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Carolina
Elisa
Lucinda
Chove
um fevereiro de rápida chuva e folia mudança minha
dos móveis dos quarto. Eu faço entrar agora um novo
vento pela janela um vento nunca dantes entrado eu faço
soprar por sobre minha cama.
O sono forte já deixou claro que não quer que eu
te espere musculatura lenta tecla preguiçosa o piano da
digitação.
Pouca voz rouquidão natural somada ao carnaval de ontem.
Só a alma resiste vitoriosa insiste em esperar pelo bom
senso do seu desabuso. Olho por cima da janela os carros lá
embaixo no molhado da rua ver se dentro de algum estará
você chegando no meio da madrugada. Não gosto de
ficar olhando esperando homens em janelas feito Carolinas cansando
cotovelos. Não gosto. Mas olho mesmo assim.
Trago umas picuinhas de esperas adolescentes que não me
largam vento. O amor me põe por demais de calcinha, penso.
Que diabos existe por dentro do querer que faz costuras sem limites
nas esperas? Que quimera alimenta de tal jeito essa alma que nela
gera a ansiedade das repetições do mesmo gesto?
Voltar a janela, flexionar o pescoço, fumar e fingir que
estou calma.
Ai o feminino e seus doze multiplicantes trabalhos de Hércules!
Ai o feminino e seu meticuloso raio amoroso que invade ruas asfaltos
gavetas vestidos camas e tapetes.
Outra vez o sono força a barra e grita desta vez sobre
as pálpebras moles dos olhos que foram ao carnaval ontem.
A literatura percebe que é apenas um passar tempo enquanto
o outro não vem.
Providência de comprar amanhã agulhas para furar
a bolha a que seu medo nos condena.
Que mistério nos confina à madrugadas como amantes
proibidos?
Perguntas empurradas para o dia seguinte. Agora é mesmo
render-se ao sono que me abraça melhor do que você
faria.
Janela de onde vem o vento e onde certamente dormirá a
espera.
elisalucinda@radnet.com.br
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