Os projetos
florestais
e o
desenvolvimento
regional no RS
José Antônio Alonso*
Os
grandes projetos florestais
no estado têm ocupado lugar de
destaque nos debates sobre desenvolvimento
regional em nosso
meio. As opiniões se dividem
entre aqueles que defendem esses
empreendimentos argumentando
sobre as suas contribuições
para a geração de renda e emprego,
o que representaria um
choque de desenvolvimento
para áreas estagnadas do estado.
Em tempos de escassez de investimentos,
o anúncio da chegada
de grandes blocos de capital
em regiões estagnadas, com
sua tecnologia moderna e métodos
de gestão avançada, representa
uma sedução irresistível
para a sociedade local.
Há também aqueles que divergem
desse ponto de vista argumentando,
principalmente,
que os danos ambientais causados
por esses projetos são de tal
monta que comprometem não só o equilíbrio ambiental, mas também
a sustentabilidade do desenvolvimento
econômico. Entre
os atributos negativos dessas
culturas são arrolados o caráter
de monocultura, o exotismo das
espécies e as exigências
exercidas sobre o meio natural,
principalmente em termos de
quantidade de água. Na verdade,
a questão ambiental que
envolve esses projetos está longe
de ser resolvida. O debate
ainda mantém distantes as posições
assumidas pelos diversos
atores envolvidos.
Do ponto de vista da economia
regional observa-se que os dois
principais tipos de florestamento,
pinus e eucalipto, tendem a se desenvolver
em regiões distintas. No
primeiro caso, a área preferencial
tem sido os Campos de Cima da
Serra. O pinus tem como principal
objetivo a produção de madeira
para móveis e outras finalidades,
o que assegura uma elevada
relação inter-setorial com a extensa
cadeia de Madeira e Móveis
em nosso estado. Já a preferência
locacional do eucalipto tem recaído
sobre os campos da Metade
Sul, e tem como finalidade a produção
de celulose, uma commodity
muito valorizada no mercado internacional.
Provavelmente, as
relações inter-setoriais para a frente
e para trás, nesse caso, serão
menores do que no do pinus.
Mesmo assim, o efeito multiplicador
total (direto, indireto
e efeito-renda) no emprego da
silvicultura (plantio + manejo) é
dos mais elevados da economia.
Já a produção da celulose é
realizada mediante processo
industrial de capital intensivo,
portanto, com baixa utilização
de mão-de-obra. Este setor ocupa
o 27° lugar no ranking dos
multiplicadores de emprego de
44 setores da economia gaúcha
(Matriz de Insumo Produto/FEE, 2003).
* Economista