Capa ampliada


Ano 17 - nº 160
DEZEMBRO DE 2011

COLUNISTAS

Luis Fernando Verissimo

Luis Fernando Verissimo (René Cabrales)Desconfio que ainda nos lembraremos destes anos como a época em que vivemos com o acompanhamento dos alarmes de carro.

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Elisa Lucinda

Elisa Lucinda Ai, as mulheres gordas tomadas banho... conheci algumas: Julieta, Maria Sobrinha, Neli, Nete e as que agora não me recordo mas amo.

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Fraga

Fraga (René Cabrales)Estamos em plena War. O campo de batalha é um vasto verde.

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Marco Aurélio Weissheimer

Marco Aurélio Weissheimer (René Cabrales)Escritor, jornalista e ativista político, o paquistanês Tariq Ali participou de duas das primeiras edições do Fórum Social Mundial em Porto Alegre.

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José Antônio Alonso

José Antônio Alonso (René Cabrales)Ao aproximar-se o final do ano, mobilizam-se os analistas de todos os tipos para verificar o desempenho da economia no período que termina e discutir as perspectivas para o próximo exercício.

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Batalha verbal

Estamos em plena War.

O campo de batalha é um vasto verde. Não há estratégia: de lado a lado avançam hordas de adversários, até as fileiras ficarem frente a frente, homem a homem.

Um pouco mais atrás, nas colinas, os batalhões de vozerio fazem rufos e arrufos. Imitam tambores com a boca, um ribombar que troa nos ares. Assim incentivam uma cadência única, que segue para afrontar o inimigo.

Como mudos e tartamudos não podem travar qualquer embate, são eles que ficam a postos como socorristas: carregam salmoura para gargarejos e bornais com figuras de linguagem, para renovar a munição de algum soldado. Suas macas estão prontas para quaisquer perdas.

Agora os exércitos já estão ao alcance dos disparos verbais. Ambos os lados, mãos em concha, miram nos tímpanos uns dos outros. E começa o bombardear de palavras.

A alguns metros do inimigo, cada soldado escolhe um alvo e passa a proferir ofensas e insultos na direção dele. No ar, em conjunto, ouvido de longe, é uma balbúrdia incompreensível, trovejante e assustadora. De perto, são nítidas e pontiagudas ameaças em meio à gritaria geral.

Lá e cá, os soldados estão bem-armados, retóricas afiadas, discursos de impacto, impropérios ensurdecedores. E os efeitos logo surgem: soldados caem com as mãos nos ouvidos, atingidos em cheio por palavras ferinas. O campo vai ficando coalhado de gente abatida, orelhas feridas por vocabulário potente.

E assim a batalha segue por horas, agressões terríveis de grosso calibre, até que se definem as forças em luta. Um dos exércitos bate em retirada, perseguido por ensurdecedores vitoriosos. Esta batalha campal acabou, prisioneiros são feitos, territórios serão anexados.

A seguir, generais e marechais das Palavras Armadas dão lugar a outros figurões de outro tipo de enfrentamento, na quietude dos ambientes do poder: os diplomatas se encontram e aí, com palavras macias que jamais irão machucar alguém, ajustam os termos de rendição.

Durante séculos tem sido assim: nada de sangue derramado, nenhum morto, só a paz imposta pelo barulho, que dá lugar ao silêncio e sossego por outras dezenas de anos.

Até a próxima batalha. Até que a tecnologia chega a uma das regiões em disputa com as demais e o imperialismo ganha um poder de fogo jamais visto: nenhuma palavra precisará ser dita, daqui em diante as mãos decidirão o futuro das tribos.

Estava inventado o tacape. E o resto, sabemos nós, foram derivativos.

Ilustração de Rafael Sica para a coluna do Fraga| Extra Classe nº 160, dezembro de 2011


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EXTRAPAUTA

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