Lato sensu: aumenta o cerco às caça-níqueis
César Fraga

o último
dia 7 de maio, o ministro da Educação
Tarso Genro assinou
a Portaria nº 1180, que instituiu Comissão Especial de acompanhamento
e Verificação, integrada por representantes da Secretaria
de Educação Superior (Sesu) e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
(Inep). A Comissão fiscalizará as condições em que
são oferecidos os cursos lato sensu e verificará o cumprimento
da legislação vigente sobre o setor.
A portaria foi motivada por uma série de denúncias que chegaram
ao MEC sobre irregularidades na oferta de cursos de pós-graduação,
principalmente os oferecidos no Rio Grande do Sul por instituições
de outros estados. Na maioria dos casos, as irregularidades dizem respeito ao
não-cumprimento de carga horária mínima, oferta de bibliotecas
e precariedade de estrutura. A Comissão está autorizada pela Portaria
a solicitar esclarecimentos das instituições no que se refere a
projeto pedagógico, carga horária, corpo docente entre outros itens.
Sendo constatado descumprimento das exigências legais mínimas previstas
na Resolução CES/CNE 1/2001, as instituições terão
um prazo para se adequar à Lei; caso contrário, os cursos serão
desativados.
Em conversa telefônica com o EC no último dia 31 de maio, o secretário
executivo adjunto do MEC, Jairo Jorge da Silva, em viagem pela Espanha, ressaltou
a importância das reportagens do EC e do papel do Conselho Estadual de
Educação (Ceed) em chamar a atenção das autoridades
estaduais e federais sobre irregularidades nos cursos lato sensu. O Ceed emitiu
a Indicação 38, em fevereiro de 2004, que pede providências
ao MEC/CNE e recomenda à SEC maior rigor nos critérios de reconhecimento
dos cursos que atuam no Estado, atendendo professores aspirantes à progressão
de nível no plano de carreira do magistério estadual. Jairo refere-se
também às primeiras denúncias que apareceram originalmente
nas páginas do EC datadas de setembro de 2002 e posteriormente, somadas
a outras evidências, acabaram compondo dossiê elaborado pela SEC,
apontando 17 instituições de fora do RS que oferecem cursos lato
sensu no Estado. O dossiê foi entregue ao MEC no final de abril. Segundo
o documento, estas instituições estariam sendo investigadas pela
SEC e agora passam para alçada do MEC/CNE.
Segundo o secretário adjunto do MEC, será criado um cadastro eletrônico
no site do MEC no prazo de 90 dias, em que todas as instituições
que oferecem cursos de pós-graduação lato sensu deverão
preencher. As informações constantes nesse cadastro nacional serão
disponibilizadas em um portal que ficará à disposição
dos órgãos fiscalizadores e do público em geral para consulta.
Segundo o secretário, ainda não há um mecanismo de controle
e aferição de qualidade e essa iniciativa surge nesse sentido.
Sobre os cursos suspeitos, ele frisa “por hora, todos estão válidos,
mas o MEC quer maior qualificação e está retornando ao papel
de fiscal. Após o Ministério decidir se haverá alguma mudança
na legislação, os casos serão avaliados individualmente”.
O secretário do MEC aconselha as pessoas que desejam realizar cursos lato
sensu que evitem aventuras e procurem cursos com tradição e estrutura
para tal. “Há muitas instituições sérias e
outras que tratam educação como mercadoria. Essa última
não é a prerrogativa defendida pelo MEC”, afirma.