Do livro para o palco
César Fraga
“Os professores, inclusive, estão
cada dia mais idiotas, porque não têm mais curiosidade.
Professor que não se pergunta, que não se move,
não tem jeito. A perda salarial e de status e o fato
de a profissão de professor ter se tornado de quinta
categoria fazem parte do jogo. Neutraliza-se a figura, o
papel e a função do professor; inventa-se faculdade
em qualquer lugar; torna-se obrigatório cursar a universidade,
para o quê ninguém sabe, e se perpetua essa
relação.”
Fanny Abramovich |
Divulgação
A atriz Eloisa Palaoro encarna
a professora de 30 anos
em monólogo |

A companhia teatral Etceteraetal... adaptou
Que raio de professora sou eu? (Ed. Scipione, 96 páginas), livro da escritora
e pedagoga Fanny Abramovich (detentora da marca de 1 milhão
de livros vendidos e 40 publicações que se dividem
entre a didática e a literatura infanto-juvenil). Seguindo
o formato de comédia romântica, Que Raio de Professora
Sou Eu?, no teatro, fala sobre a vida de uma professora na
faixa dos 30 anos que decide remexer no seu passado no dia
da mudança de apartamento. O livro, apesar de escrito
em 1990 (está na 6ª edição), ainda
não perdeu o mote e sua atualidade: propõe de
maneira divertida e crítica uma discussão acerca
da prática docente, o que está muito bem adaptado
no roteiro de Artur José Pinto. A peça que é dirigida
por Nestor Monastério e estrelada pela atriz e professora
do ensino privado Eloísa Palaoro, tratando, com fidelidade
ao livro, das emoções, dos sonhos, dos pesadelos,
dos amores e desamores, das frustrações e das
realizações de uma mulher que, em um determinado
tempo de sua vida, percebeu quais foram seus velhos erros e
se pergunta: “Que raio de professora sou eu?”.
Enquanto arruma seus pertences, embrulhados para a mudança,
ela faz uma reflexão sobre o que realizou e sobre o
que nunca saiu do plano dos sonhos. Laura, a única personagem
do espetáculo é uma professora de história
idealista que acredita que não apenas sua matéria,
como seu ofício podem ajudar a mudar o mundo e obviamente
frustra-se com a realidade que a cerca. Ela relembra princípios,
ideais, sentimentos e projetos de vida.
Vale lembrar que Fanny Abramovich escreveu este texto inicialmenete
para leitores de 7ª e 8ª séries e declarou-se
surpresa ao saber que a obra estava sendo utilizada em cursos
de pós-graduação em Educação.
A autora estará em Porto Alegre, a convite do Sinpro/RS,
nos dias 4 e 5 de maio, quando assistirá à peça
e ministrará palestra no projeto “Fome só de
Saber”.
O espetáculo ocorrerá de 4 a 27 de maio de 2004,
no Teatro Bruno Kiefer (Rua dos Andradas, 736). As apresentações
acontecem às terças-feiras, 20h; quartas-feiras,
16h e 20h; e quintas-feiras, às 20h. Os ingressos custam
R$ 8,00 para sócios do Sinpro/RS e R$ 16,00 para o público
em geral. Informações: (51) 3226.2349 ou pelo
email:
glaborge@terra.com.br