Pontal
da discórdia, um
romance "quase(?)" policial
A rapidez com que uma alteração na Lei municipal
470/02 foi aprovada na Câmara de Vereadores de Porto Alegre
e a forte
presença de empresários da construção
civil no dia da votação provocaram desconfiança
entre ambientalistas, estudantes
e líderes comunitários contrários ao projeto
Pontal do Estaleiro. O Ministério Público investiga
se houve venda de votos.
Por Naira Hofmeister
uvido
por nossa reportagem, com exclusividade,
no último dia 25 de novembro, o
prefeito de Porto Alegre, José Fogaça,
admite. “A decisão de permitir um empreendimento
na área do Estaleiro Só não poderia partir
da empresa. O poder público precisava – e
precisa – de uma ampla manifestação da cidade
a esse respeito”.
Nem por isso ele adianta sua decisão sobre
o projeto. A única maneira de reverter a votação
dos vereadores da Capital, favorável à construção
do Pontal do Estaleiro, é o veto de Fogaça. “Eu
não posso, não quero responder e não estou
respondendo por que tenho que tomar uma decisão
de contornos políticos”, desabafa.
O mistério que o prefeito vai manter até meados
da primeira quinzena de dezembro é mais um
dos ingredientes que conferem uma
aura cinematográfica de romance policial noir.
O enredo envolve política com negócios, denúncia
de corrupção, personagens da alta sociedade,
ligações veladas entre empresas. O
Ministério Público abriu uma investigação
que
corre em segredo de Justiça. Falta apenas alguém
descobrir quem é a femme-fatale dessa história.
A SESSÃO – Fosse um roteiro, a cena inicial
poderia trazer um rapaz de camisa do Inter
balançando uma nota de 2 reais na direção
dos
vereadores na Câmara da Capital. A cena é real.
E serve de mostra da tumultuada sessão
do dia 12 de novembro, que teve mais de 8
horas de duração e uma dezena de pedidos de
adiamento solicitados pela oposição.
As galerias se mantiveram lotadas até às 22h –
um telão teve de ser instalado no pátio para
abrigar quem não conseguiu uma das 300 senhas
para entrar no plenário. Os mais exaltados,
debruçados sobre o cercado do plenário
da Câmara, dirigiam impropérios aos mandatários
do Legislativo porto-alegrense.
A queixa não foi caso isolado. Os ativistas
que tomaram as galerias da Câmara insinuaram
diversas vezes que alguns legisladores da
Capital poderiam ter se beneficiado financeiramente
para aprovar a matéria.
As faixas, cartazes e palavras de ordem – “
Vendido!” e “Câmara, sem vergonha!” foram
algumas delas – que marcaram a sessão plenária
que aprovou a alteração na Lei 470/02,
no dia 12 de novembro, ganharam o respaldo
dos próprios parlamentares nos dias seguintes à
votação.
Em entrevista à rádio Guaíba, o vereador
Beto Moesch (PP) afirmou que alguns colegas
teriam recebido propina para que o projeto
fosse aprovado – 20 vereadores votaram a
favor. No dia seguinte, Neusa Canabarro
(PDT), falando à mesma emissora, revelou
que não sabia quais parlamentares haviam recebido
dinheiro: “mas sei quem não aceitou”.
Uma matéria do Jornal do Comércio registrou
o discurso do petista Guilherme Barbosa
na tribuna da Câmara, na sessão do dia 13
de novembro. Ele disse que coisas estranhas
aconteceram durante a votação e que vereadores
foram orientados pelos empresários.
No Jornal Correio do Povo, o vereador
Cláudio Sebenelo (PSDB) confirmou que
recebeu oferta de ajuda para sua campanha
eleitoral por representantes da BM Par, uma
das empresas envolvidas no projeto do Pontal. À
Folha de S. Paulo, o tucano detalhou a proposta:
um envelope de dinheiro chegou a ser
colocado em sua mesa pelo emissário da empresa.
Sebenelo recusou a oferta, por entender
que não seria ético receber auxílio financeiro
de alguém com interesse em um projeto
importante a ser votado pela Câmara Municipal.
O princípio de tudo (Capítulo
I)
A história remonta a 1996, quando alguns
representantes do já desativado Estaleiro Só – uma
falida empresa de construção de navios
localizada às margens do Lago Guaíba, em Porto
Alegre – solicitaram à Secretaria do Planejamento
Municipal (SPM) um requerimento de
modificação no regime urbanístico do terreno
que ocupam na Ponta do Melo, para “permitir
também seu uso com atividades residenciais”.
O documento tem o timbre da Empresa Arquitetos
e Urbanistas, que hoje é conhecida
pelo nome de seu proprietário, o arquiteto Jorge
Debiagi. Pelo menos, desde a metade da
década de 80, ele tenta emplacar um empreendimento
de grande porte na beira do estuário que
banha Porto Alegre. Em 1988 foi o Praia do Guaíba –
do qual sobrou apenas a avenida Beira-Rio.
No caso do terreno da Ponta do Melo, que
pertencia ao falido Estaleiro Só, Debiagi teve a
primeira oportunidade de propor um projeto
para a empresa Titton Brugger, em 2001, que
arriscou comprar o terreno num leilão.
A área era avaliada na época em R$ 17 milhões,
segundo dados do site do Conselho Regional
de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
do Rio Grande do Sul (CREA-RS). E sua venda
pretendia pagar o passivo trabalhista da empresa,
estimado em 14 milhões a ser repartido
entre 600 funcionários.
Porém, menos de um ano depois o negócio
foi desfeito. A empresa não queria arriscar o
valor porque não havia regulamentação das
atividades que poderiam ser desenvolvidas no local.
Trata-se da margem do Guaíba, região protegida
não apenas pela Lei Orgânica do Município,
mas pelo Código Florestal Brasileiro, que
considera as orlas Áreas de Preservação Permanente.
Além disso, enquanto a revisão do
Plano Diretor de Porto Alegre não é concluída
(começou em 2003), um decreto do Executivo
garante a preservação de 134 Áreas de Interesse
Cultural na cidade, incluindo toda a extensão
da orla do Guaíba – desde a Usina do
Gasômetro.
Como já havia ocorrido quatro leilões sem
nenhum lance, vereadores e o então Prefeito
de Porto Alegre, Tarso Genro, definiram os
critérios de exploração comercial para a área,
publicados sob a forma da Lei complementar
470/02. O texto previa a “ocupação, para uso
privado, de atividades de interesse cultural,
turístico e paisagístico” e vedava a habitação,
comércio atacadista e indústria.
CÂMARA – Na noite de 12 de novembro
de 2008, quando foi vencida uma das etapas
mais difíceis para a concretização de seu
projeto, Debiagi foi um dos últimos a deixar a
Câmara Municipal. Cauteloso, ele temia ser criticado
e até agredido pelos manifestantes contrários
ao Pontal do Estaleiro. Esperou até que
as luzes do plenário se apagassem antes de ir
embora, quase às 23h.
Como aparentemente não havia nenhum “baderneiro” por
perto, o vereador Ismael Heinen (DEM) não viu problema em cumprimentá-lo
com um largo sorriso. “Foi mais light do que a gente
imaginava, né?”, perguntou ao arquiteto, que
se limitou a um aperto de mão cordial.
Nova tentativa
de leilão (Capítulo II)
Com uma redação que permitia
o uso privado da área, uma nova
tentativa de leiloar o terreno foi
realizada em março de 2005. Apenas
uma empresa apareceu e arrematou
o imóvel por R$ 7,2 milhões,
o que não dava para pagar nem a
metade da dívida do Estaleiro Só com os operários.
Mas, depois da decisão dos vereadores de alterar
o regime urbanístico da região,
permitindo a construção de unidades
habitacionais, o grupo comandado
pelo Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias
Metalúrgicas, Mecânicas e de
Material Elétrico-Eletrônico da
Grande Porto Alegre (Stimepa)
voltou a campo para cobrar a sua
parte. “Não se pode admitir que
os ex-funcionários eternizem esse
prejuízo”, avisou o presidente do
Stimepa, Lírio Sergalla.
Enquanto os trabalhadores ficam
a ver navios – com o perdão
do trocadilho – o novo dono do
campinho comemorou a valorização
do terreno (e sua ousadia em
comprá-lo). “Sou um investidor de
risco”, gaba-se Saul Veras Boff.
Na ponta do lápis, o preço da
gleba de terra de 41 mil m² custou
cerca de 3,5% do valor total do
investimento previsto, que chega
a R$ 200 milhões. “Geralmente o
terreno vale um terço da aplicação”,
compara o engenheiro e
ambientalista, Luiz Filipe Oliveira.
Foi o vereador João Carlos
Nedel (PP) quem lembrou que o
empreendimento deve render aos
cofres públicos uma receita de R$
2 milhões ao ano. O valor é 400
vezes superior do que os R$ 5.097,47 que a empresa
pagou de IPTU em 2002.
PREFEITURA – A Prefeitura
recebe no máximo 1,1% do valor
imobiliário de uma unidade nãoresidencial,
no caso, dois dos seis edifícios
previstos. Os moradores dos outros
quatro prédios projetados vão pagar
0,85% do valor dos apartamentos
para o fisco municipal.
Nem esse argumento foi suficiente
para convencer o prefeito José Fogaça
a enviar o texto para o Legislativo. Acontece que, segundo
o Plano Diretor, projetos de empreendimentos
em Áreas de Interesse
Cultural e de grande porte
são considerados de Impacto de
Primeiro Nível e só podem ser apreciados
em plenário depois do encaminhamento
prévio do Executivo.
Foi o que fizeram as diretorias
do Internacional e do Grêmio para
pedir as autorizações dos projetos
para a Copa de 2014 (que estão tramitando
na Câmara). Também foi
a atitude dos empreendedores do
BarraShopping Sul antes de iniciarem
suas construções.
Empreendedor e arquiteto do
Pontal do Estaleiro bem que tentaram.
Há pelo menos uma dezena
de estudos e maquetes eletrônicas
na Secretaria Municipal
do Planejamento. Há projetos
com sete prédios, outros com seis
e, o mais recentemente apresentado
nos jornais, tem cinco
espigões.
Esse desenho que o portoalegrense
se acostumou a ver é resultado do parecer da
Comissão
de Análise Urbanística e
Gerenciamento (Cauge) que reúne
13 das 19 secretarias municipais.
Foi esse documento que
instituiu as alterações que acabaram
retiradas do texto final da
nova lei, e que determinavam a
volumetria de 43 m de altura e a
possibilidade de compra de índices
construtivos.
Ao longo de, pelo menos, dois
anos de análise, o processo na
SPM ganhou volume. Hoje tem
seguramente 500 páginas. Mas
para Fogaça, ainda foi pouco tempo. “Porque
eu precisava de uma
audiência à população e à comunidade,
uma vez que isso mexe
com valores que são históricos na
vida da cidade”, admite,
complementando que conhecia a
prerrogativa do Plano Diretor que
lhe confere essa responsabilidade. “É
evidente que sim!”, diz.
Apelo aos legisladores
(Capítulo III)
Sem poder contar com a decisão
do prefeito, os idealizadores do
Pontal do Estaleiro foram à Câmara
Municipal pedir que os vereadores
encampassem o projeto. No
dia 10 de abril começou a circular
na Casa o PLCL 02486/08, cujo
autor foi Alceu Brasinha (PTB),
mas que contou com o apoio de 18
colegas de mandato, que literalmente
assinaram embaixo.
Em duas páginas, os autores expuseram
seus motivos para defender
o projeto. Outras três traziam
o texto da nova lei, escrito nos
moldes das orientações da Cauge.
Na outra metade do documento
estavam as ilustrações de Debiagi.
“Nunca se viu um projeto com
grife aqui na Câmara”, surpreendeu-se o coordenador
do Fórum
Municipal de Entidades, Paulo Guarnieri, que também é assessor
da bancada petista no Legislativo.
Em votação, a maioria simples
garantia a vitória. Ou seja, bastava
que mais um vereador nãosignatário
apoiasse os colegas
para somar os 19 votos que necessitavam.
Certos da sua vantagem, os proponentes
do projeto de lei pediram
urgência na tramitação – um recurso
permitido pelas regras da
Casa.
Isso significa que a proposta foi
avaliada diretamente em plenário,
prescindindo dos pareceres de quatro
das seis comissões técnicas.
Entre elas, duas que tratam especificamente
dos temas relacionados
ao empreendimento: a de Saúde
e Meio Ambiente e a de Urbanização,
Transportes e Habitação.
Quem
manda no negócio (Capítulo
IV)
Na manhã de 26 de novembro, todos os jornais de circulação
diária
de Porto Alegre traziam um “APEDIDO” de meia página
da BM Par
Empreendimentos, a “proprietária da área do
antigo Estaleiro Só”.
Entre outras coisas, o anúncio afirma que “em 2005,
após quatro
leilões infrutíferos, a BM PAR adquiriu a área”.
Aí está o enredo da
segunda parte dessa trama.
Na verdade, naquele leilão de 2005, quem pagou R$ 7,2 milhões
pelo terreno foi a SVB Participações e Empreendimentos,
a única empresa
a se interessar pelo negócio.
Interessante notar que duas figuras se apresentam como os principais
executivos de ambas as empresas. Saul Veras Boff e Rui Carlos
Pizzato são citados no noticiário como representantes
legais, diretores e
até proprietários das duas razões sociais.
Ao conhecer Saul Boff em um sábado primaveril de protestos
contra
e a favor ao projeto Pontal do Estaleiro, a repórter entrevistou
o empresário. “Sou o dono da área”, apresentou-se, confirmando a
ligação com
a BM Par.
Mas Saul Veras Boff só aparece no documento da Junta Comercial
do Rio Grande do Sul que apresenta a formação societária
da outra
empresa, que leva suas iniciais como nome – a SVB. Ele detém
99% do
capital de R$ 14 milhões, ao lado de dois sócios
minoritários.
Seu companheiro de mídia, Rui Carlos Pizzato, nada mais é que
o “administrador nomeado” da BM Par. No
entanto, as duas empresas de sociedade
anônima que dividem democraticamente o capital de R$ 10 milhões
da empresa não são citadas em nenhuma reportagem
sobre o assunto.
Ocupam endereços nobres em Porto Alegre – nos bairros
Moinhos
de Vento e Bela Vista. Uma tem um nome bem conhecido da população:
Matone Participações S/A, que não é o
Banco Matone, mas que tem
sede no mesmo prédio na esquina das ruas Mostardeiro e Mariante.
A segunda sócia atende pela sigla SAAB Participações
S/A e coincidentemente
ocupa exatamente o mesmo escritório que a SVB Participações,
de Saul Veras Boff, na avenida Nilo Peçanha. As duas são
vizinhas da
BM Par, cujo escritório ocupa todo o quarto andar do Iguatemi
Corporate.
Como
convencer vereadores (Capítulo V)
Uma matéria de página inteira
na edição do dia 24 de novembro
do Correio do Povo traz a confirmação
de que a incorporadora do
Pontal do Estaleiro será a
Goldsztein Cyrela.
Antes mesmo da votação na
Câmara, já circulava a informação
de que a construtora associada ao
grupo paulista tinha interesse no
tema. Um indício forte veio no dia
da votação na Câmara, em 12 de
novembro, quando representantes
da holding, incluindo aí o principal
executivo, Fernando Goldsztein,
participaram ativamente do processo
de convencimento dos vereadores.
Saul Boff estava junto.
Acompanhando os empresários,
o engenheiro Zalmir Chwartzmann,
um dos principais dirigentes do Sindicato
da Indústria da Construção
Civil (Sinduscon) quando o assunto é
Plano Diretor e legislação para construir
projetos, pai e filho orientaram a
votação das emendas do projeto.
Na platéia, o grupo de senhores
vestidos com camisas bem alinhadas
orientava a votação. E não
fazia nenhuma questão de disfarçar.
Chamavam os vereadores nominalmente.
Primeiro, convocaram
Dr. Goulart (PTB). Apenas
Chwartzmann se dirigia claramente
aos parlamentares. Os demais
ouviam.“Essa tem que derrubar”,
orientou.
Dr. Goulart não respondeu. Em
seguida chegou Haroldo de Souza
(PMDB). O homem repetiu “Achamos que tem que
derrubar”.
Os vereadores não demonstraram
muita confiança. “É? Tem?”,
perguntaram. Em seguida se uniu
ao grupo o proponente do projeto
de lei – Alceu Brasinha (PTB). E
a discussão aconteceu numa conversa
muito baixinha.
“O pessoal acha que tem que
derrubar, viu”, avisou pela terceira
vez o homem. Nova rodada de
discussões entre os espectadores e
finalmente alguém disse:
“Na verdade
deixa passar. É a
emenda do líder do governo, pode
ser importante depois para o Fogaça”.
Todos concordaram e a emenda do
vereador Professor Garcia
(PMDB) foi aprovada com folga.
Na matrícula do terreno disponível
no Ofício de Registro de Imóveis
da 5ª Zona da Comarca de Porto
Alegre consta que o prédio de número
2893 da avenida Padre Cacique
(o esqueleto do Estaleiro Só) está hipotecado
tendo como credora a Expand de Investimentos Imobiliários,
com sede no Rio de Janeiro.
“A Expand é uma subsidiária da
Cyrela. É comum no mercado imobiliário
a criação de empresas de
propósito específico para participação
em um determinado empreendimento”,
justifica uma nota enviada
pela assessoria de imprensa à
jornalista Clarinha Glock, do
Movimento Integridade.
Verificando a estrutura
societária da Cyrela Brazil Realty,
a “maior incorporadora de imóveis
residenciais do Brasil, com 35 mil
clientes e 7,25 milhões de metros
quadrados incorporados” – segundo
seu sítio na internet – encontramos
cinco subsidiárias. Nenhuma
delas é a Expand.
A
trama prevê novos episódios
O projeto Pontal do Estaleiro é a
ponta do iceberg. Mais de uma
dezena de espigões estão projetados para
a orla, entre o Cais do
Porto e o Barra Shopping. A decisão que o prefeito
José Fogaça
tomar pode abrir precedente para que a beira do Guaíba
ganhe
uma nova feição, com a construção
de uma nova safra de edifícios.
A questão de fundo, que está sendo adiada
há seis anos, é a
revisão do Plano Diretor de Porto Alegre. A
Câmara Municipal,
que está com a matéria desde setembro
de 2007, não demonstrou o
mesmo interesse e agilidade para tratar do assunto – a
comissão
especial criada para tratar do tema, por exemplo, teve
inúmeras
reuniões canceladas por falta de quórum.
Em 2009, o embate entre ambientalistas, lideranças
comunitárias
e estudantes ante o segmento da construção
civil terá de novo
como palco o Legislativo da Capital. Além dos
projetos de Grêmio,
Inter, a revisão do Plano Diretor e outras empreitadas
polêmicas
estarão nos próximos capítulos.
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