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A
entrevista desta edição do Extra Classe, feita com
o patrono da Feira do Livro e nosso emérito colaborador
Barbosa Lessa, foi feita pela equipe do EC seguindo os moldes
das antológicas entrevistas realizadas por O Pasquim, semanário
brasileiro surgido no final dos anos 60 que tornou-se ícone
da imprensa independente brasileira. A idéia de fazer uma
entrevista utilizando a equipe do jornal como entrevistadores
em vez de apenas um repórter permite a abordagem de ângulos
diversos a partir da experiência e visão de cada
integrante desta equipe, procurando atingir resultados amplos
e pluralistas. Os primeiros Jogos Olímpicos do novo milênio
disputados na longínqua Austrália deixaram uma lição
amarga para os brasileiros em algumas modalidades sobre o tão
propalado espírito de equipe e o mesmo sobre o ideal olímpico,
pelo qual o importante é competir e, mais que isso, fazer
da competição um veículo de crescimento.
A capacidade de trabalhar em equipe, o entrosamento, a compreensão
de que havia fortes expectativas de toda uma população
acompanhando os desenrolar dos jogos: tudo isso parece ter sido,
soberba e descaradamente, chutado para escanteio. A atitude de
treinadores como Wanderley Luxemburgo, procurando jogar a responsabilidade
da derrota sobre os ombros dos atletas, reflete o descalabro de
uma situação que pode ser ampliada para o panorama
nacional. Luxemburgo saiu do Brasil sob uma penca de acusações
e ainda teve o caradurismo de dizer publicamente que todas elas
seriam esquecidas se ganhasse o ouro olímpico. As atuações
pouco convincentes da seleção fizeram com que o
técnico resolvesse culpar os jogadores pelas derrotas,
esquecendo que seu trabalho como coordenador de uma equipe não
é bancar o poderoso chefão, mas integrar-se
à esta equipe e apoiá-la sempre, dividindo a responsabilidade
por vitórias e derrotas. Luxemburgo, com seus ataques de
mau humor e prepotência, revela um comportamento anacrônico
que infelizmente ainda é uso corrente em muitas situações
do cotidiano brasileiro (vide Antônio Carlos Magalhães
et caterva). Posições de chefias e coordenação
são, cada vez menos, posições de mandões
e cada vez mais postos para conciliadores cientes de que, sem
entendimento, ninguém vai a lugar nenhum. Afinal, a democracia
plena passa pelo exercício diário e digno da cidadania
e cidadania plena passa pelo exercício da convivência
tolerante e solidária.
Versão
brasileira
Já
está na rua Diplô Brasil Caderno
de Debates do Le Monde Diplomatique, que nasce com a pretensão
de ajudar a construir um novo caminho para a imprensa. Nada daquele
discurso que infesta a mídia nacional, mas objetividade,
isenção e imparcialidade. Trata-se de um projeto
engajado na busca de alternativas ao atual modelo de globalização.
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