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Modelo
falido
Anthony
Garotinho *
O
principal problema do governo Fernando Henrique está na insistência
em um modelo econômico que privilegia o capital especulativo -
nacional e internacional - em detrimento da produção do trabalho.
Os índices de desemprego e as altas taxas de juros são os resultados
mais eloqüentes dessa política econômica nefasta país, responsável
também pelos índices recordes de impopularidade do presidente.
Além desse
desastre na área econômica, o governo federal ainda não conseguiu
produzir uma agenda positiva para o Brasil, com o desenvolvimento
de políticas sociais que, pelo menos, minimizem a grave situação
da maioria do nosso povo.
O “Avança
Brasil” poderia ser uma tentativa de apontar para uma agenda positiva,
mas seu lançamento grandiloqüente, a ênfase excessiva nas questões
macro-econômicas em detrimento das políticas sociais e a falta
de entusiasmo demonstrado pelas próprias bases do governo mostram
que ainda falta rumo ao Palácio Planalto. Mesmo como paliativo,
o “Avança Brasil” é muito pouco para dar à população a esperança
de novos tempos, o que necessita neste momento para enfrentar
os momentos difíceis pelo que passamos em nosso país.
O papel da
oposição é mais do que nunca denunciar o modelo econômico, apontando
alternativas e mostrando que as empresas nacionais e os trabalhadores
não podem continuar suportando os juros estratosféricos. As pequenas
reduções nas taxas, determinadas recentemente pelo Banco Central,
são fruto, principalmente, da pressão da sociedade, dos partidos
oposicionistas, dos empresários, dos sindicatos, de todos aqueles
que querem um Brasil voltado para a produção e para a geração
de emprego e renda para a toda a população.
Se o Congresso
Nacional conseguir reformular a legislação fiscal para que a
cobrança recaia sobre o consumo e não sobre a produção, e a
distribuição da arrecadação e das responsabilidades seja equânime,
a reforma tributária pode tornar-se o primeiro passo para uma
política real de desenvolvimento.
A impopularidade
do governo Fernando Henrique tem gerado o lançamento prematuro
de candidaturas à presidência, tanto na base governista como
na oposição. Eu mesmo já fui lembrado por correligionários, mas
tenho repetido: no momento, sou candidato apenas a ser o melhor
governador que o Rio de Janeiro já teve. O Brasil precisa, no
momento, que cada um cumpra o seu papel: governo federal, Congresso,
oposição, governos estaduais e a sociedade organizada devem
agir para tirar o país da crise e apontar um futuro melhor para
todos.
*Anthony
Garotinho é governador do Rio de Janeiro (PDT)
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