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Artigo*
Teus filhos
não fogem à luta...
Ao submeter
o país à política neoliberal, FHC encurralou o Brasil numa brutal
crise econômica. Promoveu a desestruturação produtiva e um endividamento
sem igual. A recessão se aprofunda, enquanto o desemprego atinge
o seu recorde histórico. Somente na grande Porto Alegre são mais
de 300 mil. O país está prisioneiro do capital especulativo globalizado.
Os banqueiros auxiliados pelo governo federal (US$ 20 bilhões)
declaram lucros históricos.
O governo
FHC liquidou 76% do patrimônio público em nome de investimentos
na área social (saúde, educação etc.). O ensino público abandonado
sofre com a diminuição de recursos, não há política agrícola e
agrária, arrocho ao funcionalismo, juros altos, aumento das tarifas,
pedágios, saúde às traças. Enfim, um verdadeiro desmonte da nação.
Nem mais as
imensas concessões fisiológicas colam a base governista, que
em nome da sobrevivência política aparecem com discursos de
oposição. Até a mídia, especialmente os grandes grupos de comunicação,
tenta disfarçar a crise, quer sustentar o mandato de FH sem o
entusiasmo com que o fizeram em 1994.
Acontece que
no Brasil há uma sociedade civil forte, consciente e organizada,
e isto está a definir novos rumos para o Brasil. A Marcha do
Cem Mil é a demonstração cabal desta realidade. A indignação
é grande e será maior ainda se as coisas não mudarem, o que é
pouco provável. A marcha foi o protesto daqueles que querem um
projeto nacional soberano. Fundou uma escola que propõe matricular
todo o cidadão que quer mudanças, terra, trabalho e um futuro
melhor para seu país. Esta marcha foi apenas o início, outras
acontecerão; vem aí o Grito dos Excluídos, o Ato em Defesa da
Saúde Pública, Greve Nacional dos Metalúrgicos, a Marcha dos
Sem Terra, atos que mostram o grau de desgaste deste governo.
O que surpreende
é que o ato, contundente e ordeiro, foi interpretado como um
movimento golpista, uma ofensa à democracia. É importante observar
que em momentos de tão baixa popularidade os oportunistas começam
a desembarcar do projeto neoliberal para disputar espaço ou propor
velhas fórmulas já conhecidas. Está em curso um período de turbulência
em que as lutas sociais deverão estar acompanhadas de muita serenidade.
O grande desafio
é barrar este processo de desconstrução nacional promovido por
FHC e pela estratégia neoliberal e acumular forças no sentido
de buscar alternativas que resgatem a dignidade humana a ética
e a justiça social e se construa um Brasil para todos os brasileiros.
*Amarildo
Pedro Cenci é diretor do Sinpro/RS
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