CANOAS Assembléia
para criação de sindicato
da Ulbra foi considerada ilegal
O final de novembro e o início de dezembro foram marcados
por episódios de constrangimento e humilhação
aos
professores da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas.
O fato mais grave ocorreu no dia 3 de dezembro, nas
dependências da Universidade, quando os docentes foram coagidos
a comparecer à assembléia de criação
de um
sindicato paralelo de professores da Educação Superior
de Canoas, denominado Sindos. Todos os membros da comissão
organizadora no sindicato paralelo são pessoas ligadas à Reitoria
da Ulbra. No mesmo dia, o Sindicato dos Professores do
Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS) entrou com uma
medida cautelar na Justiça do Trabalho de Canoas
contra a Ulbra e contra a comissão
organizadora do sindicato paralelo, pedindo
a anulação dos efeitos da assembléia.
O pedido foi acatado na manhã do
dia 4 de dezembro pelo Juiz Luiz
Fernando Bonn Henzel, da 3ª Vara do
Trabalho de Canoas, que considerou ilegal
a assembléia. A equipe do Extra Classe
estava lá e foi impedida de entrar,
barrada por seguranças da Ulbra e da
comissão organizadora.
Da Redação
Foto:
René Cabrales
Domingos
Góes (de gravata), da Ulbra, autoriza diretores
do Sinpro/RS mediante ordem judicial
Sinpro/RS
apontou à Justiça vários indícios
que evidenciam a participação patronal
na criação da nova entidade e elencou
uma série de irregularidades no processo. Os professores,
por exemplo, foram transportados das
salas de aula em microônibus com logomarca
da Ulbra. Depois, presenteados com camisetas
e fôlderes do novo sindicato antes de serem conduzidos
a uma fila, onde depositavam seus votos
em urnas que não respeitavam as normas de sigilo
exigidas pela decisão judicial. Além disso,
em momento algum houve instalação formal da
assembléia, constituição de mesa coordenadora,
apresentação de propostas para votação.
Também
não foi informado aos professores o que
eles estavam votando. “Não existiu assembléia,
o que houve foi uma encenação em que
muitos docentes votavam por medo de perder
seus empregos. Isso é fraude. O processo todo é
fraudulento”, afirma Marcos Fuhr, diretor
do Sinpro/RS.
“Este processo capitaneado pela Ulbra é completamente
ilegítimo desde sua origem. Não se
trata de uma disputa de base. O Sinpro/RS é a
entidade que legitimamente defende interesses
dos professores da Ulbra e da Educação Superior
de Canoas. Tanto isso é verdade, que onde
não houve voto de cabresto os professores optaram
livremente por reafirmar a representação
do Sinpro/RS, como ocorreu nas assembléias do
Unilasalle, UniRitter e Ipuc”, explica o diretor
(leia Box). Segundo ele, os professores da Ulbra
estão sendo coagidos por uma instituição que
historicamente desrespeita os direitos dos seus
docentes. “As cenas que presenciamos, no que
deveria ter sido uma assembléia, foram de humilhação.
Os professores eram colocados em fila
indiana, comandados por pessoas estranhas à categoria,
muitos deles sem saber exatamente no
O que estavam votando”, argumenta.
COAÇÃO – Durante toda a semana que antecedeu
o episódio, o Sinpro/RS recebeu denúncias
de professores da instituição que afirmavam
estar sendo coagidos por seus superiores
a comparecer à assembléia e votar a favor
da criação da nova entidade. “É inacreditável. É
absurdo o que está acontecendo”, desabafa
uma docente, que por motivos óbvios pediu para
não ser identificada na saída da suposta assembléia.
O prefeito do campus Darlei Günter, que
durante todo tempo esteve no local acompanhando
quem entrava e saía – inclusive todos
eram filmados por um cinegrafista da Ulbra –,
afirmou que professores chegaram para votar a
partir das 9 horas da manhã. Um fato curioso,
já que a assembléia estava marcada para as
11h30min, conforme edital de convocação
publicado em um minúsculo edital de convocação
publicado no Jornal Diário de Canoas, no dia
19 de novembro.
TRUCULÊNCIA –
Na cancela que
dá acesso ao
Galpão Crioulo,
nas dependências
do campus de Canoas,
seguranças
contratados pela
comissão de formação
do novo
sindicato tentaram
impedir de
forma truculenta
a presença da direção
do Sinpro/RS, apesar desta
ter sido autorizada
por decisão judicial. A entrada dos diretores
do Sinpro/RS só se deu quando a Oficial de
Justiça notificou a Ulbra, na pessoa do chefe do
departamento jurídico da Universidade, Domingos
Moreira Góes. Diante da ordem judicial e da
presença da Brigada Militar, chamada pelo Sinpro/RS para
garantir a integridade física de seus diretores,
Góes finalmente autorizou a entrada
dos diretores do Sindicato dos Professores.
Foto:
René Cabrales
Professores
da Ulbra em fila indiana para votação
em urnas irregulares
ESTRANHEZAS – Fatos estranhos que chamaram
a atenção. Primeiro, a alegação de
que
somente os professores da Ulbra, devidamente
identificados poderiam ter acesso ao local da
assembléia. Porém, juntamente com os “militantes” contratados,
uniformizados com camisetas do sindicato paralelo, estava o presidente
do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil de Porto Alegre, Ricardo Baldino, comandando
as ações, principalmente as de intimidação
(a propósito, ele é professor da
Ulbra,
Unilasalle ou UniRitter? O que fazia lá?
Teria sido contratado para formar um novo
sindicato? Só a Ulbra e a comissão podem
responder a essa pergunta). Segundo, nenhum
dos membros da comissão
organizadora assumiu sua condição diante
dos professores presentes para a instalação
de algo que se parecesse minimamente
com uma assembléia de professores. Pelo
contrário, tentaram o tempo todo se esconder
da Oficial de Justiça para não serem
notificados, inclusive, um deles, o presidente
da Adulbra, João Batista Ely Alves,
deixou o local escondido em um veículo
com vidros escuros sob alegação de estar
passando mal. Uma integrante da comissão,
Maria Inês Borsa, só pôde ser notificada
depois de ter sido localizada escondida
em um banheiro.
TESTEMUNHO – Todos esses acontecimentos
e a sucessão de irregularidades foram
acompanhados e registrados pela Oficial
de Justiça do Trabalho Ana Paula Lourenço
de Lima Garcez, que relatou os tumultos
como sendo provocados pela comissão pró-Sindos para
dificultar a entrada dos diretores
do Sinpro/RS, que deveria justamente fiscalizar
os procedimentos. Os dirigentes do Sinpro/RS registraram as ocorrências
junto aos soldados
da Brigada Militar presentes no local.
Assembléias
do
Unilasalle, UniRitter e
Ipuc
a favor do Sinpro/RS
Os professores do Centro Universitário
Ritter dos Reis (Uniritter), do
Centro Universitário La Salle
(Unilasalle), do Instituto Pró-Universidade
Canoense (IPUC) e da Radiologia
Médica (Radimedica), de Canoas,
reafirmaram, por unanimidade,
em assembléias gerais realizadas no
dia 29 de novembro a representação
sindical do Sindicato dos Professores
do Estado do Rio Grande do Sul – o
Sinpro/RS. O resultado das assembléias
confirmou a avaliação da direção
do Sinpro/RS de que a iniciativa
de criação de um sindicato de professores
da Educação Superior em Canoas é
restrita apenas a um grupo de
professores vinculados à reitoria da
Ulbra. O Sinpro/RS denunciou a instituição,
formalmente, ao Ministério
Público do Trabalho (MPT), por tentar
criar um sindicato paralelo de professores
da Educação Superior em Canoas
e pela prática de constrangimento
aos seus professores. A denúncia
considera que a tentativa da Ulbra
de organizar a criação de um sindicato
de docentes está fraudando e
obstaculizando a organização e atuação
sindical. A direção do Sinpro/RS
levou ao MPT várias evidências do
caráter patronal e institucional da iniciativa.
O documento entregue ao
MP também relaciona as mais de 600
ações judiciais coletivas e individuais,
ajuizadas pelo Sinpro/RS, que têm
preservado os direitos dos professores
da Ulbra – como o pagamento de R$
3,5 milhões a docentes da Universidade
para reposição da isonomia e
multas por atrasos salariais.
Para o envio de cartas,
sugestões e comentários
para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br
- Extra Classe é uma publicação mensal do
Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul
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