Infância querida, infância perdida
A mesma dinâmica econômica que, no plano material, consagrou a instituição da infância agora decreta o seu fim. Foi no quadro da divisão social do trabalho capitalista que emergiu a caracterização da infância, não apenas enquanto instituição, mas também como mão-de-obra e segmento de mercado. Hoje, a criança constitui um dos nichos mais concorridos e sofisticados do capitalismo. No entanto, na linha abaixo das classes alta e média da pirâmide social brasileira, a noção de infância está sendo condenada à extinção. Cada vez mais, as condições de miséria e exclusão condenam milhares de crianças ao trabalho precoce, à economia informal ou mesmo ao trabalho escravo. Estatísticas regionais e nacionais revelam um cenário estarrecedor, particularmente pela omissão e negligência das autoridades em fazer cumprir a lei, que responsabiliza não apenas as pessoas físicas e jurídicas, mas o próprio Estado por crimes contra a infância.

Miséria, crime e palavras bonitas

Seqüelas Definitivas

Desemprego atinge crianças