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Modelo falido

Quem vaia apagar a luz?

Acabou o monólogo neoliberal

Quadro é alarmante até para empresários

Roberto Freire: Sustentação relativa

José Dirceu: Crise propícia à ruptura política e institucional

Arthur Virgílio: Percalços naturais

Anthony Garotinho *

O principal problema do governo Fernando Henrique está na insistência em um modelo econômico que privilegia o capital especulativo - nacional e internacional - em detrimento da produção do trabalho. Os índices de desemprego e as altas taxas de juros são os resultados mais eloqüentes dessa política econômica nefasta país, responsável também pelos índices recordes de impopularidade do presidente.

Além desse desastre na área econômica, o governo federal ainda não conseguiu produzir uma agenda positiva para o Brasil, com o desenvolvimento de políticas sociais que, pelo menos, minimizem a grave situação da maioria do nosso povo.

O “Avança Brasil” poderia ser uma tentativa de apontar para uma agenda positiva, mas seu lançamento grandiloqüente, a ênfase excessiva nas questões macro-econômicas em detrimento das políticas sociais e a falta de entusiasmo demonstrado pelas próprias bases do governo mostram que ainda falta rumo ao Palácio Planalto. Mesmo como paliativo, o “Avança Brasil” é muito pouco para dar à população a esperança de novos tempos, o que necessita neste momento para enfrentar os momentos difíceis pelo que passamos em nosso país.

O papel da oposição é mais do que nunca denunciar o modelo econômico, apontando alternativas e mostrando que as empresas nacionais e os trabalhadores não podem continuar suportando os juros estratosféricos. As pequenas reduções nas taxas, determinadas recentemente pelo Banco Central, são fruto, principalmente, da pressão da sociedade, dos partidos oposicionistas, dos empresários, dos sindicatos, de todos aqueles que querem um Brasil voltado para a produção e para a geração de emprego e renda para a toda a população.

Se o Congresso Nacional conseguir reformular a legislação fiscal para que a cobrança recaia sobre o consumo e não sobre a produção, e a distribuição da arrecadação e das responsabilidades seja equânime, a reforma tributária pode tornar-se o primeiro passo para uma política real de desenvolvimento.

A impopularidade do governo Fernando Henrique tem gerado o lançamento prematuro de candidaturas à presidência, tanto na base governista como na oposição. Eu mesmo já fui lembrado por correligionários, mas tenho repetido: no momento, sou candidato apenas a ser o melhor governador que o Rio de Janeiro já teve. O Brasil precisa, no momento, que cada um cumpra o seu papel: governo federal, Congresso, oposição, governos estaduais e a sociedade organizada devem agir para tirar o país da crise e apontar um futuro melhor para todos.

*Anthony Garotinho é governador do Rio de Janeiro (PDT)

 

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