
assados
os primeiros meses da crise financeira,
adotadas as primeiras medidas,
tanto nos paises centrais quanto
nos emergentes, fica uma certeza, a de
que as dificuldades serão duradouras
arrastando em seu caminho
grandes perdas e perspectivas
sombrias. O debate e os esforços
iniciais foram no sentido
de prover liquidez aos
mercados, isto é, lubrificar
a economia, mediante gigantescos
aportes de recursos
públicos. Todavia, os
agentes financeiros têm
adotado uma postura de
verdadeira “retranca” na
oferta de crédito, o que tem
conseqüências negativas para
os tomadores potenciais, tanto
produtores quanto consumidores.
Esse movimento levará, irremediavelmente,
algumas das economias
desenvolvidas a ingressarem em períodos
recessivos e as economias emergentes,
como o Brasil, a reduzirem as taxas de crescimento
econômico. Em alguns países da zona
do Euro (Alemanha
e Inglaterra), os indicadores mais recentes revelaram
que,
tecnicamente, há recessão. No caso
brasileiro, as expectativas e
metas de crescimento para 2009 devem ser repensadas,
apesar das
autoridades econômicas manterem-se mais otimistas
do que a média
dos analistas, imaginando expansão do produto
entre 4 e 4,5%
no ano. Mais realista, neste momento, seria projetar
o crescimento entre 3 e 3,5% em 2009.
A questão passa a ser o que fazer no Brasil,
para assegurar o alcance desta meta. Em
meio a intenso debate ganham força as
posições defendidas por economistas
de
filiação keynesiana, que propõem
a
adoção de políticas contracíclicas,
mediante a elevação do gasto público,
como forma de estabilizar a
trajetória de crescimento econômico.
Para tanto, argumentam
que há margem para este procedimento,
dado que o déficit
nominal brasileiro é de 0,5% do
PIB. Todavia, a fórmula
keynesiana recomenda que se
combine a quantidade à qualidade
do gasto para se obter maior
efeito multiplicador, por real
dispendido. Para tanto, o gasto
deve atingir estratos da população
com alta propensão ao consumo, como
por exemplo, o grande número de trabalhadores
contratados para as obras públicas.
Outro gasto considerado de qualidade é
o destinado às políticas sociais,
ainda que estes
tipos de políticas sejam mais associados
a projetos de
desenvolvimento de longo prazo. Todavia, nesta conjuntura,
face
ao risco de redução acentuada dos
fluxos monetários e reais, as
políticas sociais tendem a contribuir, com
mais efetividade, para a
manutenção do crescimento macroeconômico
de curto prazo, juntamente
com a política de investimentos do PAC.
* Economista