Ano 13 - nº 130
DEZEMBRO de 2008



Luis Fernando Verissimo
Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha, como se sabe, não revela a idade, mas insiste que todas as especulações a respeito são exageradas.



Elisa Lucinda
Saudades de minha mãe.
Sua morte hoje faz um ano e um fato
Essa coisa fez
eu brigar pela primeira vez
com a natureza das coisas:



Fraga

Metrópole é uma acrópole que se esparramou morro abaixo. Megalópole é uma metrópole que se escarrapachou mapa afora. Necrópole é o que sobra depois que todas se foram.



Marco Aurélio Weissheimer

Após um ano marcado por sucessivas crises e denúncias de corrupção, o governo Yeda Crusius (PSDB) chega ao final de 2008 tentando imprimir uma “agenda positiva”.

Especial - Sinpro/RS 70 anos de História




Os professores e a
violência na escola

Dra. Carolina Lisboa*

Psicologia hoje ultrapassa as fronteiras dos consultórios. O paradigma da Psicologia Positiva, por exemplo, estuda a saúde (e não a doença) com o objetivo de favorecer a promoção do bem-estar mental individual e coletivo. Nesse contexto, o interesse pelas interações nas escolas fascina e desafia os psicólogos. Para aproximar-se destas relações, é fundamental compreender quem é e o que pensa o professor. Apesar de não ser o único responsável, o docente às vezes é encarregado de muitas funções e culpado pela maioria dos problemas. Por estas razões, estudos revelam que os professores têm sido muito atingidos pelo desgaste emocional. Este esgotamento está relacionado, em grande parte, a atribuições e cobranças inadequadas ou excessivas.

Outro problema atual é o que não há mais uma delimitação clara dos papéis sociais como no passado. Isso gera confusões entre as obrigações de pais e professores. Os professores se angustiam em não conseguir atender às solicitações, não se sentem apoiados pelos coordenadores e, assim, podem manejar inadequadamente os conflitos, justamente em um momento em que se observa uma escalada da violência nas escolas. A violência nesses locais (sob a forma de bullying, assédio moral, etc.) dificulta o ensino e a aprendizagem, afeta as relações éticas, a moralidade dos jovens, exigindo dos professores formas de resolução de problemas hábeis e imediatas.

Neste sentido, o Grupo de Pesquisa sobre Comportamento Agressivo e Violência do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da Unisinos desenvolveu um projeto de pesquisa que investigará a percepção dos professores sobre a violência na escola, clima social escolar (hierarquia, normas, cultura da instituição) e a relação desses aspectos com a Síndrome de Burnout (relacionada a estresse). Trata-se da dissertação de mestrado da psicóloga Evandra Cardoso, sob minha orientação. O estudo é inovador no Brasil ao investigar a percepção dos docentes acerca do clima social escolar. A verificação da correlação entre estes aspectos é também inédita em pesquisas. Acredita-se que a percepção negativa de um clima social institucional, relacionada à violência neste contexto, pode ser uma das causas que deixa professores mais vulneráveis, apresentando dificuldade de manejo com conflitos. Com os resultados obtidos, pretende-se desenvolver intervenções em escolas, baseadas na psicoeducação, enfocando a resolução saudável de conflitos. Nosso interesse é também sensibilizar a comunidade e os governos para desenvolver políticas públicas que atendam o professor, seu importante trabalho e sua saúde.

Arte: Claudete Sieber/D3 Comunicação


*Professora e Pesquisadora do Programa de Pós-Gradução em Psicologia – Mestrado em Psicologia Clínica – Unisinos - Membro do Grupo de Pesquisa sobre Comportamento Agressivo e Violência (CNPq)

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