Ano 9 - nº 82
Junho 2004



Luis Fernando Verissimo:
Estou há mais de um mês fora do Brasil. Informações sobre o que acontece aí não faltam, na Internet e nas notícias de familiares e amigos. Mas, se fosse depender da imprensa local para saber do Brasil, poderia desconfiar que ela deixou de existir quando eu viajei...



Nei Lisboa:
– Err... ham... Bom dia.
– Hã? Ah, desculpe, eu estava concentrada aqui no meu tricô. Casaquinho pro neto, sabe? É o jeito, com os juros ao consumidor como estão. Se importa de eu terminar só mais essa carreira? Quero ver se apronto ainda hoje.



Elisa Lucinda:

Adoro o mar de minha terra
É bom dormir ao pé dele
Ao som, à sua cantiga, ao bater das ondas
Esse ninar
O mar de minha terra foi babá antes de ser mar
Foi preta velha, deu de mamar
Depois é que virou mar
Adoro ele, é meu quintal!





Pipocas em close up

Extra Classe de junho inicia seus trabalhos com a visão de dentro do jornalismo com que Verissimo humoriza a cobertura dos jornalistas de fora e a ausência do Brasil nos noticiosos além-fronteiras.

A seguir, surge um tema já abordado anteriormente, porém com novo enfoque. O repórter cultural Jimi Joe, ex-editor deste periódico, nos brinda com uma matéria que dá um painel acadêmico da mídia como indústria de celebridades. No centro do debate está uma grande ironia: a falsa realidade dos reality show. Professor e estudioso do assunto, o francês François Jost abre seu estudo aos leitores e traça um paralelo de semelhanças entre os “biguebroders” mundo afora e no Brasil.

Seguindo páginas adentro, o jornalista Eduardo Nasi levanta um assunto que não está no gibi, ou melhor, está. Além de um histórico dos quadrinhos no Brasil, a reportagem mostra a trajetória das “revistinhas” na escola, além das diferentes abordagens e possibilidades das HQs, ora como recurso didático, ora como objeto de estudo.

José Luis Fiori esmiúça o drama das esquerdas no mundo e suas dificuldades de interpretação da história para que possam apresentar alternativas aos modelos que criticam.

Em sua passagem pelo Estado, a escritora e educadora Fanny Abramovich solta o verbo para literalmente detonar as estruturas públicas e privadas de educação, bem como a programação de TV voltada para os baixinhos, sem perdoar, inclusive, as TVs educativas.

A repórter Keli Lynn Boop, a partir de denúncias de irregularidades em escolas de educação infantil, mostra o quanto os usuários desses serviços não têm a quem recorrer quando expostos a situações de negligência. Ficam à mercê do jogo de empurra-empurra das autoridades competentes. Na editoria de Educação, nossa reportagem também faz um apanhado de circustâncias que denunciam o paradoxo de uma das maiores universidades do país, a Ulbra, que aparentemente dá ao marketing um status mais elevado do que ao quadro de professores, que nem sempre se sentem valorizados como gostariam, tendo, inclusive, receio de manifestações públicas que possam gerar represálias. Na editoria de sindicato destacamos algumas cláusulas para melhor entendimento dos professores, entre elas a que explica o cálculo mensal dos salários.

Para fechar nosso rol de reportagens em estilo cinematográfico, nada melhor do que falar de cinema. Nossa colaboradora, a jornalista e especialista na área Fatimarlei Lunardelli, disseca o Cinema Nacional, não apenas a produção cinematográfica, como também a estrutura de exibição. Um verdadeiro raio X onde se constata que na atual arte cinematográfica a grande protagonista é a pipoca. E por fim, um pouco da poesia de Elisa Lucinda em primeira mão.

Boa leitura.




 
José Luis Fiori

O quebra-cabeça da esquerda (I)
Gerrard Winstanley – soldado e líder radical do exército revolucionário de Cromwell – foi quem traduziu o sonho de todas as grandes utopias igualitárias da história para a linguagem e a agenda política moderna. Para Winstanley, os homens só seriam livres e iguais quando todos tivessem acesso à propriedade da terra e dos seus frutos.





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> Brasil e o Mundo – Temas em Debate na Mídia
> Políticas Educacionais de Redução da Violência – Mediação do Conflito Escolar
> Globalização e Educação – Perspectivas críticas
> Educação, Justiça e Democracia – Um estudo sobre as geografias da justiça em educação
> A trajetória do sindicalismo no Alto Uruguai gaúcho (1937-2003)







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