
profunda crise financeira
surgida nos países centrais
(EUA e UK) provocaram
temores no Brasil de que os efeitos
mais perversos da mesma atingissem
em cheio a economia do
país. Passada a fase mais aguda
constatou-se que os efeitos sobre
a economia brasileira foram menores
do que o imaginado. Com
o passar do tempo a confiança foi
sendo readquirida, os fundamentos
da economia passaram a demonstrar
que o país, grosso modo,
estava no rumo certo. As perspectivas
para 2010 e anos seguintes
são de expansão econômica (renda
e emprego) expressivas. Além
disso, a movimentação do país no
exterior através do governo e demais
instituições acabou por
credenciar o Brasil para sediar
mais uma Copa do Mundo de
Futebol e a primeira Olimpíada
da nossa história, no Rio de Janeiro.
Obviamente esses
fatos introduziram uma
certa euforia em muitos
setores sociais, afinal esses
eventos não são somente
competições esportivas.
Eles se transformaram,
em verdadeira arena de business,
onde interesses públicos e privados
atuam de forma articulada
com a finalidade de produzir “bem-estar coletivo” e acumular
riqueza.
A realização desses eventos
demanda uma oferta de infraestrutura
e organização que muitas
vezes as cidades que os sediam
não dispõem, exigindo a mobilização
de grandes volumes de
recursos, públicos e privados, para
implementar ou expandir linhas
de metrôs, estádios e ginásios esportivos,
rede hoteleira e hospitalar,
amplas instalações para alojamentos,
serviços de segurança,
ampliação de aeroportos etc. Nesses
casos, o setor público acaba
vestindo uma “saia justa” premido
pelo charme e pela sedução
que tais eventos exercem sobre
imaginário coletivo? Ainda que
se saiba, de antemão, que a opção
por esses eventos implica deixar
de atender a outras necessidades
sociais históricas do povo
brasileiro.
A realização desses dois eventos
certamente terá um impacto
positivo naquelas cidades que servirão
de sede para eles.
Todavia, é certo também
que os impactos serão muito
menores do que os que
estão sendo divulgados
pelo segmentos diretamente
interessados no assunto.
Nesse sentido, por exemplo,
todo o país ajudará o RJ a realizar
as Olimpíadas de 2016, através
dos investimentos da União.
Mas, qual será o impacto da
Olimpíada carioca em Porto Alegre?
Simplesmente nenhum. E a
Copa do Mundo, o que deixará para Porto Alegre em duas semanas
de duração? Aproximadamente
R$ 400 milhões (ZH, 18-11-09)
em obras importantes, mas, convenhamos,
algumas delas são triviais
numa cidade como Porto Alegre.
Portanto, não tenhamos nenhuma
ilusão, devemos celebrar apenas o
que é certo nesses megaeventos,
o charme dos mesmos.
* Economista