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Bandeira
empunhada por muitas mulheres
A
luta pela anistia no Brasil ficou marcada na história pela participação
de mulheres que empunharam essa bandeira país a fora, começando
por São Paulo e Rio Grande do Sul. A lei da anistia foi promulgada
em 28 de agosto de 1979 e ampliada duas vezes: na Constituinte
(1985) e na Nova Constituição (1988).
Lançado em
São Paulo pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, na Semana Santa
de 1975, o movimento pela anistia era apartidário. A paulista
Terezinha Zerbini, que foi presa durante a ditadura, (1964-1979)
tornou-se sua primeira coordenadora nacional. Terezinha pediu
que se levantassem os nomes de todos os presos políticos dentro
e fora do país. Esta tarefa marcou o início do movimento.
Aqui no Rio
Grande do Sul, no entanto, a história começou um ano antes, quando
Mila Cauduro, candidata a deputada estadual em 1974, usou os
palanques para pregar a anistia. Mila era candidata pelo MDB
(Movimento Democrático Brasileiro), a frente de oposição. Ela
inseriu em sua pregação eleitoral a luta pela anistia ampla,
a revogação dos atos institucionais e eleições diretas.
Brizolista,
Mila queria aproveitar sua campanha para poder falar do exílio
do ex-governador Leonel Brizola. “Ele estava exilado e sequer
se podia falar o nome dele no Brasil; era um terror, estávamos
num regime de força”, relata.
Com o movimento
iniciado em São Paulo, Terezinha queria alguém para contato no
Rio Grande do Sul. Na capital paulista, foi aconselhada por uma
amiga, a também ex-prisioneira Dilma Rouseff (hoje secretária
estadual de Energia, Minas e Comunicação) a procurar a então
estudante de Ciências Sociais Lícia Peres, casada com o vereador
de oposição Glênio Peres. Era 1975, Ano Internacional da Mulher.
Lícia e Dilma se conheceram. Dilma levou para a estudante o “Manifesto
da Mulher Brasileira em Favor da Anistia”, onde se lia: “eis
por que, neste Ano Internacional da Mulher, nós nos antepomos
aos destinos da Nação, que só cumprirá sua finalidade de paz
se for concedida anistia ampla e geral a todos aqueles que foram
atingidos pelos atos de exceção”.
Lícia aceitou
a tarefa e se tornou a primeira presidente do Comitê pela Anistia
no Rio Grande do Sul. Imediatamente entrou em contato com Mila,
devido à repercussão de sua defesa na anistia durante a campanha
no ano anterior. “Foi uma luta humana, fraterna, muito política
e apartidária”, lembra Mila, que assumiu a presidência da entidade
um ano depois.
Em 31 de janeiro
de 1977, Glênio Peres foi cassado após seu discurso de posse na
Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Naquele dia, ele disse que
o papel de um vereador não seria o de se preocupar com buracos
de rua, porque o grande buraco era a falta de direitos humanos.
Seu companheiro de partido, o estreante Marcos Klasman, foi solidário
com ele e no dia seguinte repetiu o mesmo discurso. Também foi
cassado. Os mandatos foram recuperados dois anos e meio depois,
com a anistia.
À frente do
movimento, as mulheres passaram a percorrer ruas, fábricas, escolas
e igrejas recolhendo assinaturas em favor da anistia. “A maioria
das pessoas sequer conheciam essa palavra e perguntavam o que
significava; explicávamos que era uma luta para fazer voltar ao
país as pessoas expulsas pelo regime militar”, conta Mila.
Aos 83 anos,
Mila Cauduro, ex-secretária da Cultura no governo Collares, relembra
emocionada a luta que protagonizou. “Aquele não era um movimento
de ódio, mas um movimento humano. Achávamos que todos os brasileiros
tinham o direito de viver no Brasil, defendendo suas idéias”.
René Cabrales percorreu ruas, fábricas e escolas: palavra desconhecida
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