
Sensibilidade,
ensino e aprendizagem
Juliene Prieb Burkt*
uitas
perguntas aparecem para nós, professores, no momento
de organizar e planejar o trabalho pedagógico. Nos questionamos
para que serve e qual é o papel social da escola, o
que fazer para que as crianças aprendam mais e melhor. E às
crianças certamente ocorrem dúvidas sobre como é a
escola, o
que acontece lá dentro, o que podemos e o que não podemos
fazer, como vamos aprender.
Ao pensarmos no trabalho pedagógico do início do Ensino
Fundamental de nove anos, consideramos que, a cada ano, recomeçamos
nossa ação educativa com novas crianças, portanto,
com seres em constantes mudanças, sujeitos vivos e pulsantes.
Daí a necessidade de contínuo estudo, atualização
e revisão das
nossas práticas pedagógicas.
Sabemos que o modo como nós, educadores, organizamos o
trabalho pedagógico está ligado ao sentido que damos à escola, à
sua função social, às maneiras como entendemos
e valorizamos
a criança, também aos sentidos que dermos à infância
e aos processos
de ensino e aprendizagem. Em síntese, dependem também
da nossa concepção de educação, formação
profissional e
história de vida.
Na escola e na vida, encontramos múltiplos sujeitos, modos
de viver, pensar e ser. Mas encontramos também aqueles que
nos
identificam como seres humanos, pertencentes a um período
histórico.
Somos sujeitos sociais, criamos vínculos e sentimentos,
construímos história e histórias, culturas que
nos enraízam, nos
envolvem e nos identificam. E nós sabemos bem disso, porque
convivemos com crianças e adolescentes que trazem experiências
vividas, muitas vezes, dramáticas.
Às vezes, nos preocupamos somente com os conteúdos e não
paramos para conhecer os nossos alunos, para ouvir os conteúdos
tão significativos de suas vidas. Aprendizagem envolve sensibilidade
e mudança. Caso não consigamos desenvolver relações
de
confiança e afeto com os alunos, dificilmente construiremos
uma
relação de ensino e aprendizagem. A escola deve ser
um lugar
de encontro, de partilha de conhecimentos, de idéias, de sentimentos,
de crenças e conflitos, uma vez que acolhe pessoas com
pensamentos, valores e saberes diferentes.
É
na tensão viva desse movimento que organizamos a principal
função social da escola: ensinar e aprender com vocação.
* Professora de Séries Iniciais, Alfabetizadora do Colégio
Maria
Auxiliadora (Canoas), Pós-Graduada em Psicomotricidade.
