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Saudades
do futuro
Jimi
Joe
Parece coisa de ficção científica, mas é
só a realidade. O processo de criação de
máquinas inteligentes é cada vez mais apurado. Daqui
a pouco teremos eletrodomésticos capazes de identificar
o estado de ânimo de seus proprietários pelo tom
da voz, casas dotadas de aparelhos com os quais os usuários
poderão interagir plenamente. Mas se alguém aí
está pensando em coisa tipo Blade Runner, replicantes e
andróides, pode esquecer. As novas máquinas, por
mais humanizadas que se tornem, dificilmente chegarão
a tal ponto. Um dos pesquisadores que diz isso é o gaúcho
Eduardo Reck Miranda, 39 anos, há 10 vivendo fora do Brasil,
e atualmente trabalhando no laboratório de ciência
da computação da Sony, em Paris.
O computador do futuro não vai ser essa caixa que
nós conhecemos. Vai haver uma evolução para
a interação total. Não será mais uma
relação como agora com o computador, mas sim uma
identificação através do gesto, da voz,
diz Miranda. Segundo ele, a tendência é a uma interação
geral, com tudo ligado em rede. Os utilitários domésticos
nas casas estarão ligados a centrais capazes de identificar
necessidades dos consumidores. Sobre a possibilidades de uma automação
excessiva, Miranda reconhece que devem existir limites tecnológicos
mas alerta que o futuro é uma incógnita em vários
aspectos.
Miranda
acredita que as inovações tecnológicas
devem se popularizar com o tempo |
Somente na
Sony, onde ele desenvolve seu trabalho de pesquisa centrado no
campo da síntese de sons, no qual é especialista,
ele diz que há vários grupos estudando e pesquisando
as mais diversas possibilidades na área da inteligência
artificial. São vários laboratórios
que vão além da pesquisa básica. Na verdade,
é um caldeirão de idéias de onde podem surgir
novidades importantes nos próximos cinco ou seis anos.
Já há coisas surgindo agora. Uma dessas novidades
deve ser o super CD. Esse novo formato vai abrir novas possibilidades.
Uma delas, por exemplo, é a do consumidor poder fazer a
sua própria mixagem do disco, pois os canais de gravação,
como foram gravados no estúdio pelos músicos, viriam
em aberto. Além da capacidade lúdica, o super
CD insere-se num mercado específico formado por milhares
de músicos e estudantes de música em todo o mundo.
Esse tipo de mídia pode ser usado para estudo. Um
pianista ou um violinista, por exemplo, poderão ensaiar
concertos sem a necessidade de arregimentar toda uma orquestra.
Miranda também está envolvido na pesquisa de novos
mecanismos de busca de músicas na rede. A idéia
é criar uma espécie de cadastro. Quando a pessoa
acessa o site, deixa registradas suas preferências. Com
isso, a empresa pode oferecer produtos semelhantes que muitas
vezes o consumidor nem sabe que existem. Mas o que parece
entusiasmar mais a Miranda é a possibilidade da criação
de máquinas inteligentes. Meu trabalho com a síntese
de som deve ser aplicado a máquinas que poderão
dialogar com as pessoas, fugindo ao uso habitual do computador.
A idéia é permitir o uso da audição,
da fala, a identificação da emoção.
Ciente de que trabalha no desenvolvimento de idéias que
devem gerar produtos a princípio acessíveis a uma
parcela privilegiada da população, Eduardo Reck
Miranda acredita que todas as inovações tecnológicas
que estão sendo engendradas nos laboratórios tendem
a se popularizarem com o tempo. Ainda que levem alguns anos. Foi
assim com a televisão, lembra. Atualmente, ele acredita
que esse período para que uma inovação tecnológica
atinja as camadas da população menos favorecidas
economicamente tende a ser menor, como aconteceu com a telefonia
celular.
Quem
é Eduardo Reck Miranda
Eduardo Reck Miranda nasceu em Porto Alegre em 1963. Graduado
em Processamento de Dados pela Unisinos em 1985, aos 22 anos,
passou pelo Instituto de Artes da UFRGS antes de ir para a
Europa. Em 1991 defendeu tese de Mestrado na Universidade
de York, na Inglaterra, e em 1995 concluiu e defendeu sua
tese de doutorado na área de Inteligência Artificial
na Universidade de Edimburgo, na Escócia. Um dos fundadores
do Núcleo de Computação em Música,
Miranda tem participado e dirigido festivais e simpósios
de música eletroacústica. Com dois livros editados
(Computer Sound Synthesis for the Electronic Musician e Composing
Music with Computers) e composições premiadas
em concursos na França e Itália, ele prepara
um primeiro CD solo com suas composições que
são freqüentemente executadas em festivais de
música contemporânea em diversos países. |
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