Ano 12 - nº 116
AGOSTO de 2007



Luis Fernando Verissimo
Uma tragédia esperando para acontecer. O mesmo pensamento deve ter passado pela cabeça de todos que pousavam ou decolavam no aeroporto de Congonhas. A extensão da tragédia dependia da imaginação de cada um.



Elisa Lucinda
De braços abertos pensando em você
meu gesto é a construção do abraço,
o abraço é a poesia do gesto.
Faço uma linha de horizonte no céu
enquanto meu morro te envolve.




Fraga

O poliglota, além da língua materna, era fluente em mais 16. Arranhava outras 5, machucava 2 e massacrava 3. E ainda se saía bem em 9 dialetos e se dava mal em 4.



Marco Aurélio Weissheimer

Há um caldo de cultura perigoso formando-se no ambiente político brasileiro. A crise aérea e a tragédia de Congonhas atingiram em cheio o governo Lula, que não vem conseguindo resolver os graves problemas que se materializaram nos aeroportos brasileiros.





Entre o caos e o oportunismo

acidente no vôo 3054 da TAM, o mais triste e lamentável episódio da história da aviação brasileira pelo número de vítimas que dele resultou, acabou se transformando de forma ainda mais nauseante em show midiático e palco político para os oportunistas de plantão. Nas primeiras horas da cobertura de imprensa, já se apontavam culpados e reduzia-se a tragédia das famílias à mera moeda a ser usada a serviço de interesses, que certamente nada ou pouco tinham a ver com o que naquele fatídico momento acontecia. Só não se tocava na questão central do chamado caos aéreo e suas razões, se é que a crise aérea realmente pode ser responsabilizada sozinha pelo acidente, como o velho e nem tão bom jornalismo brasileiro cravou em suas manchetes de forma afoita minutos depois da colisão do avião da TAM com o prédio da própria empresa.

Mas o importante naquele momento era encontrar culpados, como se apenas um fator fosse determinante à queda de um avião. Era nitidamente constrangedora a fisionomia contrariada de jornalistas, quando eram desmentidos ou tinham suas teses relativizadas por especialistas em aviação, que diziam que acidentes como esses estavam dentro das margens de risco aceitas ou que diversos fatores contribuem para a queda de um avião. E a tal questão deixada de lado pode ser chamada de ganância do mercado. A tese, que era óbvia, só começou a ventilar na imprensa dias depois, afinal já não dava para omitir a co-responsabilidade dos anunciantes – as empresas aéreas. As novas companhias que passaram a atuar no mercado brasileiro nas últimas décadas e até mesmo em anos recentes, muito endeuzadas pelo seu arrojo nos negócios, sempre priorizaram o lucro fácil às custas de itens de conforto, escassez de funcionários (turnos mais longos), o que fez despencar os custos e aumentar a venda de passagens acima do que nossa estrutura aeroportuária suporta. E aí sim entra a omissão do governo, que não regula nem fiscaliza direito esse grande negócio, além de submeter-se aos interesses das companhias, que optam por trabalhar no limite das margens de risco. Mas lembremos que muitas das vozes da mídia que agora acusam essa omissão sempre defenderam que o governo deve deixar o mercado regular-se a si mesmo. Como se o mercado priorizasse as vidas às cifras. A verdade é que o mercado vê possíveis acidentes como estatísticas aceitáveis e perfeitamente dentro das chamadas margens de risco já citadas. Vivemos pelas regras do mercado e como sociedade devemos assumir essa opção.

E como diz o observador da imprensa, o experiente jornalista Alberto Dines, encontrar os culpados pelo acidente não vai ressuscitar os mortos, assim como criticar o sensacionalismo da mídia não resolverá o colapso do transporte aéreo, constatado inclusive pelo próprio governo.

Enquanto isso, um número proporcionalmente muito maior de pessoas continua morrendo nas estradas sem que ninguém se comova. Isso sem falar no exército de jovens que se matam no trânsito ou nas guerrilhas urbanas. Estes últimos, nem são de classe média, menos comoção ainda, mas isso já é outra história.

Mas uma coisa é certa, entre o caos e o oportunismo é preciso tomar cuidado para não cair na tentação de promover de forma irresponsável a histeria coletiva e a volta do autoritarismo. Boa leitura.







Lançamentos
Memória, Adolescente; Família; Alfabetização I e II; Comunicação; Educação.





Classificação etária
No final das contas, o governo acabou cedendo à pressão das emissoras na emissão da portaria de classificação indicativa de faixa etária para a programação.



Perigo na rede
O site de relacionamentos MySpace, similar do Orkut (que é mais famoso entre brasileiros), apagou o perfil de mais de 29 mil agressores sexuais.



Ensino privado na Bolsa
Matéria publicada no jornal O Estado de S.Paulo, no dia 30 de julho, diz que as universidades particulares estão buscando sócios no exterior, associando-se a fundos de investimento ou abrindo capital.


Mais Extra Pauta >





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