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Sumindo do mapa
Nei
Lisboa
Rola
na Internet um mapa metido a engraçadinho do continente
sul-americano, onde a área correspondente à Argentina
aparece (ou desaparece) como uma extensão do Atlântico
intitulada Mar da Alegria. Alegria, supõe-se,
pela crise a que o país vizinho vem sendo submetido, e
que o levaria a uma virtual supressão como nação.
É de impressionar, de fato, a profundidade do desastre
econômico e social imposto aos argentinos pelo consórcio
internacional da agiotagem e do livre-comércio ao longo
dos governos Menem e De la Rúa e pelos próprios
argentinos que os elegeram. É lógica das mais difíceis
de se entender, se não admitirmos a infinita sordidez e
inconsciência dos seres humanos, que um país deixe
a tormenta de décadas de ditadura militar para mergulhar
em décadas de esquartejamento sócio-econômico
da população, com os mesmos patrocinadores. Coisas
da Argentina, claro. Por aqui é tudo muito diferente, e
se dia desses aparecer um outro mapa na Internet, onde a área
correspondente ao Brasil desapareça dentro de um, digamos,
Mar del Contentamiento, será apenas provocação.
Mas, por via das dúvidas, compre um colete salva-vidas.
* * *
Agradeço,
sensibilizado, as dezenas de mensagens e cumprimentos, mas sou
obrigado a revelar eu não sou o pai da Anita! A
confusão com a Mel Lisboa, que interpreta a personagem
na minissérie da Globo, corre por conta de que o pai (o
Bebeto Alves) é um compositor gaúcho, e a mãe
(a Claudia Lisboa) lhe empresta um sobrenome igual ao meu, embora
não tenhamos nenhum parentesco. Brinquei com a situação
em um show, dizendo que o Bebeto deveria assumir que a Mel fora
adotada numa época em que eu não tinha condições
de criá-la. Dias depois, descobri espantado que essa história
andava sendo contada à sério. Definitivamente, na
teledramaturgia do mundo, acredita-se no que parece ou no que
se quer, e a realidade que se dane.
* * *
Começou
quase sem aviso, e os portoalegrenses ficaram se perguntando o
que seriam aquelas largas faixas verdes nos cruzamentos, os totens
de sinalização, as obras em canteiros. Achei o suspense
tão genial quanto a idéia de uma ciclovia dominical
(será que é isso mesmo!?) de simples construção,
ligando vários parques da cidade. Parece que inaugura nesse
início de setembro, e a primavera da cidade vai ficar ainda
mais interessante com esse fluxo de gente pedalando de um lado
a outro. No dia da largada, vou chegar bem cedinho e tentar uma
pole position com o meu triciclo.
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