Ano 10 - nº 92
Junho 2005



Luis Fernando Verissimo:
Eu ouvia o José Miguel Wisnik falar para uma multidão sobre um conto do Guimarães Rosa chamado O recado do morro lá em Parati e pensava numa palavra para descrever o que nos acontecia, dentro daquela grande tenda, naquela manhã de domingo.




Nei Lisboa:
Vai parecer precipitação, dito assim pouco mais de um mês depois do último cigarro, mas o fato é que parei de fumar. Há quem sugira que se espere dois anos antes de fazer tal afirmação. Posso colocar de outra forma, então, que até...



Elisa Lucinda:

Tenho perdido muitos poemas
vejo cada linda semente se perder
só porque não lembro de trazer o infame gravador
e por achar que deve ser ao vivo
e não salvo a fórceps
as idéias desse amor
– poema é desse departamento.
De modo que me despeço dos que nem
chegaram a ser,
esses namorados que sonhei nas barcas
no avião, no corredor...





ENADE
Ensino superior privado tem desempenho fraco

ensino superior privado concentra o maior número de cursos que receberam os conceitos mais baixos, numa escala de 1 a 5, no primeiro Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) divulgado em maio. Dos 148 cursos que obtiveram os dois piores desempenhos (1 e 2), 104 são de instituições privadas, o equivalente a 70,3%. As federais lideram no conceito mais alto, com 57%, enquanto as instituições privadas têm apenas18% de cursos com o conceito mais alto.

Dos 2.184 cursos avaliados, apenas 1.427 receberam conceitos, porque muitos ainda não tinham alunos concluindo os cursos. Dos 1.427 que foram conceituados, 33 (2,6%) obtiveram o conceito 1, o mais baixo, enquanto 150 (10,5%) receberam o conceito 5, o mais alto. A maioria dos cursos (1.129) recebeu conceitos intermediários, 3 e 4, e 115 ficaram com o conceito 2.

Estão localizados no Nordeste 45,7% dos cursos que obtiveram conceito 4 e 13,6% dos que têm o 5. Ao mesmo tempo, essa é a região com o maior percentual de conceitos baixos: 5,4% no 1 e 11,4% no 2, o que demonstra uma grande polaridade. A região Sul tem o segundo maior percentual de cursos com conceitos 4 (37,7%) e 5 (10,3%). O mais baixo desempenho é o do Centro-Oeste. A região tem 5,2% de seus cursos com conceito 1, 13,8% com conceito 2 e apenas 7,8% com conceito 5. No quesito organização acadêmica, as universidades concentram 13,8% dos conceitos 5 e os centros universitários 1,8%. Nas IES (instituições de ensino superior) estaduais e federais os percentuais de conceitos altos chegam a cerca de 78%, enquanto nas instituições privadas este percentual fica em torno de 38%, menos da metade.

REFORMA – Menos de um mês depois de divulgar o resultado do Enade, o MEC retirou da proposta de reforma universitária pontos que aumentariam o controle de instituições particulares, após uma grande pressão do setor. Na nova redação apresentada no dia 30 de maio, foram excluídas a criação dos conselhos administrativos e a necessidade de eleição direta de dirigentes das universidades e dos centros universitários particulares. A nova versão, porém, tenta coibir uma prática que tem ocorrido no setor privado: instituições ditas sem fins lucrativos, beneficiadas por isenções fiscais, burlam a lei alugando imóveis ou contratando serviços de parentes ou sócios, o que permite a obtenção de lucros.

OPINIÃO
Uma análise preliminar
João Pedro Schmidt e Ana Karin Nunes*
m dos princípios básicos mencionados pelo Ministério da Educação nas diretrizes que instituíram o Sinaes, em 2004, é que a avaliação institucional contemple a globalidade dos aspectos. Não há condições, neste momento, de fazer um julgamento consistente sobre o conjunto do Sinaes, nem sobre os seus instrumentos em particular – o Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), a ACG (Avaliação dos Cursos de Graduação) e o Avalies (Avaliação das Instituições de Ensino Superior). Pode-se apenas tecer considerações sobre aspectos particulares do processo transcorrido desde a criação do Sistema em lei.

No caso do Enade, uma novidade positiva, em nosso entendimento, é que ele busca aferir o desempenho do aluno mediante a comparação do grau de conhecimento dos alunos iniciantes e concluintes, tanto em conhecimentos gerais como específicos. Esse aspecto é importante. Daí devem se retirar as conclusões devidas, especialmente no que tange à necessidade de fortalecer o ensino médio, além da implementação de políticas de fortalecimento dos próprios cursos de graduação.

Mas, há também dúvidas e incertezas, decorrentes, por exemplo, da forma de divulgação dos resultados do Enade. Assim como outras instituições, não esperávamos uma divulgação pela mídia dos resultados do Enade à semelhança do Provão. As falas dos representantes do MEC vinham no sentido de uma outra lógica, que evitasse um ranqueamento simplista, baseado em apenas um instrumento isolado, e aferindo apenas um aspecto institucional, o desempenho dos estudantes. O Enade, esperávamos, teria seus resultados associados aos dos demais instrumentos, concretizando aquilo que constituiria o núcleo da “qualidade superior” do Sinaes: a visão de conjunto, resultante de diversos olhares e formas de aferição da qualidade de uma instituição.

Continuamos acreditando que o discurso do MEC está correto e que a prática deve ser aperfeiçoada. O que ocorreu neste ano com a publicização dos resultados do Enade foi basicamente a repetição da lógica do Provão. A comprovação disso é que os cursos que tiveram boa pontuação estão utilizando-a novamente como selo de qualidade. Nada de novo, sob este aspecto.

Na nossa visão, para que a sociedade tenha condições de saber se um curso de graduação preenche os requisitos de qualidade terá que ter conhecimento de outras dimensões. Além das notas dos alunos em um exame – que sempre é discutível enquanto forma de aferição de conhecimentos, como qualquer exame – há indicadores que não podem deixar de ser considerados, como o perfil dos docentes, a infra-estrutura, a produção científica, entre outros. Ou seja, mesmo no caso de um curso de graduação, a avaliação deve ser feita a partir de vários olhares e não de um único instrumento, para preencher o requisito da globalidade.

Outro aspecto com o qual não concordamos é a utilização da dicotomia público x privado na apresentação dos resultados das instituições em nível nacional pelo Inep. Recusamo-nos, como instituição comunitária, a sermos incluídos entre as instituições privadas. Fazemos parte de um conjunto de iniciativas bem-sucedidas de educação pública não-estatal, comprometida com o desenvolvimento das suas regiões. Assim, esperamos que os órgãos governamentais levem em conta a nossa especificidade, tratando-nos como uma categoria específica de instituições educacionais. Em síntese, até agora o Enade ainda não demonstrou de forma consistente suas reais virtudes em relação ao Provão, e a sua forma de divulgação comprometeu o objetivo de afirmação dos novos princípios do Sinaes.

Na Unisc, participaram no Enade alunos ingressantes e concluintes dos cursos de Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição, Odontologia e Serviço Social. Os resultados obtidos foram bastante bons e estão servindo para a melhoria e o aperfeiçoamento desses cursos. Coerentes com a argumentação acima desenvolvida, buscaremos continuar mostrando à comunidade que a qualidade da universidade vai muito além de boas notas em exames. Que ela passa, necessariamente, por condições apropriadas para o ensino, a pesquisa e a extensão, e por um compromisso vigoroso com as necessidades da região e do país.
* Pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional da Unisc; Assessora de Avaliação Institucional da Unisc.





Mais Educação:
Professores trabalham doentes para garantir o emprego





Literatura para jovens e crianças
O lançamento de uma coleção infanto-juvenil pela Editora Cortez vem preencher uma lacuna no já respeitável catálogo da editora, que é bastante atuante no meio didático e paradidático.





Inclusão à força I
Os pais de alunos portadores de necessidades especiais que não tiverem seus filhos matriculados em escolas regulares podem ser presos. O caso é que o...

Inclusão à força II
Por um lado, a inclusão destas crianças em escolas regulares é uma tendência mundial. Especialmente entre crianças com deficiências puramente
físicas ou...







Para o envio de cartas, sugestões e comentários para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br - Extra Classe é uma publicação mensal do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul - SINPRO/RS - Av. João Pessoa, 919 - CEP 90040-000 - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - RS - BRASIL - Fone (51) 4009.2900 - Fax (51) 4009.2917 - http://www.sinprors.org.br