ALTRUÍSMO
A reportagem Trocam-se votos por favores, de Liége Copstein,
referente ao “assistencialismo praticado nos albergues mantidos
por deputados estaduais”, publicada em maio de 2005, afirma
que deputados mantêm albergues não por altruísmo
e sim por visarem a votos. A reportagem pode ter um efeito negativo,
de que Liége talvez não tenha se dado conta: quem
costuma ajudar pessoas em situação de rua, informando-as
sobre albergues ou ligando a estes para saber de vagas e da possibilidade
de buscarem desabrigados nos locais onde estão, pode ser
levado a deixar de fazer isso, considerando que os albergues teriam
finalidade condenável por trás da aparência
de altruísmo. Penso que é muito questionável
que se possa interpretar com segurança intenções
ocultas. A interpretação pode ser correta para alguns
casos e não para outros, e parece inviável distinguir.
Além disso, mesmo admitindo que todos os deputados que mantêm
albergues fazem isso visando a votos, parece não haver razão
para condenar isso, pois os resultados, embora interesseiros, são
positivos para a população da rua.
Desejo salientar que é problemático lançar
a suspeita de que há interesses ocultos por trás
de quaisquer atitudes assumidas aparentemente de modo altruísta,
pois seremos levados a suspeitar de qualquer pessoa que lute na
defesa de quaisquer interesses que não sejam seus, como é o
caso de deputados que lutam contra a exploração do
trabalhador e preconceitos contra mulheres, homossexuais e negros.
Isso pode levar ao extremo de ninguém poder procurar ser
altruísta sem correr o risco de ser acusado de falsidade,
o que é muito lamentável, considerando a necessidade
urgente de disseminação do altruísmo nas sociedades
atuais. Espero que essas considerações contribuam
para a discussão dos aspectos positivos e negativos da manutenção
de albergues por deputados.
Edgar Xavier, professor e assistente social – Porto Alegre
FEDERALIZAÇÃO
Lendo atentamente o excelente jornal Extra Classe, órgão
que representa os interesses dos professores da rede privada
de ensino, deparei-me com a seguinte manchete, “Federalização
da Urcamp é uma possibilidade distante” e tentei
achar no texto algo referente à chamada, mas não
encontrei nada que justificasse este título. O Sindicato
que sempre defendeu a nossa categoria deveria escutar os professores
da Urcamp sobre a federalização, se fizesse isso,
notaria que a maioria absoluta é a favor desse projeto,
pois uma universidade pública alavancaria o progresso
na região, tão sofrida com a crescente pobreza
e abandono. Gostaria que o Sindicato revisse a sua posição
e ficasse ao lado da comunidade acadêmica da Urcamp, somando-se
a nós nesta luta pela federalização.
Luiz Felipe Scherwenski Pereira – Professor de História – Urcamp – Alegrete
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