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Na
pressão
Andavam dizendo
que o Extra Classe dava atenção demais a assuntos pesados, as
matérias não apontavam solução nenhuma para as eternas crises,
que resolvemos mudar um pouco de assunto. É assim mesmo que funciona
o jornalismo: sob pressão. Se gostam do jornal, mas consideram-
no excessivamente sério, lá vamos nós levantar as boas notícias
que nos rondam para falar também um pouco delas.
E foi isso
que a repórter Dóris Fialcoff fez durante todo o mês de agosto.
Ela foi ouvir as histórias desses obstinados inventores que usam
a criatividade para criar um mundo novo e, com isso, apontar a
todos nós o caminho. É a perseverança. A obstinação. A vontade.
Em alguma dimensão, a própria teimosia. Nada melhor que falar
dessas características - presentes na maioria de nós, mas trabalhada
por poucos - para mudar um pouco de rumo.
O panorama
que a repórter traçou, no entanto, não pôde diferir muito do
quadro de dificuldade que tem rondado as reportagens do Extra
Classe. Enquanto sobra criatividade a nossos inventores, falta
apoio para as engenhocas saírem das planilhas. E olhem que não
estamos falando de inventos mirabolantes. Não. Nossos homens
e mulheres de idéias estão ocupados em facilitar a vida das pessoas,
em tornar o cotidiano mais simples, em avançar na tarefa que todos
temos de construir um mundo melhor. Mas, ainda assim, custa muito
a governos e empresários acreditar nessas boas intenções.
O resultado
pode ser acompanhado em quatro páginas, onde o leitor poderá encontrar
também um quadro com os inventos que deverão ser encontrados no
mercado já a partir do ano que vem. Não estamos falando de inventar
um carro voador ou coisa que o valha. São inventos saídos das
cabeças de nossos inquietos pesquisadores, que na maioria das
vezes nem passam pelas universidades mas que se mostram mais úteis
que anos de pesquisa teórica. A reportagem aborda também essa
questão: como conciliar a rigidez e a formalidade da pesquisa
cientiífica com a liberdade e o improviso próprios da invenção
tecnológica?
Mas não temos
só isso. O Extra Classe lembra também dos 20 anos da anistia e
entrevista dois intelectuais da cultura gaúcha que falam sobre
um mito: o homem do pampa. Paixão Côrtes e Vítor Ramil têm em
comum apenas o fato de fazerem de seu trabalho um mergulho no
cotidiano, na história e na fascinante trajetória de um povo
marcado pelas suas lutas e pela sua geografia. São visões que
acrescentam densidade a uma data cada vez menos lembrada por nós,
o 20 de setembro.
O Editor
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