ULBRA
Greve
de professores sinalizou
desejo de mudança na cultura
da universidade
Da Redação

aior instituição
de ensino privado do estado, com 15
campi em nove municípios,
144,1 mil alunos, 2,3 mil professores
e 10 mil funcionários, a Universidade
Luterana do Brasil
(Ulbra) pouco fez para enfrentar a
mais aguda das crises administrativas
e financeiras da sua história.
Mergulhada em dívidas fiscais e
com bancos, que somam R$ 2,3
bilhões, boa parte contestada na
Justiça, e sem pagar salários em
dia, a Ulbra tentou recorrer a um
empréstimo internacional que não
se concretizou. Informações contraditórias,
negação dos números
inicialmente anunciados pela própria
instituição e nenhuma iniciativa
concreta para contornar a crise,
que atinge ainda suas unidades
em Goiás, Tocantins, Pará,
Rondônia e Amazonas, só fizeram
piorar a situação da Ulbra nos últimos
meses.
“A crise da Ulbra é resultado
da sua própria trajetória de gestão
centralizada, de sua expansão
desordenada e sem planejamento,
de isolamento e de falta de transparência
dos seus gestores”, avalia
Marcos Fuhr, diretor do Sinpro/RS.
Para o dirigente, o fato da
interlocução com a Reitoria ser feita
por intermédio de um advogado
tributarista e um criminalista,
ambos terceirizados, evidencia a
inversão de valores e a profundidade
da crise da instituição. A falta
de perspectivas de superação da
crise da instituição é motivo de
grande preocupação do Sindicato,
segundo Fuhr, especialmente considerando
o porte da instituição e
a sua condição de maior empregador
do ensino privado gaúcho. Desde
o início do segundo semestre,
quando a crise começou a se evidenciar,
o Sinpro/RS vem atuando
na esfera judicial na luta pela garantia
dos salários dos professores.
Em novembro, as contas bancárias
da instituição foram bloqueadas
judicialmente por uma ação
coletiva dos professores que, diante
do atraso de dois salários e meio,
decidiram paralisar as atividades,
em assembléia realizada no dia 10.
A greve foi parcial e durou nove
dias. A cultura institucional – cristalizada
ao longo de 36 anos por
seus dirigentes – à base de constrangimento,
ameaças e repressão
a professores, funcionários e alunos
e a postura de isolamento e falta
de transparência da Reitoria foi denunciada
pelos professores ao longo
da mobilização, que teve o apoio dos
estudantes e ampla cobertura dos
meios de comunicação locais e do
centro do país.
No final de novembro, às ações
ajuizadas pelo Sinpro/RS para garantir
a prioridade ao pagamento
dos salários atrasados se somaram
iniciativas de outras categorias profissionais
que ingressaram na Justiça
buscando o bloqueio de contas
bancárias da Ulbra para também
garantir seus vencimentos. O Sindicato
Médico (Simers), por sua
vez, anunciou um conjunto de medidas
para tentar evitar o colapso
do atendimento no complexo de
saúde da Ulbra. A entidade informou
que hospitais em Porto Alegre,
Canoas e Tramandaí (que atende
90% SUS) já estavam com parte
dos serviços paralisados por falta
de profissionais e até de materiais,
como oxigênio e pediu vistorias do
Cremers para possível interdição é
tica dos estabelecimentos,
além do cancelamento do vestibular
para Medicina. No dia 27, por
falta de medicamentos e seringas,
as internações foram suspensas no
Hospital Independência, em Porto
Alegre, que pertence à Ulbra.
PEDAGOGIA DO MEDO – Em uma reunião de
professores no
dia 8 de novembro, um sábado, na
sede estadual do Sinpro/RS, muitos
docentes deixaram clara sua
indignação com os atrasos salariais,
com a falta de explicações por parte
da Reitoria e a inconformidade
com as ameaças e constrangimentos.
Professores de diversos campi
relataram ter sofrido ameaças e
advertências irônicas por terem
cobrado explicações sobre os atrasos
de salários. A decisão de ir à greve,
hipótese tão improvável para professores
de uma instituição marcada
pela pedagogia do medo, começava
a ser defendida de forma aberta.
No dia 10 de novembro, 186
professores dos campi da Grande
Porto Alegre decidiram, em assembléia
realizada em Canoas, pela
paralisação. Naquela data, foram
realizadas assembléias também em
Torres, Cachoeira do Sul,
Carazinho e Santa Maria, com tímida
participação dos professores
e posicionamento contrário à paralisação.
Decidida a paralisação
na assembléia de Canoas, na mesma
noite ocorreu uma vigorosa manifestação
de estudantes que ensejou
a convocação da Brigada Militar com
cães para garantir a segurança da Reitoria
e do Museu do Automóvel.
Na manhã do primeiro dia de
paralisação, os estudantes se solidarizaram
com os professores e fizeram
manifestações em frente à Reitoria. “A
Ulbra deve prestar
contas aos alunos e professores e à sociedade”,
ressaltou Mateus
Fiorentini, vice-presidente da
União Nacional de Estudantes no
RS. O Centro Acadêmico de
Design divulgou nota de apoio aos
professores: “... a paralisação
escancarou para a sociedade todas
as mazelas desta instituição.
Uma universidade-conglomerado
de empresas que, mesmo crescendo
desordenadamente e de forma
não-sustentada, se tornou importante
como provedora de empregos
e de serviços”.
Mais do que a questão salarial,
enfatiza Marcos Fuhr, a greve reivindicou
mudança na cultura da
universidade. “Avaliamos a paralisação
como um fato muito positivo
no cenário de crise da Ulbra e que
certamente credenciou os professores
como protagonistas na luta
pela regularização salarial, pela dignidade
profissional e por mudanças
administrativas e de gestão na
universidade”, ressalta. Para o dirigente,
o apoio dos estudantes surgiu
de forma espontânea, à revelia
do DCE e confirmou, além da
compreensão dos alunos quanto ao
problema dos professores, a falta de
transparência da instituição em
relação à sua própria crise.
CONTAS BLOQUEADAS – No dia 7 de novembro, a
Justiça
do Trabalho concedeu tutela antecipada
a uma Ação Coletiva
ajuizada pelo Sindicato em nome
dos professores, solicitando o bloqueio
de contas da Ulbra para
priorizar os salários. O juiz da 3ª Vara
do Trabalho de Canoas, Luiz Fernando Henzel, determinou o
bloqueio das contas bancárias da
universidade para pagamento dos
salários. Também determinou ao
Detran a indisponibilidade dos veículos
registrados em nome da
Celsp/Ulbra, bem como o repasse
dos valores arrecadados nas execuções
fiscais da Justiça Federal.
O juiz tentou ainda buscar os recursos
bloqueados pela Justiça
cível em um processo movido pelo
banco norte-americano Eximbank.
Enquanto a Justiça Federal prontamente
deferiu a disponibilização
dos recursos para o pagamento de
salários atrasados, a Justiça cível
manteve os bloqueios. Até o fechamento
desta edição, os valores arrecadados
continuavam sendo alvo
de disputas judiciais.
O primeiro repasse da Justiça
do Trabalho aos professores, por intermédio
do Sinpro/RS, ocorreu no
dia 14, quando foram liberados R$
3 milhões e 969 mil, suficientes para
pagar 84% do saldo da folha de setembro.
Na semana seguinte, foram
transferidos R$ 508.750 para pagamento
de mais 10,69% do salário de
setembro. Para o pagamento do salário
de outubro, é aguardada para
a primeira semana de dezembro a
liberação de R$ 8 milhões repassados
pela Justiça Federal.
<< voltar
Mais Sindicato:
NEGOCIAÇÕES
COLETIVAS 2009 - Assembléia Geral define pauta de negociações
para 2009
PLANO
DE CARREIRA - Final de ano com avanços e definições
NOTAS
- Uergs - Casa do Professor
SINPRORS
VANTAGEM
FAQ
2009 - Sócios do Sinpro/RS concorrem a dez bolsas de auxílio
IDIOMAS
- Professores de italiano aprovam Acordo Coletivo
Programação
Fundação ECARTA - Dezembro
ESPAÇO
JURÍDICO - Legislação previdenciária
em consonância com a tese do Sindicato