não poder interferir em respeito à autonomia
da entidade estudantil. Fatos como este não precisam
acontecer. Os agentes da PUC tiveram que controlar os seguranças
do DCE. Não entendi o que passou na cabeça dos meninos.
Alunos ouvidos pelo Extra Classe se declararam intimidados com
a presença ostensiva dos brutamontes. Tanto zelo em evitar
supostos tumultos não combina com a falta de preocupação
em garantir a lisura do pleito. O DCE não utiliza urna
eletrônica sob a justificativa de que o TRE demora para
liberá-la.
Fleck explica que metade dos recursos da contribuição
estudantil é usada para financiar a militância e
manter a infra-estrutura da entidade, composta por 12 funcionários,
além de respaldar a promoção de espetáculos
como o show de bandas da PUC, realizado duas vezes por semana.
A outra metade do dinheiro o DCE distribui aos diretórios
e centros acadêmicos, para a organização de
eventos como a Semana da Odontologia, realizada pouco antes do
pleito. O DCE manipula a verba conforme a conveniência
eleitoral. Desta forma, mantém controle praticamente total
do Conselho de DAs, que estabelece as regras da eleição,
diz Miguel Idiart, coordenador do Casta (Centro Acadêmico
Santo Tomás de Aquino), da Faculdade de Ciências
Humanas. Junto com o diretório da Pedagogia, o Casta se
rebelou e realizou eleições sem a tutela do Conselho.
O caso foi parar na Justiça os dois DAs são
os únicos que não recebem dinheiro do DCE, que deposita
o valor em juízo.
Como conseqüência da apatia, a disputa por aparelhos
se tornou um dos principais focos do ME, o que fica evidente na
PUC. Em momentos de refluxo, como o que vivemos, brigar
para ganhar a UNE ou qualquer entidade não é tão
importante quanto deixar um trabalho de conscientização
enraizado, que possa vir à tona logo adiante, aconselha
Vladimir Palmeira. Para voltar a ser vigoroso e combativo, o ME
deve passar por uma revisão de conceitos, até para
não perder uma de suas funções básicas,
que é a de constituir-se num aprendizado. A militância
estudantil contribui para a formação da vida do
cidadão e, por isso, é imprescindível, especialmente
numa sociedade cada vez mais desigual e complexa, conclui
Renato Oliveira.
| René
Cabrales |
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Presidente
do DCE da Ulbra:
alienação é culpa da "pós-modernidade"
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Um
grande saco de gatos
O DCE da Ulbra é um exemplo clássico do
que, nos bons tempos do ME, era qualificado de saco
de gatos. Há gente identificada com PPS,
PMDB, PDT e PT. Ribeiro nega que isto traga prejuízos
à ação política. As
pessoas fazem política partidária da porta
da Ulbra para fora. Aqui dentro, estão todas
voltadas para um objetivo comum, que é defender
os interesses dos alunos. Ele também não
concorda que a falta de coesão ideológica
seja um indício de fraqueza do ME. Ao contrário,
o movimento agora está mais forte, experiente
e amadurecido, voltado para questões objetivas,
garante Ribeiro. Se não há manifestações
de massa, o fato pode ser atribuído ao que chama
de pós-modernidade. Hoje em
dia, a individualidade se manifesta a todo o momento.
As pessoas não precisam de um contexto de grupo
para se expressar.
Para Edsel Ferri, atual coordenador do DCE da UFRGS,
o individualismo tomou conta da juventude, é
verdade, mas este não é um fato isolado.
O refluxo dos movimentos sociais é um fenômeno
de toda a sociedade, opina. A atomização
é conseqüência da ideologia neoliberal,
segundo a qual o associativismo é algo negativo,
superado e desnecessário. Além disso,
a disputa no mercado de trabalho virou uma verdadeira
guerra, o que intensifica o individualismo, observa
o ex-prefeito de Porto Alegre, Raul Pont. Em 1968, ele
presidiu o DCE Livre da UFRGS a ditadura havia
proibido as eleições diretas para as entidades
estudantis e o ME sobrevivia, em grande parte, na clandestinidade.
Há também uma fragilização
das entidades e uma carência de projetos específicos
para a universidade. Por que não propor a adoção
de um orçamento participativo nas instituições
de ensino estatais, com a participação
de alunos, professores, funcionários e da comunidade
à qual está vinculada? Pont sugere
ainda que, no caso das escolas particulares, as entidades
estudantis reivindiquem a abertura das contas, para
saber se é necessário mesmo pagar mensalidades
tão salgadas. |
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