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E agora, Fernando?

Teus filhos não fogem à luta...

Multidão nas ruas de Brasília protesta contra a política econômica do governo e pede a renúncia de FHC

Da redação

Foi uma multidão, que variou das 60 mil (na avaliação da Polícia Militar de Brasília) a 130 mil pessoas (na avaliação dos organizadores). O número não importa. O fato é que milhares de pessoas se reuniram em Brasília no ensolarado dia 26 de agosto para pedir o fim da política econômica recessiva e a renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi a maior manifestação contra o atual presidente em cinco anos de mandato, justamente quando ele chega a seu mais baixo índice de popularidade (menos de 50%). No auge do processo de impeachment contra o ex-presidente Fernando Collor, 25 mil estudantes ocuparam a Esplanada dos Ministérios para apoiar os trabalhos da CPI do Orçamento.

Como manifestação, não há dúvida que esta foi uma das maiores que a capital do país já viu. “Que FHC e sua corja jamais ousem duvidar da capacidade de organização da sociedade”, vociferou um animado Luis Inácio Lula da Silva em meio à multidão. O sucesso da Marcha dos Cem Mil, organizada durante quatro meses pelaCentral Única dos Trabalhadores (CUT) com apoio de partidos de oposição, provocou uma onda de novas manifestações contra o governo. “Temos de fazer milhares de atos como estes até tirar essa gente do poder”, disse Lula. O calendário firmado na Marcha prevê a proposta de uma greve nacional marcada para 8 de outubro. “Eu estou solidário com tudo o que se fizer contra este governo. O que o Brasil precise e reclama é a renúncia do presidente”, disse Leonel Brizola, presente ao ato.

Não foi a única manifestação do dia pedindo o afastamento do presidente. O senador Roberto Requião (PMDB) disse que FH não manda mais no país. “Somos governados pelo Banco Central e pelo Armínio Fraga (presidente do BC)”, atacou o senador. A Marcha custou cerca de R$ 2 milhões aos organizadores, incluindo aí transporte, alimentação, propaganda e estrutura de som e palanque. Foram alugados 1.833 ônibus para transportar os manifestantes até Brasília. O governador gaúcho Olívio Dutra foi o único a comparecer no ato de oposição ao governo. Ele disse que estava na Marcha representando o povo gaúcho. Nas duas eleições presidenciais em que foi eleito, FH perdeu no Rio Grande do Sul. O governador Itamar Franco, de Minas Gerais, disse de Belo Horizonte que o ato deve servir de lição ao governo. “A partir dessa marcha, espero que o governo possa atentar que hoje está indo contra os interesses da maioria, que ele está desnacionalizando o país, levando a uma política recessiva”, disse.

O presidente não falou sobre o protesto. Deixou a missão de minimizar o ato para o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). “Foi um fracasso. Não tinha 30 mil pessoas aí”, decretou ACM. Segundo ele, os organizadores da marcha erraram ao pedir a renúncia ou o afastamento do presidente Fernando Henrique Cardoso. “Aposto que a popularidade do presidente vai crescer em função desse insucesso”, previu. Dez dias depois do ato, no entanto, os descontentes com os rumos do governo continuavam sendo maioria entre os brasileiros: segundo o Ibope, 52% da população considera a gestão de FH ruim ou péssima.

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