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Imprevidência
fatal
Entre a fatalidade
e a imprevidência há uma enorme distância.
Quando alguém sai de casa para mais um dia de trabalho
e envolve-se num acidente, às vezes de conseqüências
extremas, é algo lamentável mas, por vezes, inevitável.
Quando não há um fato acidental, ou o acidental
torna-se cotidiano e habitual, estamos diante da imprevidência.
O Brasil tem vivido quase sempre à beira dos limites da
imprevidência social e econômica. As estatísticas
revelam um trânsito ainda caótico, onde acidentes
são muito mais resultados da imprudência do que de
uma pouco provável fatalidade. Números do Brasil
revelam que o país tem milhões de pessoas vivendo
à margem de qualquer sistema de sustentação
social que garanta uma sobrevivência com o mínimo
de dignidade. Enquanto isso, FHC ergue a bandeira de exportar
ou morrer. Necessário se faz dizer que embora a exportação
possa ser um alavanca para novos empregos, a verdade é
que ainda há uma situação interna muito grave
demandando providências urgentes, as quais não são
sequer aventadas. O que se vê, na posse de mais um ministro
do Desenvolvimento, o quarto desse governo, é, mais uma
vez, a confraternização das elites e o aplauso incondicional
dos grandes empresários a quem defende com afinco seus
interesses, ou seja, FHC e sua equipe, Há muitos anos,
quando ainda não fazia discursos apologéticos a
ACM, Caetano Veloso resumiu, bem ao seu estilo, a utopia humanista
em um único verso: gente é pra brilhar, não
pra morrer de fome. Infelizmente, no Brasil ainda estamos longe
desse objetivo.
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