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Os
professores e a
violência na escola
Dra. Carolina Lisboa*
Psicologia
hoje ultrapassa as fronteiras dos consultórios. O
paradigma da Psicologia Positiva, por exemplo, estuda a saúde
(e não a doença) com o objetivo de favorecer a promoção
do bem-estar mental individual e coletivo. Nesse contexto, o interesse
pelas interações nas escolas fascina e desafia os
psicólogos.
Para aproximar-se destas relações, é fundamental
compreender
quem é e o que pensa o professor. Apesar de não ser
o único responsável,
o docente às vezes é encarregado de muitas funções
e
culpado pela maioria dos problemas. Por estas razões, estudos
revelam
que os professores têm sido muito atingidos pelo desgaste
emocional. Este esgotamento está relacionado, em grande
parte, a
atribuições e cobranças inadequadas ou excessivas.
Outro problema atual é o que não há mais uma
delimitação
clara dos papéis sociais como no passado. Isso gera confusões
entre
as obrigações de pais e professores. Os professores
se angustiam em
não conseguir atender às solicitações,
não se sentem apoiados pelos
coordenadores e, assim, podem manejar inadequadamente os
conflitos, justamente em um momento em que se observa uma escalada
da violência nas escolas. A violência nesses locais
(sob a
forma de bullying, assédio moral, etc.) dificulta o ensino
e a aprendizagem,
afeta as relações éticas, a moralidade dos
jovens, exigindo
dos professores formas de resolução de problemas
hábeis e imediatas.
Neste sentido, o Grupo de Pesquisa sobre Comportamento Agressivo
e Violência do Programa de Pós-Graduação
em Psicologia Clínica
da Unisinos desenvolveu um projeto de pesquisa que investigará a
percepção dos professores sobre a violência
na escola, clima
social escolar (hierarquia, normas, cultura da instituição)
e a relação
desses aspectos com a Síndrome de Burnout (relacionada a
estresse). Trata-se da dissertação de mestrado da
psicóloga Evandra
Cardoso, sob minha orientação. O estudo é inovador
no Brasil ao
investigar a percepção dos docentes acerca do clima
social escolar.
A verificação da correlação entre estes
aspectos é também inédita
em pesquisas. Acredita-se que a percepção negativa
de um
clima social institucional, relacionada à violência
neste contexto,
pode ser uma das causas que deixa professores mais vulneráveis,
apresentando dificuldade de manejo com conflitos. Com os resultados
obtidos, pretende-se desenvolver intervenções em
escolas,
baseadas na psicoeducação, enfocando a resolução
saudável de
conflitos. Nosso interesse é também sensibilizar
a comunidade e os
governos para desenvolver políticas públicas que
atendam o professor,
seu importante trabalho e sua saúde.
| Arte:
Claudete Sieber/D3 Comunicação |
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*Professora e Pesquisadora do Programa de Pós-Gradução
em Psicologia – Mestrado em Psicologia
Clínica – Unisinos - Membro do Grupo de Pesquisa
sobre Comportamento Agressivo e Violência (CNPq)

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