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Crise propícia à ruptura política e institucional

Quem vaia apagar a luz?

Acabou o monólogo neoliberal

Quadro é alarmante até para empresários

Roberto Freire: Sustentação relativa

Anthony Garotinho: Modelo falido

Arthur Virgílio: Percalços naturais

José Dirceu *

Vivemos sim uma crise de governabilidade. O país vive um vazio de governo, que é produto da falta de consenso e acordo sobre como sair do impasse em que o Brasil se encontra, resultado desses dez anos de política neoliberal.

O modelo econômico e o tipo de dependência que se estabeleceu para o Brasil aos capitais externos, as dívidas ex-terna e interna, a desnacionalização, a venda do patrimônio público, impossibilitam nosso desenvolvimento social e econômico. O desemprego, a concentração de renda e a inviabilidade dos serviços públicos criam uma situação que qualquer aprofundamento de ajuste se torna inviável do ponto de vista social e político.

A sociedade começa a se dar conta deste impasse e o governo e sua coalizão conservadora perdem apoio social, inclusive em setores que tradicionalmente sempre o sustentaram, as classes médias e o pequeno e médio empresariado.

A crise política ocorre porque não há mais unidade e já há uma disputa por maioria entre a população, uma vez que o governo já é minoria na sociedade. Nomes começam, não só a se lançar à Presidência da República, como também a apresentar propostas, e passam a disputar uma parcela grande da sociedade, tanto do ponto de vista social como eleitoral. ACM faz isso. O PMDB procura começar a fazer, às vezes com Pedro Simon, às vezes com Itamar Franco.

O PT faz isso com outra marca, com a marca da mobilização, da luta social, com Lula. Tem o Ciro Gomes, que tenta fazer uma coalizão de centro-direita (apenas com nome de centro-esquerda) e tem o PDT do Brizola, que começa a ensaiar a candidatura do Garotinho.

E a crise deve se aprofundar exatamente por isso: porque a disputa está instalada. A instabilidade é permanente. Basta ver a crise do Plano Plurianual. E há, também, uma crise política institucional, a crise no Judiciário, a crise da ética e da representatividade do Congresso Nacional, a crise dos partidos.

Há, realmente, no país um momento propício para uma ruptura política. O que se faz necessário agora é evitar que essa ruptura seja um retrocesso democrático, com saídas autoritárias e/ou parlamentaristas. Há que se fazer uma ruptura que seja uma ampla reforma democrática no país, além da mudança no modelo econômico e da instalação de uma nova política econômica que represente um choque de distribuição de renda no país.

*José Dirceu é deputado federal, presidente nacional do PT

 

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