Uma máquina
de fazer doidos
ilustração:
Claudete
Sieber |
Nos
deslumbrados e deslumbrantes anos 60, Andy Warhol, profeta,
arriscou a frase: “no
futuro, todos terão direito a seus 15 minutos de
fama”. Parece que nunca as palavras de Warhol fizeram
tanto sentido quanto agora, nesses primeiros anos de um
novo século. Todos estão em busca da fama,
não importa a que preço. Não importa
nem sequer o tamanho do mico a pagar por escassos instantes
de notoriedade.
E alguns pagam verdadeiros king kongs em busca do reconhecimento
público. Enquanto Gilberto Braga usa |
|
a própria mídia,
no caso a TV, através da telenovela Celebridade, para fazer
uma crônica sarcástica dessa busca de atenção
de todos
os olhares, a televisão em
si está em um impasse
de linguagem que está deixando muitos telespectadores desnorteados.
Jimi Joe

expressão “máquina
de
fazer doido” também
parece atingir sua utilidade máxima enquanto a TV oscila entre realidade
e ficção, que se misturam nos chamados reality show, que invadem
as novelas e poupam, ao menos teoricamente, os espaços de noticiários
por temor de processos e punições previstas em lei. Enquanto toda
essa confusão de linguagens envolve os telespectadores, algumas pessoas
estão tentando destrinchar a charada. É o caso de François
Jost, professor francês que se interessou tanto pelo assunto que chegou
a escrever um livro, L’Empire du Loft, que aborda o programa francês
Loft Story, nos mesmos moldes do Big Brother. Jost, diretor do Centre d’Études
Sur l’Image et Son Médiatiques, da Universidade de Paris III – Sorbonne
Nouvelle, e autor de diversos livros sobre cinema e televisão, esteve
no Brasil durante quase todo o mês de abril, quando ministrou um curso
no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação
da Unisinos. Nesse período, aproveitou para conferir os instantes finais
da quarta edição do Big Brother produzido pela Rede Globo e outros
modelos de reality show gerados pela TV brasileira. Ficou espantado: descobriu
que a mescla entre realidade e ficção na televisão, tema
de seus estudos há muitos anos, é muito mais grave e perigosa no
Brasil do que na Europa. Elisabeth Bastos Duarte, professora da Unisinos, doutora
em semiótica e pós-doutora pela Universidade de Paris, que lança
até agosto o livro Televisão: Ensaios Metodológicos, concorda
com Jost sobre os perigos dessa mistura de formatos. Luis Martins, professor
da UnB e coordenador do projeto SOS Imprensa, diz que a receita básica
do sucesso dos reality show está centrada no binômio “voyeurismo
e catarse ao extremo”. Já o jornalista português Tiago Mota
alude ao fato de que os reality show, surgidos como entretenimento, acabaram
se tornando assuntos de noticiosos tidos como sérios. Ele identifica a
invasão do “real inventado” dentro do espaço factual
com a velha fórmula de “dar ao povo o que o povo quer”. José Luís
Fecé, professor da Universidade Autonôma de Barcelona, nos diz que “as
grandes corporações de comunicação acabaram de impor
uma equação já utilizada pelos pintores e teóricos
do Quatroccento: ver é igual a crer”.
“A França tem um retrospecto histórico em seus estudos sobre cinema
especialmente a partir do final da década de 1950 e por toda década
de 60, mas a televisão, que é um veículo que está aí há muitas
décadas, carecia de uma visão mais acadêmica sobre seu papel”,
diz Fraçois Jost. O interesse pela TV e sua relação com
o público, que culminou na publicação do livro sobre o Big
Brother francês, é muito anterior à explosão dos reality
show pelo planeta. Jost diz que sempre teve essa curiosidade e quase que a necessidade
de estabelecer os limites entre ficção e realidade na TV. Seus
estudos mais abrangentes sobre a televisão abarcam a produção
televisiva francesa toda, desde os anos 1950. “Durante essa pesquisa, meu
objetivo era estabelecer os diferentes graus de ficção e realidade.”
Foto:
Renata
Stoduto |
|
François
Jost:
os reality
são
falsos |
Sobre os reality show, ele diz que, embora sejam apresentados como realidade,
são todos ensaiados, ou seja, são todos ficção. “O
público aceita e se interessa pelos destinos dos personagens da mesma
forma que faz com uma novela, que teoricamente é algo totalmente fictício.” O
objeto de estudo de Jost, ele admite, é difícil e enganador. “Nem
sempre as coisas na TV ficam claras para o público. Vivemos um dilema
e temos de decifrar a todo instante onde estão as mentiras ou diferenciar
o que é pastiche e fantasia da realidade. E muitas vezes esses elementos
são apresentados de formas mistas em vários programas.”
Jost separa em três estágios diferentes a produção
para TV. “O primeiro deles é o documentário, quando você vai
a algum lugar onde alguma coisa está realmente acontecendo e filma isso,
filma essas pessoas em seu próprio apartamento ou no seu próprio
ambiente de trabalho e joga na TV. Depois nós temos o estágio em
que alguém convida as pessoas para um palco, elas se transformam no centro
das atenções. E isso não é a realidade, pois a realidade é o
palco. As pessoas apenas atuam nesse espaço. O terceiro estágio é construir
uma espécie de casa ou apartamento, que não é uma moradia
realmente, pois há montes de luzes, câmeras, equipe técnica,
e ali algumas pessoas agem como se fosse realidade, mas não é porque
elas podem ouvir a equipe se movimentando lá fora.”
Jost diz que a falsidade dos reality show pode ser medida por vários fatores.
Um deles é a escolha dos supostos candidatos. “Você vai acabar
vendo sempre os mesmos personagens. Estão lá, sempre, o garoto
fortão, a garota bonita, a moça pobre que quer ganhar o prêmio. É tudo
muito estereotipado para ser real. Eu acompanhei a fase final do último
Big Brother aqui no Brasil e não há nenhuma diferença nesse
ponto entre Brasil e França, é a mesma coisa, os mesmos tipos de
personagens.” Jost acredita que a escolha desses personagens são
parte de um quadro maior. “Acho que um dos objetivos da TV é fazer
acreditar que, graças a ela, sua vida pode mudar. É por isso que,
na maioria das vezes, os ganhadores são os concorrentes supostamente mais
pobres.”
Para Jost, é exatamente nisso que está o motivo de tanto sucesso
dos reality show. “As pessoas que assistem se sentem tocadas por aquilo
que é apresentado como realidade e elas o aceitam como tal.” As
pesquisas feitas por Jost apontaram que, ao menos nas primeiras temporadas dos
programas, até mesmo pessoas mais instruídas ou mais intelectualizadas
também aceitaram os reality show como fatos reais. “Mas até numa
segunda temporada, essas pessoas, mesmo tendo percebido que era tudo ficção,
acabaram sendo atraídas por outras razões, fosse pela trama em
si, e existe uma trama pré-concebida, fosse pelos personagens.” Jost
diz que a atração maior se dá sobre as audiências
mais jovens, especialmente adolescentes, que seguem a história “como
quem acompanha uma novela”. “É o caso do Brasil, onde as pessoas
acompanharam até o fim a saga de Cida, que era uma garota muito pobre
em seu caminho para a fortuna.” Segundo Jost, esse tipo de trama se apresenta
como algo compensador para os telespectadores de classes econômicas menos
favorecidas. “Na Europa, há um programa que é o avesso disso.
São celebridades submetidas a todo tipo de dificuldades em seu cotidiano.
Isso também gera uma reação de simpatia e, às vezes,
quase de vingança por parte dos telespectadores mais pobres que vêem
gente rica passando por sofrimentos tão grandes ou maiores do que os deles.”
Jost lembra ainda que há uma outra atitude do telespectador diante dos
reality show. “Uma grande parcela de espectadores tem uma postura lúdica
diante desses programas. Eles os assistem como se fosse realmente um jogo, como
quem assiste a uma partida de futebol ou algo assim. Isso tem acontecido também
com o cinema, ultimamente, e é muito interessante. As pessoas têm
ido ao cinema mais por um interesse lúdico do que pela história
do filme. Grande parte da produção hollywoodiana recente favorece
isso. É mais como um circo.” Parte do jogo dos reality show é vivida
pelos participantes como uma experiência quase mística. Jost diz
que “há uma batalha entre o profano e o sagrado”. “A
televisão parece ser o sagrado, e as pessoas, ao participarem desse tipo
de programa, sentem o prazer de desfrutar de uma pequena parte desse sagrado.”
Um olhar brasileiro sobre o Big Brother

A professora Elisabeth Bastos Duarte, movida pela mesma necessidade de Jost de
definir os limites entre realidade e ficção na TV, também
transformou o tema em assunto de seus estudos que acabaram gerando o livro Televisão:
Ensaios Metodológicos. “Primeiro é preciso deixar claro que
tratamos de coisas bem diferentes. Temos dois tipos de linguagem na televisão.
Existe o mundo real, exterior, produto das referências do cotidia-no, que
a TV deve respeitar, mesmo que seja apenas em discurso, até porque há um
preço a pagar, como multas e outras punições por divulgação
de informações não comprovadas. Um outro tipo de texto é o
texto de ficção, sem compromisso com a semelhança.” Elisabeth
lembra, aliás, que, há muito tempo, filmes, novelas e outros textos
de ficção costumavam trazer a clássica enunciação
que “qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais é mera
coincidência”.
“O problema de programas como o Big Brother é que neles se constrói
um real artificial no interior do próprio meio, que é a televisão,
a qual detém um poder absoluto sobre esse real artificial. Os personagens
desse programa se apresentam e falam como se falassem sobre o real. Mas eles
falam sobre o mundo real artificial que foi criado para eles.” Elisabeth
lembra que, em uma entrevista a uma revista semanal, um dos diretores do programa
lembrou que a qualquer momento a produção tem o direito de “defenestrar” qualquer
um dos integrantes que não esteja se pautando pelas regras estabelecidas.
“Na verdade, todos estão sendo manipulados nesse grande jogo, tantos os
participantes do programa quanto os telespectadores. A TV dá ao telespectador
um papel de Deus, que tudo poder ver, até mesmo coisas que, por vezes,
os próprios participantes do programa não estão vendo. O
telespectador se torna onipresente, onisciente e onipotente a partir do momento
em que ele pode até mesmo decidir quem fica e quem sai do programa. Mas
o espectador é apenas um ator da trama.”
Elisabeth alerta para o perigo maior dessa confusão de linguagens entre
realidade e ficção, especialmente quando a ficção
pode contaminar a realidade de forma agudizada. “É o caso de programas
como o Linha Direta, no qual se destina um papel de justiceiro ao telespectador.
A mistura desses universos diferentes pode ser vista também em novelas,
como em Celebridade, que é uma novelinha, mas de repente a Gal Costa aparece
visitando uma personagem. Ao mesmo tempo, ela aproveita para divulgar o seu disco,
o que já não é ficção, mas realidade.”
Elisabeth diz que o perigo maior está no fato de que esta confusão
de linguagens atinge um público que, no caso do Brasil, em sua maio-ria
está despreparado culturalmente para identificar essas diferenças. “O
problema se torna mais grave quando comparamos nossa produção televisiva
com a produção européia, por exemplo. Lá é a
televisão pública, sustentada pela população, que
dá o nível da programação. No Brasil, são
as emissoras privadas que estabelecem esse nível porque as TVs estatais,
por mais bem intencionadas que sejam, não têm recursos ou tecnologia
para estabelecer um padrão. Nós temos a TV Futura, que é um
dos melhores canais de TV educativa do Brasil e que é um canal fechado,
pago, quando deveria ser aberto.”
“Enquanto a sociedade brasileira não definir quais são os limites
que ela deseja para a televisão, a televisão vai testar quais são
os limites que a sociedade agüenta.” As palavras são de Luís
Martins da Silva, professor da Universidade de Brasília. “Na França,
houve protestos, manifestações em frente ao canal privado que exibiu
o Loft Story e mobilizações junto ao governo. Por aqui, o mais
provável é que a fórmula se esgote, sendo necessário
recorrer a algo ainda mais apelativo”, diz ele em relação
ao Big Brother brasileiro. E desfecha: “A receita é básica
e muito antiga: voyeurismo e catarse ao extremo, como se a realidade social brasileira
já não fosse suficientemente ‘espetaculosa’ para o
consumo de imagens sensacionalistas.” Luis Martins acredita que a mistura
de realidade e ficção, que por vezes pode ser um prato extremamente
indigesto, já vem acontecendo antes dos reality show se tornarem sucessos
de audiência. “Mesmo antes do 11 de setembro, realidade e fantasia
já brincavam de uma ser a outra, mas agora, com a recessão nas
vizinhanças e sucessivas quedas no agendamento de publicidade, o jeito é explorar
os limites do ser humano, nas situações que mais o descaracterizam
como tal: ganha o carrão quem conseguir ficar mais tempo dentro daquele
cativeiro dourado, sem direito às suas funções básicas
de micção e excreção.”
Olho atento para ler e ver
A privacidade é um assunto que levou muita gente a escrever
livros e a fazer. A mania de bisbilhotar a vida alheia foi investigada
por nomes como Alfred Hitchcock e George Orwell. O bom e velho
Hitch nos presenteou com o soberbo Janela Indiscreta, filme em
que James Stewart é um fotógrafo que, ao quebrar
a perna e ficar imobilizado em casa, passa a se dedicar ao esporte
da bisbilhotice e acaba testemunhando um homicídio. Orwell,
inglês como Hitchcock, escreveu o clássico 1984, uma
fantasia sobre um mundo comandado por um regime totalitário
que usa a tecnologia para vigiar cada um de seus cidadãos.
Fantasia? Na TV, muito antes do Big Brother se tornar atração
em vários países do mundo globalizado, lá por
1973, os americanos já ensaiavam um reality show com a série
An American Family em 12 episódios. A idéia básica
era mostrar tudo que a família Loud (um casal e cinco filhos)
fizesse no seu dia-a-dia. Peter Weir, que dirgiu The Truman Show,
em 1998, talvez não admita, mas An American Family pode
ter sido a inspiração para o filme no qual Jim Carrey é o
personagem principal de um reality show diário que começa
no dia de seu nascimento. Um ano depois, em 1999, Ron Howard dirigiu
EdTV: produtora de um canal de televisão à beira
da falência resolve botar no ar um programa que mostra o
cotidiano de Eddie Perkuny, um típico Zé Ninguém
que vira mais um famoso instantâneo. Muito antes, em 1970,
Joseph Sargent dirgiu Colossus, ficção científica
onde um megacomputador consegue ver e controlar tudo que os humanos
fazem.
Preocupação Global
A preocupação com os limites entre realidade e ficção
na TV parece ter se espalhado por todos os cantos. Para o jornalista
Tiago Mota, em Portugal, os reality show também chegaram
como uma verdadeira praga. E, como em muitos outros países,
foram aceitos pela grande maioria da população. “Os
reality show são um verdadeiro fenômeno televisivo.
Eles conquistam grandes audiências, movimentam grandes verbas
em propaganda e promoção e, claro, geram as opiniões
mais diversas.” Mas, para Tiago, os reality show levantam
uma questão que vai além do limite entre ficção
e realidade. “Estamos falando de privacidade, um direito
consagrado a todas pessoas, públicas ou não. Estamos
falando de ética na imprensa”, diz ele, referindo-se
ao que chama de “a mais antiga forma de reality show”. “Entre
os meios de comunicação existem tablóides,
as chamadas “revistas cor-de-rosa” e outras publicações
que se inserem perfeitamente neste mundo do espetáculo que
torna público tudo o que é do foro privado. São
freqüentes os artigos que, ilustrados com fotografias papparazzi,
divulgam a intimidade de personalidades públicas – como
foi o caso da Princesa Diana.” Sobre os reality show, Tiago
diz que o próprio conceito já traz uma contradição,
uma vez que “eles estão em algum nicho entre a realidade
e a ficção, e creio que a expressão ‘novela
da vida real’ seria a melhor definição”. “De
qualquer maneira, são programas dedicados ao entretenimento
que assumem proporções descabidas quando se tornam,
como em Portugal, assunto de noticiosos tradicionais e respeitados
por sua credibilidade há muitos anos. Essa invasão
do real pelo fictício com ares de notícia contraria
o princípio de que os espaços informativos deveriam
ser regidos pelo rigor jornalístico e não pelas regras
comerciais.”
Para o espanhol José Luis Fecé, o “furo é mais
embaixo”. “A convergência entre os complexos
sistemas de transmissão, armazenagem e processamento de
informação de imagens fará florescer, segundo
os discursos mais otimistas, uma ‘nova sociedade da comunicação’,
uma espécie de irmandade universal que nos fará a
todos mais iguais, mais conhecedores. Até os pesquisadores
e analistas mais otimistas reconhecem que a ‘democratização’ prometida,
essa nova utopia, corre o risco de se transformar em homogeneização”,
diz ele. Para Fecé, a globalização implica
a perda de referências espaciais e temporais. Ele lembra
as palavras do pensador francês Paul Virilio: “pela
primeira vez, o jogo da história vai acontecer em um tempo único:
o tempo mundial. A história tem se desenvolvido, até o
momento, em um tempo local, em espaços locais, das regiões,
das nações. Agora, de alguma forma, a mundialização
e a virtualização prefiguram um novo tipo de tirania”.
A ânsia pela informação é um dos pontos
comuns de nosso tempo. “Em uma época em que as instituições
dominantes, especialmente as grandes corporações
de comunicação, acabaram de impor uma equação
já utilizada pelos pintores e teóricos do Quatroccento,
de que ver é igual a crer, se faz imprescindível
refletir sobre as questões referentes à representação
da realidade, a pretendida “transparência” da
imagem em movimento, especialmente quando, graças à transmissão
direta, o espectador pode ‘assistir’, teoricamente
como testemunha e sem mediação alguma, a qualquer
acontecimento que se produza no planeta.”
Fecé, porém, não acredita muito nessa “nova
sociedade de comunicação”. Ele é bem
claro em seu alerta. “No circuito ilimitado da informação-mercadoria,
qualquer coisa representada tende a trocar de signo: verdadeiro/falso,
real/virtual, presente/futuro. A inversão de signos se generaliza.
Em um mundo onde qualquer prova pode ser combatida com outra inversa,
a evidência ou transparência não é mais
do que um engano”, anuncia ele. Sobre a diferença
entre realidade e ficção, Fecé tampouco alimenta
otimismos. “Cada época tem seus realismos, ou melhor,
seus efeitos de realidade. A nossa já não trata de
conseguir imagens e sons realistas, mas de injetar nas imagens
efeitos de realismo, simular o realismo. Como diz Christian Guillon,
diretor do departamento de efeitos especiais digitais da empresa
Ex-Machina, imagens documentais ou das reportagens de atualidade
são, antes de tudo, inclusive antes de qualquer intervenção
tecnológica sobre a imagem, o produto de uma manipulação.
O único antídoto contra esse tipo de manipulação é o
ceticismo; é necessário criticar a fé absoluta
nas imagens e na tecnologia. É preciso conseguir que o espectador
saiba que as imagens só falam de si mesmas, em uma palavra,
que uma imagem não é mais do que uma imagem.”