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Crise propícia
à ruptura política e institucional
José
Dirceu *
Vivemos
sim uma crise de governabilidade. O país vive um vazio de governo,
que é produto da falta de consenso e acordo sobre como sair do
impasse em que o Brasil se encontra, resultado desses dez anos
de política neoliberal.
O modelo econômico
e o tipo de dependência que se estabeleceu para o Brasil aos
capitais externos, as dívidas ex-terna e interna, a desnacionalização,
a venda do patrimônio público, impossibilitam nosso desenvolvimento
social e econômico. O desemprego, a concentração de renda e a
inviabilidade dos serviços públicos criam uma situação que qualquer
aprofundamento de ajuste se torna inviável do ponto de vista social
e político.
A sociedade
começa a se dar conta deste impasse e o governo e sua coalizão
conservadora perdem apoio social, inclusive em setores que tradicionalmente
sempre o sustentaram, as classes médias e o pequeno e médio empresariado.
A crise política
ocorre porque não há mais unidade e já há uma disputa por maioria
entre a população, uma vez que o governo já é minoria na sociedade.
Nomes começam, não só a se lançar à Presidência da República,
como também a apresentar propostas, e passam a disputar uma parcela
grande da sociedade, tanto do ponto de vista social como eleitoral.
ACM faz isso. O PMDB procura começar a fazer, às vezes com Pedro
Simon, às vezes com Itamar Franco.
O PT faz isso
com outra marca, com a marca da mobilização, da luta social,
com Lula. Tem o Ciro Gomes, que tenta fazer uma coalizão de centro-direita
(apenas com nome de centro-esquerda) e tem o PDT do Brizola,
que começa a ensaiar a candidatura do Garotinho.
E a crise
deve se aprofundar exatamente por isso: porque a disputa está
instalada. A instabilidade é permanente. Basta ver a crise do
Plano Plurianual. E há, também, uma crise política institucional,
a crise no Judiciário, a crise da ética e da representatividade
do Congresso Nacional, a crise dos partidos.
Há, realmente,
no país um momento propício para uma ruptura política. O que se
faz necessário agora é evitar que essa ruptura seja um retrocesso
democrático, com saídas autoritárias e/ou parlamentaristas. Há
que se fazer uma ruptura que seja uma ampla reforma democrática
no país, além da mudança no modelo econômico e da instalação de
uma nova política econômica que represente um choque de distribuição
de renda no país.
*José Dirceu
é deputado federal, presidente nacional do PT
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